Belphegor – The Devils
por Clovis Roman
O Belphegor é uma das mais sólidas e malditas bandas de death/black metal do mundo. Com uma discografia sem erros, os austríacos nunca desapontam, e The Devils mantém esta tradição. Musicalmente eles podem estar um pouco mais cadenciados, mas ainda há verdadeiros hinos de invocação diabólica, como “Totentanz – Dance Macabre”, não a toa, uma das que saiu do acrílico para os palcos na atual turnê. A produção do famoso Jens Bogren deu uma polida considerável no som, mas graças a Satanás, nada muito exagerado. O Belphegor ainda é uma metralhadora incessante de blasfêmias anticristãs.
A desgraça sonora é efetiva até mesmo em sons mais lentos como “Glorifizierung des Teufels”, “Creatures of Fire” ou a faixa-título, pois o peso ganha evidência nesta configuração. A coisa toma ares ecumênicos com “Virtus Asinaria – Prayer”. Esta música usa os mesmos versos já cantados em outras duas músicas do Belphegor: “Festum Asinorum / Chapter 2”, do álbum Goatreich – Fleshcult (2005) e “Chants For The Devil 1533”, do Pestapokalypse VI (2006). Aqui, o andamento é bem mais lento que suas antecessoras. Seja como for, entoar o cântico negro “Aurum de Arabia, Thus et Myrrham. Tulit in ecclesia, Virtus Asinaria. Orientis partibus, Adventavit Asinus. Pulcher et fortissimus, Virus Asinaria” é sempre um deleite.
Falando em fórmula, a do Belphegor já é bem conhecida dos seus seguidores, e mesmo assim ainda impressiona como os caras destilam toneladas de riffs caóticos, melodicos e brutais com uma qualidade acima da média. O trampo de guitarra em “Damnation – Höllensturz” é simplesmente alucinante, somado a breves corais macabros. A caótica “Kingdom of Cold Flesh” também se destaca nesta sessão.
A versão brasileira conta como bônus com “Blackest Sabbath 1997”, medley de “Blackest Ecstasy” e “Blutsabbath”, ambas do álbum Blutsabbath (1997). Estas releituras dão nova vida para estes dois artefatos, afinal as originais tem qualidade risível, e aqui, tudo é nítido e ríspido na medida. Com esta, o CD fica com cerca de 42 minutos de duração. Não precisa encher o disco com música até a tampa, basta entregar um punhado de composições fortes. Foi exatamente o que o Belphegor fez em The Devils.
A capa foi desenvolvida por Seth Siro Anton (Septicflesh, Nile, Paradise Lost), cuja identidade visual é reconhecível de imediato. A embalagem da edição nacional pela Shinigami Records vem em um digipack, que inclui uma parte traseira para quem quiser condicionar o CD em uma caixa convencional de acrílico. Por fim, o Belphegor está mais refinado, mais ainda letal e diabólico.
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Músicas
- The Devils
- Totentanz – Dance Macabre
- Glorifizierung des Teufels
- Damnation – Höllensturz
- Virtus Asinaria – Prayer
- Kingdom of Cold Flesh
- Ritus Incendium Diabolus
- Creature of Fire
- Blackest Sabbath 1997

