Ibaraki – Rashomon
(Shinigami Records/nacional)
Material gentilmente enviado por Shinigami Records
Por Clovis Roman
Este projeto do guitarrista Matt Heafy, do Trivium, é uma loucura. Formado inicialmente com o nome Mrityu, mudou para Ibaraki (nome de um demônio da época do Japão feudal) no começo deste ano, antes do lançamento de Rashomon, o primeiro álbum, com temáticas nipônicas, o que tem tudo a ver com seu mentor, afinal, o músico nasceu na terra do sol nascente. O tributo pessoal de Heafy à sua cultura, regada pelo metal extremo, pode não agradar a todos, mas é algo legítimo e honesto. As músicas são apresentadas em ordem cronológica de composição, ou seja: as mais antigas estão no começo do CD e as mais recentes, no final.
A homenagem à cultura japonesa fica evidente logo na intro, “Hakanaki Hitsuzen”, que abre caminho com um ar misterioso até “Kagutsuchi”, que tem participação de Paolo Gregoletto, baixista colega de Heafy no Trivium. A música em si tem muitos momentos que se relacionam com esta banda, inclusive. O prog/metalcore sinfônico de “Ibaraki-Dōji” desperta diversas sensações, e mantém a atenção total do ouvinte em seu decorrer. Cada desenrolar ou evolução da composição é uma surpresa, como mistérios sendo revelados de maneira ininterrupta. Destaque para o trampo de Alex Bent na bateria, também colega de Heafy no Trivum.
Aliás, todo o Trivium aparece no disco em algum momento. Além de Gregoletto e Bent, o guitarrista Corey Beaulieu participa em “Komorebi”, outra ótima faixa deste trabalho que tem como base faixas extensas e repletas de camadas e sonoridades díspares, todavia, complementares. Vide a afável introdução de “Jigoku Dayu”, com violões dedilhados e delicados versos, que vão crescendo com o adendo de um ar misterioso. A entrada da parte extrema ao mesmo tempo que já era esperada, surpreende.
Este disco é uma grande mostra de como a boa música pode ultrapassar conceitos pré-definidos dos ouvintes. Quem acompanha minhas resenhas no decorrer destes anos todos, deve ter sacado que sou adepto das sonoridades mais antigas e dos álbuns com músicas curtas, entre outras características. Entretanto, ao me deparar com CDs como Rashomon, mantenho acesa aquela chama que aumenta e fagulha frente a obras que transbordam feeling e paixão como gasolina. Mais afeita a contornos mais acessíveis, “Tamashii no Houkai” e a estranha e quase dançante “Akumu” são como amálgamas disto tudo.
Lançada anteriormente como single, “Ronin” consegue algo inimaginável até então: unir Ihsahn (Emperor) – também produtor e instrumentista no disco – e Gerard Way (do espetacular protagonista do emo, My Chemical Romance) em uma mesma faixa. Ambos são feras em seus respectivos e distantes estilos musicais, mas a arquitetura de Heafy fez tudo funcionar brilhantemente. Das partes delicadas aos velozes flertes com o black metal, tudo flui muito naturalmente. Curiosamente, Ariadne e Angell, filhas de Ihsahn, além da esposa Heidi “Ihriel”, também participam da canção.
As músicas do CD são extensas, com média de mais de sete minutos de duração (descontando intro e outro). Portanto, é uma audição indicada para aqueles que têm a cabeça mais aberta e gostam de embarcar em novas aventuras musicais. Quem o fizer, será brindado com um trabalho pungente, bem delineado e muito, mas muito bem estruturado.
Compre o CD: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9490267-Ibaraki—Rashomon
Músicas
- Hakanaki Hitsuzen
- Kagutsuchi
- Ibaraki-Doji
- Jigoku Dayu
- Tamashii No Houkai
- Akumu (Feat. Nergal)
- Komorebi
- Rõnin (feat. Gerard Way)
- Susanoo No Mikoto (feat. Ihsahn)
- Kaizoku
Mais informações:
https://www.ibarakiband.com


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