[Cobertura] Cradle of Filth faz show irrepreensível no Carioca Club

Cradle of Filth
Carioca Club
São Paulo/SP
24 de março de 2018

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

O Cradle of Filth foi formado no longínquo ano de 1991, e desde então teve diversos músicos: foram cinco bateristas e outros cinco baixistas, vários tecladistas e uma dúzia de guitarristas. O que mais tempo ficou, Paul Allender, saiu em 2014. Mesmo com todas estas mudanças, grupo britânico não perdeu sua personalidade. A atual formação, mesmo sendo relativamente recente, mostra uma unidade que sugere que estão juntos há décadas. Não a toa que os discos que gravaram juntos, Hammer of the Witches (2015) e Cryptoriana – The Seductiveness of Decay (2017), podem ser considerados os melhores de toda a história do Cradle of Filth, que conta com 12 álbuns de inéditas em sua discografia.

Dani Filth (foto: Clovis Roman)

Pela quarta vez no Brasil (antes, vieram em 2004, 2010 e 2013), eles se apresentaram no Carioca Club, casa que recebeu um bom público. Este pode conferir um repertório que abrangeu os pontos altos de sua história, praticamente irretocável e de duração considerável: 1h40 em um show de Metal Extremo não é comum. Sob a introdução “Ave Satani”, os músicos, um a um, sobem ao palco, sem muitos alardes, acenam para a plateia e tomam seus lugares. O último a aparecer é Dani Filth, com uma roupa espalhafatosa como de costume, dando pulos estilo Ozzy; bastante curioso. Então, começam “Gilded Cunt”, porrada que abre o álbum Nymphetamine (2004). Indo ainda mais ao passado, “Beneath the Howling Stars” veio direto do clássico Cruelty and the Beast (1998), mostrando todas as nuances sonoras que se tornaram marca registrada do Cradle of Filth através dos anos. Mais cedo, na coletiva de imprensa, o guitarrista Ashok afirmou que a música é a uma das que melhor define o som da banda.

Cradle of Filth (foto: Clovis Roman)

Duas músicas mais recentes vieram na sequência, mostrando que a atual fase do grupo é tão fantástica quanto a fase áurea, que começou nós anos 90 e foi até meados da década seguinte. Melodiosa e com passagens memoráveis, “Blackest Magick in Practice” já se tornou clássico, assim como “Heartbreak and Seance”, com sua abertura apoteótica e passagens a velocidade da luz, onde brilha o simpático baterista Marthus (Martin Škaroupka). O vocalista Dani Filth, nesta canção, assim como em tantas outras, balanceia seus vocais gritados estridentes com passagens mais soturnas, quase declamadas, com maestria. Em alguns momentos ele muda algumas partes em relação ao que foi gravado em disco, mas nunca de maneira a descaracterizar as obras. Sua performance impressiona, afinal, parece quase impossível o cara ainda gritar ensandecidamente após tanto tempo e soar muito bem. Aliás, a roupa que ele usa no clipe desta música foi a mesma que ele usou em São Paulo.

Cradle of Filth (foto: Clovis Roman)

Dos primórdios, o épico “Bathory Aria” causou um estrago considerável. A colossal composição nunca havia sido tocada ao vivo até esta turnê, e é uma das favoritas do guitarrista Rich Shaw. Sua presença de palco é cativante, afinal o cara não para de fazer caras e poses insanas, além de volta e meia tocar enquanto dá piruetas. Outra canção jurássica, a mais antiga da noite, foi “Dusk and Her Embrace”, com semelhante poder de destruição. A mais acessível “The Death of Love” e outra nova, “You Will Know the Lion by His Claw”, encerraram a primeira parte do set. Após o interlúdio gravado “A Bruise Upon the Silent Moon”, eles voltam com “The Promise of Fever”, que abriu espaço para o bloco final, uma verdadeira covardia. Primeiro, veio “Nymphetamine (Fix)”, cujo refrão foi cantado pelo público, deixando evidente a satisfação no rosto de Dani Filth. Sem folga, “Her Ghost in the Fog” tornou o clima gélido, assim como no videoclipe, outra que causou reação exacerbada da galera. A grandiosa “Born in a Burial Gown” manteve a excitação e “From the Cradle to Enslave” decretou o fim da noite.

Dani Filth e Lindsay ao fundo (foto: Clovis Roman)

Uma pena que “Achingly Beautiful”, tocada em alguns shows no começo da turnê, tenha sido limada. Outras canções de Cryptoriana, como “The Seductiveness of Decay” ou “Wester Vespertine”, também seriam bem vindas, mas o fato é que não há como colocar restrições a apresentação do Cradle of Filth no Brasil. Foi um show fantástico, que está desde já na lista de melhores do ano. E que esta formação da banda se mantenha unida por anos.

REPERTÓRIO
1. Gilded Cunt
2. Beneath the Howling Stars
3. Blackest Magick in Practice
4. Heartbreak and Seance
5. Bathory Aria
6. Dusk and Her Embrace
7. The Death of Love
8. You Will Know the Lion by His Claw
9. The Promise of Fever
10. Nymphetamine (Fix)
11. Her Ghost in the Fog
12. Born in a Burial Gown
13. From the Cradle to Enslave


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