[Cobertura] Dream Theater: a sublime combinação entre virtuosismo e feeling

Dream Theater
Tokio Marine Hall
31 de agosto de 2022
São Paulo/SP

O Dream Theater é outra daquelas bandas que tem o Brasil como rota obrigatória há muitos anos. Desde a primeira visita, em 1997, foram dez turnês do gigante do prog metal no país. A mais recente teve o pontapé inicial com um show lotado no Tokio Marine Hall, em São Paulo. Apresentando um palco minimalista, bem menos pomposo que em outras oportunidades, o quinteto apresentou um repertório mais orientado aos admiradores mais ferrenhos.

Palco antes do início da apresentação.

Esta fórmula certamente funcionou na capital paulista, mas no palco do Rock in Rio pode ter um efeito inverso, afinal, lá uma boa parte dos presentes não será de fãs da banda, e quiçá alguns hits ou sons menos extensos funcionariam melhor. Em recente apresentação no Download Japan, o Dream Theater apresentou um show um pouco mais curto, com a adição de “Pull Me Under”, certamente o maior hit do grupo. Portanto, no festival carioca, certamente pouco mudarão em relação ao setlist.

Mas na sexta-feira (02/09) descobriremos o resultado. Em São Paulo, de frente ao seu massivo público, a banda realizou mais uma apresentação sólida e memorável, repleta de técnica, momentos intrincados e muitos refrães apoteóticos e que transbordam feeling. A abertura, pontualíssima, veio com a pesada “The Alien”, monstruosa canção do último álbum A View From the Top of the World, do qual tocaram quatro das dez músicas apresentadas. O som da bateria estava baixo, microfone idem e o som da guitarra altíssimo, assim como o teclado.

Dream Theater em São Paulo (foto: Gustavo Diakov)

Dez minutos depois veio “6:00”, a mais antiga da noite, petardo do espetacular Awake (1994). O vocalista James LaBrie a interpretou de maneira diferenciada em relação a original, mas conseguiu entregar uma boa performance. Aqui, os problemas com o microfone foram resolvidos, apesar de algumas oscilações que rolaram até o fim do set. LaBrie conversa com o público, pede uns segundos para recuperar o fôlego e então anuncia “Awaken the Master”, com os acordes e riffs de John Petrucci soando como uma tijolada na cara. Falando em peso, ele veio ainda mais presente em “Endless Sacrifice”, cujo principal momento foi o extenso instrumental no meio da canção, com Petrucci, o baixista John Myung e o tecladista Jordan Rudess roubando a cena na linha de frente.

Dream Theater com casa lotada em São Paulo.

Uma das melhores faixas da fase Mike Mangini (baterista que entrou em 2011 na banda, substituindo o lendário Mike Portnoy), a semi-balada “Bridges in the Sky” trouxe momentos musicais sublimes e inesquecíveis. Outra novidade, “Invisible Monster” foi o momento mais ok do repertório, porém de maneira alguma destoou das demais. Após 1h20 de show e oito músicas, veio a faixa-título do novo disco, um épico complexo com um refrão enérgico e partes sublimes muito bem mescladas. Trechos instrumentais deram uma folga para Labrie e Mangini, que optou por sentar do lado de seu instrumento enquanto esperava o momento de retornar a ação.

Dream Theater em ação (foto: Kenia Cordeiro)

O encore veio com apenas uma música, cuja duração vale por umas quatro convencionais: “The Count of Tuscany”, obra-prima oriunda do álbum Black Clouds & Silver Linings (2009), coroou um show soberbo, a despeito de algumas falhas no som, causando, de longe, a maior empolgação do público. Os versos finais foram pura poesia que levaram à tristeza, pois as melodias triunfantes anunciavam o fim da apresentação, que durou duas horas cravadas.

Com uma discografia tão extensa, é praticamente impossível relembrar todos os álbuns nos repertórios. Porém, o Dream Theater é uma das poucas bandas que pode deixar inúmeras pérolas de fora (Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory, Images and Words, Octavarium e até mesmo o mais recente Distance over Time), e mesmo assim, entregar um show glorioso em todos os sentidos.

Músicas

The Alien
6:00
Awaken the Master
Endless Sacrifice
Bridges in the Sky
Invisible Monster
About to Crash
The Ministry of Lost Souls
A View From the Top of the World
The Count of Tuscany

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