We Came as Romans – Darkbloom
(Shinigami Records – nacional)
Material gentilmente cedido por Shinigami Records
Por Clovis Roman
Surgido em 2005, o We Came as Romans ganhou grande destaque no cenário metalcore americano com seus dois primeiros álbuns, To Plant a Seed e Understanding What We’ve Grown to Be. O último antes deste Darkbloom foi Cold Like War, de 2017. Deste tempo para cá, muita coisa aconteceu com o grupo: no maior período entre um álbum e outro – foram cinco anos – o vocalista Kyle Pavone faleceu, em 2018, causando incerteza na banda por um momento. O outro vocalista, David Stephens, assumiu também as vozes limpas e o WCAR não parou de trabalhar.
Como explicam no encarte, o grupo decidiu permanecer na ativa para honrar o legado do amigo, compondo músicas que ele certamente gostaria. Esta dedicação certamente agradaria Pavone, afinal, Darkbloom é um disco sólido e bastante impactante. A faixa-título inicia os trabalhos com um crescendo tenso, desembocando em algo cadenciado e com refrão grandioso. Há também partes velozes que dão dinamismo à composição, destacando o trabalho preciso do baterista David Puckett. Outra com cara de single (e de fato foi um dos singles lançados em pregresso ao CD) é “Plagued”, com riffs quebrados, influências do new metal dos anos 1990 e linhas vocais ultra melódicas e pegajosas.
Duas faixas contam com participações especiais. O vocalista do Beartooth, Caleb Shomo surge na densa e eletrônica “Black Hole”, na qual se destacam as partes mais agressivas. O rapper americano Zero 9:36 dá as caras em “Daggers”, que apesar disto, tem como predominância o peso de riffs quebrados e bateria impiedosa; a partes rapeada é totalmente desnecessária dentro do contexto da música. É igual a participação de Ice-T em “Illusion of Power”, do Black Sabbath: Se editar e remover o trecho rap, fica perfeito.
A audição de Darkbloom flui facilmente, pela qualidade da maioria das faixas e pela duração: são cerca de 36 minutos espalhados em uma dezena de faixas, algo bastante palatável. Numa época em que o público tem cada vez mais preguiça de ouvir, apreciar com atenção e assimilar um disco competo, entregar um material com 10 faixas que, no geral, vão direto ao ponto é uma grande sacada.
Se destacam as guitarras prog em “Golden”, apesar dos vocais mais melosos e agudos, que destoam um pouco; e a pegada comovente de “One More Day”, cujos versos são uma referência direta a perda de Pavone: “I always thought that we’d have more time / In the blink of an eye, our world was taken” (“Eu sempre achei que teríamos mais tempo / Em um piscar de olhos, nosso mundo foi subtraído”). A confusa “Doublespeak” quebra o ritmo, por trazer poucas variações e pela ausência de melodia.
Todavia, como toda dor tem seu fim, as coisas voltam aos eixos com a radiofônica “The Anchor”, com momentos delicados e refrão cheio de emoção. Os versos “Since the day that you left / I can’t seem to move on / All the weight that I felt / Will I sink till I’m gone?” (“Desde o dia em que você partiu / Eu não consigo seguir em frente / Todo o peso que eu senti / Vou afundar até que eu vá embora?”) novamente se relaciona com a partida do antigo vocalista, assim como as outras, inclusive. Este é outro fator que saúda e reverencia a memória de Pavone.
Refletindo referências ouvidas nas anteriores, “Holding the Embers” dá continuidade a audição sem maiores surpresas, e “Promise You”, uma balada que pouco acrescenta musicalmente, encerra o álbum. A longa espera valeu a pena, e prova que o We Came as Romans ainda tem um caminho digno pela frente.
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Músicas
- Darkbloom
- Plagued
- Black Hole
- Daggers
- Golden
- One More Day
- Doublespeak
- The Anchor
- Holding The Embers
- Promise You
Foto: Reprodução/iamdarkbloom.com

