[Resenha] Obscura – A Valediction

Obscura – A Valediction
(Shinigami Records – nacional)

Material gentilmente enviado por Shinigami Records

Por Clovis Roman

O Obscura tem duas décadas de carreira e surgiu na região da Bavária, na Alemanha. Este é o sexto álbum de estúdio do grupo, que aposta no Death Metal, apesar de passear por outras searas. Este CD chegou ao Brasil em uma parceria da conceituada  Shinigami Recorda com a Nuclear Blast.

O disco A Valediction abre com “Forsaken”, com linha acústica bastante cativante, que realmente adiciona algo ao material. Logo mais, as guitarras entram em cena com um ar grandioso e repleto de melodia e exibição técnica, elemento que será bastante recorrente durante a audição de A Valediction.

Mesclando partes velozes e outras mais cadenciadas, a faixa deixa evidente o que o ouvinte irá encontrar nas demais canções do disco. Elementos de prog e até mesmo algo meio Atheist são encontrados aqui e acolá.

No geral, as partes rápidas são certeiras, com vocais bem encaixados e eventual uso de teclados para dar aquele clima. Diversos fraseados de contrabaixo (um fretless a cargo de Jeroen Paul Thesseling), dão um toque especial a loucura sonora do Obscura. Os solos que apostam mais no feeling também são tiros certeiros.

O vocalista (e também guitarrista) Steffen Kummerer é conhecido dos brasileiros, ao menos aqueles afortunados que tiveram a oportunidade de conferir os shows do Death to All no Brasil, em 2014. Ele tocou algumas músicas com a banda nestas apresentações. Tendo isto em vista, você entende muito do que é conferido neste álbum bastante técnico (mesmo que as vezes em demasia, é verdade).

A faixa-titulo é mais acessível, com linhas mais simples e riffs mais melodiosos e, portanto, menos raivosos. É uma música perfeita para ser trabalhada como single e videoclipe. Tanto que foi a segunda canção usada na divulgação, antes do disco chegar ao mercado.

Mais veloz, outra que ganhou videoclipe e tudo o mais é a seguinte, “When Stars Collide”, com uma pegada na linha Gothemburg Sound (logo você entenderá o motivo), o que, de maneira alguma, é um demérito. Mesmo assim, ela traz os componentes que dão identidade musical, como os solos suntuosos, por exemplo. Aqui, ainda é possível conferir uma pequena inserção de vozes limpas, que combinam mas ao mesmo tempo não fariam falta caso não existissem. Nesta faixa há a participação especial do ótimo e simpático vocalista Björn Strid (Soilwork, The Night Flight Orchestra).

Mantendo a boa distribuição de referências sonoras, “In Unity” é mais melódica e com partes quebradas, enquanto “Devoured Usurper” é primordialmente agressiva e rápida, com partes tensas que desembocam em outras repletas de peso e com um vocal gutural assombroso. Em “Farewell”, a banda explicita o motivo de ser classificada como death metal progressivo. As linhas de baixo fretless são excelentes, assim como a construção da faixa como um todo, que ainda conta com solos de guitarra estupendos. O grande trunfo do Obscura em A Valediction é unir música brutal com melodia e técnica, dosando muito bem cada um desses elementos.

A instrumental “Orbital Elements II” é um capítulo a parte. Mais calcada no heavy metal – há passagens que remetem ao Megadeth, outras, ao Atheist -, a faixa conquista de imediato. Curiosamente, no encarte do CD, os caras deixaram uma página inteira com o título da canção e o resto vazio, no espaço onde estaria a letra, dando a entender que esta composição é tão importante quanto as demais no tracklist, mesmo não tendo vocais.

Caminhando para a trinca final, “The Neuromancer” segue com blast-beats, marcantes fraseados e solos de guitarra e insanidade nas quatro cordas; “In Adversity”, mais acessível em determinados momentos, utiliza partes quebradas, daquelas que funcionam muito bem ao vivo e “Heritage”, a derradeira, que mergulha no progressivo e técnica exacerbada, e que poderia ser até mais extensa.

O disco objeto desta resenha foi gravado durante a pandemia, com os músicos registrando suas respectivas partes em seus países, e posteriormente enviando tudo ao produtor Fredrik Nordström do Studio Fredman, que realizou um trabalho primoroso. No fim das contas, o Obscura entrega um álbum de altíssimo nível, com uma capa espetacular criada por Eliran Kantor, o artista do momento e músicas que realmente se conectam com o ouvinte. Não tem erro.

Compre o CD: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9487073-Obscura—A-Valediction

Músicas

  1. Forsaken
  2. Solaris
  3. A Valediction
  4. When Stars Collide
  5. In Unity
  6. Devoured Usurper
  7. The Beyond
  8. Orbital Elements II
  9. The Neuromancer
  10. In Adversity
  11. Heritage

Conheça mais a banda Obscura: www.realmofobscura.com

Foto: Vincent Grundke

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