[Cobertura] Odin’s Krieger Fest: Captain Cornelius, Terra Celta, Metsatöll e Faun agitam Curitiba em clima medieval

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Odin’s Krieger Fest
com as bandas Captain CorneliusTerra Celta, Metsatöll e Faun
Hermes Bar
Curitiba/PR
31 de maio de 2018

por Arianne Cordeiro e Olek Nowakowski

No último dia 31/05, feriado de Corpus Christi, aconteceu em Curitiba mais uma edição do Odin’s Krieger Fest, festival brasileiro muito conhecido e respeitado pelo público da música folk/medieval. Apesar do tempo chuvoso, de algumas dificuldades no transporte (devido ao fim recente da greve dos caminhoneiros), e também da falta de estacionamentos abertos ao redor da casa, o público ainda se mostrou muito numeroso, mesmo sem ter esgotado os ingressos disponíveis.

As bandas brasileiras Captain Cornelius (SC) e Terra Celta (PR) abriram as apresentações da noite, representando com classe a cena folk brasileira. Logo em seguida,  foi possível conferir mais uma passagem do retorno a terras brasileiras do Faun (Alemanha), bem como a segunda apresentação da primeira visita ao Brasil dos estonianos do Metsatöll. As duas atrações internacionais são consideradas referência dentro de seu estilo.

Captain Cornelius 06
Foto por Arianne Cordeiro

Captain Cornelius

Uma hora após a abertura da casa, os catarinenses da Captain Cornelius entraram em cena, esquentando a noite com seu repertório estilo Irish Punk / Folk Metal. Formada em Rio do Sul, no final de 2013, por Douglas Sieves e Júlio Halt, a banda tem intenção de divertir, fazendo valer a pena o investimento de tempo e dinheiro do público ao ver um show inesquecível. Em seu nome, a banda faz referência à temática pirata, por meio do “Captain”. Já o “Cornelius” é referência ao pai de um dos integrantes, Douglas, chamado Cornélio Sieves.

A banda, que já havia se apresentado na edição passada do festival em Curitiba, em dezembro do ano passado, apresentou vários covers de músicas da cena já consagradas – como Vodka, do Korpiklani. Os músicos  Douglas (vocal, banjo e bandolim), Julio (contra-baixo), Antony (guitarra), Thomas (bateria) e Camila (teclado) esbanjaram simpatia e um visual despojado, inspirado na temática pirata e medieval.

Terra Celta 08
Foto por Arianne Cordeiro

Terra Celta

Não muito tempo depois, a trupe paranaense do Terra Celta invadiu o palco. Formada em 2005, em Londrina, o grupo apresenta músicas próprias em português, além de clássicos em inglês. Os integrantes Elcio Oliveira (vocal, violino, gaita de fole e nyckelharpa), Alexandre “Arrigo” Garcia (acordeão); Edgar Nakandakari (banjo, bandolim, tin whistle, clarinete, gaita de fole e Hurdy Gurdy), Luís Fernando Nascimento Sardo (bateria e percussão), Eduardo Brancalion (guitarra, violão e bouzouki) e Bruno Guimarães (baixo) roubaram a cena rapidamente com seu vestuário celta e sua constante troca de instrumentos, contando ainda com pequenas coreografias que não deixaram ninguém parado.

O primeiro álbum da banda, No Sintoma, possuía apenas regravações de músicas típicas, tanto instrumentais como em língua inglesa. Já o segundo, entitulado Folkatrua, de 2010trouxe composições próprias e em português. O título é um trocadilho: “Folk” + “falcatrua”. A brincadeira consiste no fato de a banda não tocar exclusivamente esse estilo, apesar de muitos a rotularem como tal. O Terra Celta já participou do festival Rock in Rio, em suas versões internacionais: Lisboa, em 2014, e Las Vegas, em 2015.

Terra Celta 06
Foto por Arianne Cordeiro

O show começou animado e, logo nas primeiras músicas, a banda se abaixou no palco e pediu que os presentes também se abaixassem – ordem que foi obedecida de imediato e de forma descontraída, conforme se pode visualizar na imagem acima. No setlist, rolou de tudo: desde valsa a Raul Seixas, passando por clássicos da música italiana (Funiculì, Funiculà) e americana (Cotton Eyed Joe) e incluindo até o sucesso Fogo e Paixão, do brasileiro Wando, numa versão inusitada que foi cantada em coro por todos os presentes. O vocalista chegou a brincar antes da execução deste cover, dizendo que muitos não acreditam que os fãs de Metal são românticos e gostaria de provar o contrário executando a canção.

A banda foi um ótimo adicional à edição curitibana do Odin Krieger’s Fest 2018. Infelizmente, sua apresentação acabou sendo mais curta, por se tratar de um festival. Espera-se, que retornem em breve à capital paranaense para um show ainda mais completo e divertido, trazendo uma festa ainda maior para o público da cena medieval que aqui reside.

