[Cobertura] Eduardo Falaschi revisita glorioso passado do Angra em show com orquestra

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Edu Falaschi – Temple of Shadows in Concert
Opera de Arame
Curitiba/PR
19 de maio de 2019

Por Kenia Cordeiro e Clovis Roman

O vocalista Eduardo Falaschi segue fazendo shows onde celebra seu passado de glórias, da época que fez sucesso quando vocalista do Angra. Agora com o adendo de uma orquestra – a Sphaera Rock Orchestra, com regência do maestro Alexey Kurkdjian – sua banda solo apostou em revisitar, na íntegra, o álbum Temple of Shadows, originalmente lançado em 2004. Desse trabalho, Eduardo assina quatro das 13 faixas, sendo uma em que leva os créditos sozinho: a balada pop “Wishing Well”, até hoje a música mais radiofônica do Angra.

Ao seu lado na atual empreitada estão outros dois ex-membros do grupo original: o baterista Aquiles Priester e o tecladista Fabio Laguna. O trio, unido a músicos jovens e de alta qualidade técnica, entrega um bom show, principalmente pelo fato do disco homenageado ser uma obra-prima do Metal nacional. É como entrar em campo para um jogo de futebol com o placar já estando 1×0 a seu favor. Facilita bastante.

Edu Falaschi – Temple of Shadows (foto: Clovis Roman)

Para a abertura, o duo Anie, formado por Fernando Quesada (violão e vocal) e Junior Carelli (teclado e vocal) – ambos ex-Noturnall – fez um set acústico calcado em sua história, com músicas de Shaman como a boa “Finally Home”, e “Fairytale”, que não gravaram mas tocaram bastante ao vivo. Também houve algumas covers como “Wait for Sleep”, do Dream Theater (com Carelli sozinho ao palco) e “Tears of the Dragon”, de Bruce Dickinson (essa apenas com Quesada). “Lost in Space” do Avantasia também atiçou um pouco a platéia polida porém morna.

O medley do Sepultura – com “Attitude” e “Territory” – foi dispensável, as músicas ficaram irreconhecíveis. O clima do curto repertório da dupla, de pouco menos de meia-hora, foi bem descontraído, com piadas entre as canções e bate papo informal. Quando deixaram o palco, a ansiedade aumentou sensivelmente na plateia; 800 pessoas preencheram metade da lotação da Ópera de Arame, que tem capacidade para 1.500. Vale citar que antes mesmo da Anie, no corredor que dá acesso as poltronas, o grupo Illvminata fez uma apresentação livre, com temas medievais, que combinaram com o clima de final de temporada da série Game of Thrones.

A primeira parte do show da Edu Falaschi – Temple of Shadows foi a que contemplou o famoso álbum, que completa 15 anos agora em 2019. A veloz “Spread your Fire” funcionou bem como abertura, um ‘speed’ que carrega em si uma forte carga de nostalgia. Muitos na platéia, na cada dos 30 aos 40 anos, se emocionaram ao revisitar a época que viveram. Havia também outros que não viram o Angra naquela fase de ouro. Todos atentos a um show cujo script já era bem conhecido, seguido por “Angels and Demons” e a mais cadenciada “Waiting Silence”.

Edu Falaschi & Illvminata (foto: Clovis Roman)

O som da orquestra estava baixo no primeiro punhado de músicas, o que prejudicou um tanto a experiência tão alardeada na divulgação. Lá por volta de “Wishing Well” isso foi solucionado. Nessa música, destoante do restante do material do álbum, o tecladista Fabio Laguna teve seus momentos de destaque ao fazer os vocais de apoio. O cantor principal, que em determinado momento do show pediu perdão aos fãs pelos anos em que teve performances abaixo da média – ele enfrentou por muito tempo problemas de saúde que afetaram sua voz – mas frisou que que agora estava de volta, mostrou que enquanto os agudos continuam sendo mais difíceis para ele, nos tons médios ele manda muito bem. Isso ficou claro em “Winds of Destination” e “No Pain for The Dead”. Edu ainda, em determinado momento, frisou que a ideia deles é celebrar o material que ajudaram a fazer, e que isso “não há direito autoral que pague”.

A segunda parte do show teve participação do Illvminata, com o qual tocaram a faixa autoral “Streets of Florence”, cujas linhas vocais remetem a melodia de Blood Brothers, do Iron Maiden, e também “Saint Seiya”, música do desenho japonês Cavaleiros do Zodíaco, adorado por boa parte dos fãs de Metal Melódico. Ainda rolou um solo rápido de guitarra de Roberto Campos em cima de “As Quatro Estações” de Vivaldi, com o apoio da orquestra, num resultado ótimo; a inesperada “Live and Learn”, pouco tocada nessa turnê; e hits como “Rebirth” e “Nova Era”, que decretaram o fim do concerto. O time de Eduardo não venceu de goleada, mas conquistou os três pontos.

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