[Resenha] Municipal Waste – Electrified Brain

Municipal Waste – Electrified Brain
(nacional – Shinigami Records)

Material gentilmente enviado por Shinigami Records

Por Clovis Roman

Com pouco mais de duas décadas de estrada, o Municipal Waste neste tempo todo ajudou a revitalizar o cenário thrash metal, sem querer reinventar a roda. Muito pelo contrário. Agora os camaradas americanos chegam ao sétimo álbum de estúdio, entregando mais um petardo daqueles, repleto de momentos convidativos ao mosh e outras atividades inerentes ao estilo.

A faixa-título abre o disco com uma breve intro, com ruídos de choques (previsível, afinal, cérebro eletrificado), para então cair num crossover de primeira, com fortes ares de D.R.I., inclusive nos vocais. Estas reminiscências seguem no decorrer do álbum, algo louvável, inclusive. Energia e aquela empolgante batida característica do thrash metal não dão folga ao ouvinte, como em “Demoralizer” ou “Thermonuclear Protection”. Na verdade, eu poderia ter citados duas músicas quaisquer que a referência seria a mesma.

A quarta faixa, “Grave Dive”, é diversão pura, uma experiência aumentada exponencialmente caso você desfrute do videoclipe, uma divertida animação que traz diversas referências a cultura pop e muitas bandas (Slayer, Iron Maiden, Obituary, Blue Oÿster Cult, Megadeth… Ah! Há muito Motörhead nas cenas. Muito). Além disto tudo, há incontáveis piadocas e pilhérias menores em cenas mais detalhadas. Um deleite, para assistir no mínimo umas vinte vezes. Um videoclipe em animação não é uma novidade na história do grupo, afinal há uma década saiu “You’re Cut Off”. Em todo caso, os caras fizeram mais um golaço.

Nesta faixa e na seguinte, “The Bite”, impressiona a similaridade do vocal de Tony Foresta com John Connelly, do Nuclear Assault. Nesta última, inclusive, há partes em que o timbre muda e vai de encontro à Steve “Zetro” Souza, o que é tão legal quanto.

Uma faixa impressionante é “Blood Vessel / Boat Jail”, cujo nome duplo indica os dois momentos dispares da canção. A primeira é um thrash trampado, algo meio Nuclear Assault; a segunda é uma paulada veloz de poucas dezenas de segundos. Pode não ser proposital, mas o primeiro segundo de “Crank the Heat” parece “Fuel” do Metallica (a parte falada). Detalhe. A música em si é um esporro daqueles que ao vivo crescem em poder de destruição.

Também emanam os anos 1980 sons como a ignorante e sônica “Last Crawl” ou a hardcore “Putting on Errors”, que ficaria animal em uma releitura pelo Napalm Death (não a toa, aqui há a participação de Barney Greenway); os segundos finais são gloriosos, e poderia ser um trecho mais extenso. Pisando no acelerador, “Paranormal Janitor” encerra com velocidade na primeira parte e riffs datados e cativantes na segunda. Irretocável.

Livre das amarras da necessidade de reinventar a roda, o Municipal Waste entrega aquilo que era o esperado desta banda que tem mais de vinte anos de estrada e vários excelentes álbuns. Electrified Brain entrou nesta lista. Outro trunfo é que, por mais que ter 14 faixas possa parecer muita coisa num primeiro momento, o som é sempre direto ao ponto, sem firulas ou fofuras. A média de duração das faixas é de dois minutos e 25 segundos. Muitas bandas deste estilo poderiam se espelhar no Municipal Waste neste quesito. Resumo: pode não ser o melhor CD da banda, mas entrega honestos 34 minutos de diversão, mosh e cerveja (dependendo de onde você o estiver ouvindo).

Compre o CD: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9491635-Municipal-Waste—Electrified-Brain

Músicas

  1. Electrified Brain
  2. Demoralizer
  3. Last Crawl
  4. Grave Dive
  5. The Bite
  6. High Speed Steel
  7. Thermonuclear Protection
  8. Blood Vessel – Boat Jail
  9. Crank The Heat
  10. Restless and Wicked
  11. Ten Cent Beer Night
  12. Barreled Rage
  13. Putting On Errors
  14. Paranormal Janitor

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