Metsatoll 01
Foto por Arianne Cordeiro

Metsatöll

Perto das 22h, foi a vez dos estonianos do Metsatöll entrarem em cena, após um chamado entusiasmado do público, que os aguardava com faixas escritas em estoniano. No segundo show de sua primeira turnê pelo Brasil, a banda apresentou o melhor de seu Folk/Thrash Metal, agradando muito os fãs, que aguardavam ansiosamente pela execução de cada música.

Formado em 1999 por Markus Teeäär (vocal/guitarra), Raivo Piirsalu (baixo), Tõnis Noevere (bateria) e Lauri Õunapuu (kannel, talharpa, torupill, parmupill e vilepill), o grupo já lançou 6 álbuns de estúdio, além de gravações ao vivo lançadas em DVD. Em seu país, os caras até já se apresentaram com uma orquestra em rede nacional, demonstrando a importância de seu som, que mistura músicas do folclore clássico estoniano com o mais moderno Heavy Metal.

Metsatoll 11
Foto por Arianne Cordeiro

O single Külmking, de 2014, abriu o setlist, a exemplo do que aconteceu na edição de Porto Alegre do Festival. Pouco mudou do repertório executado na noite anterior, aliás, havendo apenas a adição de mais duas faixas: Metsahiva 2 e Merehunt. Assim como lá, o público também cantou as músicas em estoniano junto com os músicos, que explicaram as faixas e ficaram extasiados com a resposta dos fãs. Sua performance foi marcada por muita brutalidade, como é de se esperar de uma banda de Heavy Metal. A atmosfera mais pesada, porém, acabou destoando do restante das bandas do festival, já que as músicas eram mais parecidas entre si e não se configuravam tão “dançantes” como as de seus colegas de palco.

Repertório – Metsatöll

1. Külmking
2. Metslase Veri
3. Must hunt
4. Küü
5. Kivine maa
6. Vaid vaprust
7. Saaremaa vägimees
8. Tõrrede kõhtudes
9. Merehunt
10. Kuni pole kodus, olen kaugel teel
11. Veelind
12. Metsaviha 2
13. Minu kodu

Faun 05
Foto por Arianne Cordeiro

Faun

Finalmente, por volta das 23h, os alemães do Faun entraram em cena. A passagem de som e a quantidade de instrumentos demorou um pouco mais do que o esperado, e os músicos acabaram subindo ao palco antes do início de seu show. O público gritou ensandecido quando viu os músicos pela primeira vez, ovacionando principalmente Fiona Rüggeberg, talentosa vocalista e multi-instrumentista do grupo.

Os integrantes foram contidos, porém muito precisos em sua apresentação, mostrando todo o talento que têm disponível. Oliver Pade (vocais, nyckelharpa, harpa) tentou conversar com o público em alemão, obviamente não obtendo uma resposta muito calorosa. Seu colega Stephan Groth (vocais, viela de roda, flautas, cistre) tomou a palavra e interagiu mais vezes com o público, em inglês, conquistando sua atenção e possibilitando maior interação entre as duas partes. O músico mencionou a intenção de transformar o local numa “taberna de amor”, arriscando um português improvisado.

Faun 16
Foto por Arianne Cordeiro

Falando sobre descontração, Fiona foi quem se mostrou mais à vontade no palco curitibano. A cantora não só ficou descalça, como também mostrou vários passos de dança, além de assobios e acenos contagiantes. Rüdiger Maul (percussão, bateria, berimbau), Niel Mitra (sampler, sintetizador) e Laura Fella (vocais, tambor, mandola) apresentaram uma postura mais tímida, mas nem por isso minimizada em questão de talento.

Quanto ao setlist, a banda também se manteve fiel à apresentação da noite anterior, com repertório idêntico ao de Porto Alegre. Foram executados vários sucessos de sua carreira, como Walpurgisnacht. Feuer, um de seus singles mais recentes, foi executado pela segunda vez – a primeira havia sido na noite anterior.

Para finalizar o show, os músicos fizeram uma breve apresentação de seus membros para a platéia, incluindo um pequeno solo de bateria. A felicidade em seus rostos ficou perceptível ao perceberem a alegria contagiante de todos os presentes. Fica a expectativa de uma nova visita da banda às terras brasileiras.

Repertório – Metsatöll
1. Andro
2. Wind und Geige
3. Alba
4. Walpurgisnacht
5. Nacht Des Nordens
Intermission(drehleier intro)
6. Blaue Stunde
7. Odin
8. Pearl
9. Feuer
10. Iduna
11. Rhiannon
Encore:
12. Wenn wir uns wiedersehen
13. Diese kalte Nacht

Confira a galeria de fotos:

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