[Cobertura] Witchtrap encabeça noite de celebração ao Metal no John Bull Pub

Witchtrap, Flageladör, Culpado, Murdeath
02 de outubro de 2022
John Bull Pub
Curitiba/PR

Por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

O Witchtrap é uma banda colombiana de metal que aposta em letras sobre metal, capeta e loucuragens em geral. São trinta anos de estrada e cinco álbuns de estúdio, e agora os brasileiros puderam conferir o poder de fogo dos nossos vizinhos, em uma turnê que passou por Curitiba no domingo, dia de votação, 02 de outubro.

O palco escolhido foi o John Bull Pub, que recebeu um público acanhado, mas empolgado. Isto ficou evidente logo na primeira banda da noite, o glorioso Murdeath, que fez o último show da carreira. Eles recém anunciaram que darão uma parada sem prazo para retornar, o que é lamentável. O jeito foi aproveitar o momento, um setlist curto, mas letal. Sem o baixista Luan “Slaughtrazör” (ex-Poison Beer), contaram com Armando Exekutor, do Flageladör, nas quatro cordas.

Do debut Sob o Signo… foram quatro músicas, com destaque para as infernais “Guerreiros do Anticristo” (refrão fantástico) e “Quebre as Correntes”, que fechou o repertório. Do último EP, Sacrilégio, destaque para a fabulosa “Noite de Santa Valburga”. Sacrilégio mesmo foi o Murdeath tocar tão pouco tempo. Foi o último capítulo de uma história escrita com sangue.

Murdeath (foto: Clovis Roman).

Repertório – Murdeath
Inquisição
Presságio do Mal
Possessão
Noite de Santa Valburga
O Convidado
Guerreiros do Anticristo
Quebre as Correntes

Se o sangue escreveu o epílogo da história do Murdeath, o mesmo líquido viscoso e símbolo do metal foi o tinteiro que deu cor as letras que formam o prólogo do Cülpado, nascido como uma one-man-band liderada pelo multi-instrumentista Jeff Verdani (Axecuter, Murdeath, Jailor, Sad Theory, Ambush e tantas outras). Conhecido como exímio baterista, no CD de estreia, Romper da Realidade, o cara gravou tudo, e ao trazer o projeto aos holofotes dos palcos, apostou no contrabaixo e no vocal.

Para tornar o Cülpado uma banda de fato, trouxe Kevin Vieira (Exylle, Repudiyo) para as guitarras e Allan Carvalho para a bateria. O trio botou fogo no palco com músicas técnicas, cheias de partes e ódio, amplificado pelas letras baseadas em assassinatos brutais. Sons como “Romper da Realidade” e Loucuras a Dois” (que Verdani explicou não ter nada a ver com aquilo que você está pensando) soaram como tijoladas na cara. Um deleite banhado daquele mesmo sangue citado anteriormente. A estreia ao vivo teve saldo final para lá de positivo. O público assistiu mais atento que agitando, mas a experiência como um todo foi irrepreensível.

Cülpado estreando ao vivo (foto: Clovis Roman).

Repertório – Cülpado
Romper da Realidade
Mato por Prazer
Maníaco Maldito
Picadinho
Canibais de Garanhuns
Cortejo Fúnebre
Loucura a Dois
Pipoca, Sangue e Pólvora

Fechando o bloco brasileiro da noite, o Flageladör, uma banda que particularmente nunca havia chamado minha atenção. Nesta noite chamou, e muito. O Flageladör, inclusive, é outro nome que tem o líquido vermelho, viscoso, que circula nas artérias e veias bombeado pelo coração, como mote. Afinal, os caras têm em sua discografia um disco intitulado Obcecado por Sangue!

Em algumas canções, o guitarrista e vocalista Armando Exekutor urrava um “666”, e isto era o estopim para cervejas começarem a voar e cabelos a esvoaçar. Alguns mais afoitos subiam ao palco para urrar alguns versos e depois dar aquele mosh desengonçado em cima dos amigos.

Não tinha como ser diferente em frente a sons furiosos e com títulos geniais como “Máxima Voltagem”, “Assalto da Motosserra”, “Missão Metal”, “Queimando nas Chamas do Heavy Metal” ou a mais nova “Ao Vivo no Inferno” (seria uma referência ao Raven?). A apresentação mostrou que os curitibanos certamente têm uma predileção pelo macabro. Memorável, uma verdadeira aula de heavy metal.

Flagelador e um fã inconsequente (foto: Clovis Roman).

O Witchtrap fez um belo apanhado de sua discografia, tocando algumas coisas novas. Do último CD, Evil Strikes Again, foram três: “Death to False Metal”, “Evil Strikes Again” e “Midnight Rites”. O álbum mais lembrado foi No Anesthesia, de 2006, que teve nada menos que cinco faixas executadas: “B.L.M.D.”, “Disturbing the Dead”, “Heavy Drinker”, “Metal Army March” e “Riot of the Beast”; mas rolaram faixas de todos os discos.

O show foi brutal, rápido e cheio de energia, e foi quando o público mais pirou, alguns numa boa e outros mais pentelhando os outros do que curtindo. Mas o clima era de paz e tudo foi uma grande celebração. O resultado foram três shows memoráveis das bandas nacionais, tão ou até melhores que a atração internacional. Como o metal não é – ou não deveria ser – uma competição, todos saíram ganhando.

O ponto negativo ficou para a magra presença dos headbangers da cidade. Volta e meia alguns shows em Curitiba lotam, e com isto nos fazem acreditar que nossa cena voltará a ser forte e unida. Ledo engano.

Witchtrap (foto: Clovis Roman).

Repertório – Witchtrap
Midnight Rites
Sorceress Bitch
Winds of War
Disturbing the Dead
Witchtrap
Lemmy
Black Angel
Metal Army March
Death to False Metal
B.L.M.D.
Riot of the Beast
Dead of the Night
Dark Lord
Evil Strikes Again
Heavy Drinker

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