[Cobertura] Destruction e Burning Witches: O velho e o novo metal se encontram no palco do Tork N’ Roll

Destruction + Burning Witches
16 de setembro de 2022
Tork N’ Roll
Curitiba/PR

Por Clovis Roman

Quase uma década mais tarde, após um show memorável por bons e maus motivos, a lenda do thrash metal alemão, Destruction, retornou a Curitiba para mais um massacre sonoro impiedoso. Desta vez, o agora quarteto veio ao país com uma banda de abertura de grandes qualidades, um dos novos nomes do metal, o grupo suíço Burning Witches.

Com pontualidade britânica, às 19h30, as cinco garotas do Burning Witches sobem ao palco do Tork N’ Roll para iniciar um set bastante coeso e enérgico, repleto de riffs bacanas e com o vocal poderoso de Laura Guldemond, que lembra a Doro Pesch em seus melhores momentos. Apesar de estarem divulgando o mais recente disco, The Witch of the North (2021), elas fizeram um repertório bem balanceado, com pelo menos um par de canções de cada um de seus quatro discos de estúdio. Do novo, foram três: a emotiva “Flight of the Valkyries”, o hino “We Stand As One” e a faixa-título, que funcionou muito bem.

Outra que foi feita para ser tocada ao vivo é “We Stand As One”. Quando eu entrevistei Laura, em 2021, na época do lançamento de The Witch of the North, ela já alertou sobre como esta faixa funcionaria em cima dos palcos: “Bom, eu realmente espero que todos queiram cantar ‘We Stand As One’, porque é um hino tão metal, sabe? Percebi quando a escrevi. Não é como se você gritasse as mesmas frases o tempo todo. Então é primeiro o ‘one’, depois é ‘we stand as one’, e então temos um ‘yeah’, então você tem que aprender isso, sabe? ‘we stand as one’ e ‘yeah’. Espero que todos façam isso [risos], espero que as pessoas queiram cantar junto”. A profecia se concretizou.

Bastante carismática e de presença de palco vigorosa, Laura incessantemente chamava o público para participar, mesmo aqueles que não conheciam a banda. O curitibano é meio frio, mas no decorrer do set se empolgou um pouco mais. Mas não tanto. Isto, todavia, não depõe contra o show, afinal, o elemento principal é a música, e nisto, elas são excelentes. Tanto que Marcel Schmier, frontman do Destruction, assistiu o show todo do lado do palco. Bom, ele produziu o mais recente álbum e trabalhou nas gravações de todos os outros, portanto, há também uma amizade entre as bandas. O resultado final do show da Burning Witches foi mais que positivo.

Repertório – Burning Witches

Executed
Wings of Steel
Flight of the Valkyries
We Stand as One
Lucid Nightmare
The Witch of the North
Hexenhammer
Black Widow
Burning Witches

Ainda antes das 21 horas, o Destruction subiu ao palco com a virulenta “Diabolical”, faixa-título do mais recente álbum. Seguiram com o petardo “Death Trap” e a sônica, maldita e gloriosa “Nailed to the Cross”, devastadora como sempre. O público, já entregue ao quarteto, começou a se animar mais a partir destas músicas. Antes de “Born to Perish”, faixa mais recente que funciona muito bem ao vivo, rolou uma batucada do baterista Randy Black no melhor estilo samba. Claro, coisa rápida. A trinca “Mad Butcher”, Life Without Sense” e “Released from Agony” não deixou pedra sobre pedra. Curioso como Schmier cantou usando muito mais vocais guturais, uma maneira inteligente e honesta de se adaptar à idade, afinal, o alemão já está com 55 anos. Mesmo assim, ainda tem muita energia e é possível visualizá-lo no palco por no mínimo mais uns 10 anos.

Falando em Black, o baterista é ótimo, porém fazia muitas viradas similares durante todo o set, o que pode cansar os mais exigentes. A maioria da galera, todavia, nem ligou ou percebeu. Depois de “Mad Butcher”, Schmier tentou mandar um “Vocês são Foda”, mas quase ninguém entendeu. Em outros momentos ele conversou com o pessoal, com aquela velha e moderada simpatia alemã. Durante o set, ele também lembrou da última vinda da banda a Curitiba, em 2013, quando acabou a energia da casa após a primeira música, e a banda teve que fazer o show no dia seguinte. Desta vez, no Tork N’ Roll e com produção da Liberation, ou seja, profissionalismo total em cada detalhe, deu tudo certo, para alívio dos fãs e da própria banda.

Antes de “Tormentor” rolou um breve solo de Black, e antes de “Eternal Ban”, um rápido solo de Damir Eskić, que logo ganhou a companhia do também guitarrista Martin Furia para um breve duelo. Tudo rápido e sucinto, não permitindo baixar a energia. Mais no final, em meio a uma tonelada de clássicos, a nova “Tormented Soul”, mais melódica e até mesmo acessível, soou meio deslocada. Detalhe, entretanto. Em sua atual fase, o Destruction lançou Diabolical (2022) e Born to Perish (2019), melhores que tudo o que haviam feito desde Inventor of Evil (2005). A banda está em forma e é muito bom ainda poder ter a oportunidade de ver o Destruction (ou seja, Schmier) ao vivo.

Certamente o clássico guitarrista Mike Sifringer faz falta, mas mais pela sua presença icônica do que necessariamente por suas habilidades técnicas. Os dois músicos que o substituíram são excelentes, e deixaram o som mais coeso, criando uma parede sonora impenetrável nos emaranhados de riffs que constituem a obra do Destruction.

Repertório – Destruction

Diabolical
Death Trap
Nailed to the Cross
Born to Perish
Mad Butcher
Life Without Sense
Release From Agony
Repent Your Sins
Tormentor
Eternal Ban
The Butcher Strikes Back
Tormented Soul
Total Desaster
Curse The Gods
Thrash Till Death
Bestial Invasion

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