Hypocrisy – Worship
Por Clovis Roman
Foram oito anos de espera desde o brutal End of Disclosure. Neste meio tempo, o dono da banda, Peter Tägtgren, lançou discos com seu projeto eletrônico/industrial Pain e até mesmo gravou um disco com o vocalista do pavoroso Rammstein. Claro, também produziu um sem fim de bandas em seu Abyss Studio, onde, inclusive – e obviamente – gravou seu novo disco com o Hypocrisy. Portanto, a produção aqui é perfeita.
Ao lado de Peter nesta empreitada está o baixista de longa data Mikael Hedlund e o baterista Reidar Horghagen, que deixou o Hypocrisy logo após o disco sair, após quase vinte anos na formação. Quem está atualmente tocando nos shows é Henrik Axelsson.
A faixa-titulo “Worship” abre com uma enxurrada de riffs e blast-beats remetendo ao material clássico dos anos 1990, trazendo outros elementos em seu decorrer. Por sua vez, “Chemical Whore” (escolhida como faixa de trabalho previamente ao lançamento do disco) está mais alinhada com aquilo que a banda fez de melhor na fase em que mergulharam de vez no death metal melodico, principalmente a partir do The Final Chapter, e que é uma característica marcante da obra do grupo. Na mesma linha, porém mais calcada em melodias, vem, mais a frente na tracklist, “We’re the Walking Dead” (com guturais realmente abismais de Peter).
Depois de uma faixa extrema e outra com ares apocalípticos, “Greedy Bastards” é cadenciada, com versos mais ríspidos e trampo de guitarra pesadíssimo e com elementos melodicos no grandioso refrão. Com uma sonoridade mais moderna, “Dead World” traz partes que poderiam muito bem ter sido utilizadas no Pain. Todavia, são apenas pinceladas, afinal, o som como um todo é uma paulada pesadíssima, mesmo com as partes em que o baixo domina a cena, criando um ar de espectativa.
As insanas “Brotherhood of the Serpent” e “Bug in the Net” (uma espécie de irmã de “The Final Chapter”) seguem com riffs portentosos, melodia e uma aura bastante obscura. As composições de Tägtgren tem uma característica bastante única, sendo possível reconhecer qual é a banda em poucos segundos, mesmo sem nunca ter ouvido antes determinada música. Um exemplo é a grudenta “Children of the Gray”, com riffs cadenciados e bastante melodicos, como ele já compôs tantas vezes. Vai virar clássico, ainda mais pelo majestoso refrão. Ao vivo, deve ser um ponto alto.
Mantendo a força coerente do álbum, “Another Day” e “They Will Arrive” surgem como petardos repletos de velocidade e vocais primordialmente gritados. O último capítulo da obra, condensando todos os elementos para alicerçar um epílogo de classe, é “Gods of the Underground”, com alguns grunhidos mais regougados e refrão intenso.
Além da massa sonora irretocável, Worship tem uma capa simplesmente encantadora, criada pelo artista Blake Armstrong (Kataklysm, In Flames, etc.), que mostra um contato da humanidade com os extraterrestres, tema tão recorrente nas letras do Hypocrisy.
No final das contas, Tägtgren não viajou muito e apostou em músicas com estruturas dentro da zona que o Hypocrisy domina. As faixas são, em geral, diretas ao ponto, e as 11 deste CD somam 50 minutos, algo relativamente extenso, mas que jamais soa enfadonho ou demasiado. Worship é um álbum que varia faixas rápidas e outras mais lentas e brutais, sempre transbordando melodia, e conquista de maneira hipnótica a cada nova audição. Ao apertarmos o play, a satisfação é similar àquela que temos ao reencontrar um velho amigo após anos. Que Worship seja louvado.
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Músicas:
- Worship
- Chemical Whore
- Greedy Bastards
- Dead World
- We’re The Walking Dead
- Brotherhood Of The Serpent
- Children Of The Gray
- Another Day
- They Will Arrive
- Bug In The Net
- Gods Of The Underground

