[Resenha] The Halo Effect – Days of the Lost

The Halo Effect – Days of the Lost
(Shinigami Records – nacional)

Por Clovis Roman

Este é um álbum que não pode passar batido. Um dos principais motivos é ter Jesper Strömblad, membro original do In Flames, banda que integrou por duas décadas, gravando e compondo desde o debut até o ótimo A Sense of Purpose (2008). Aí você já tem, inclusive, uma dica do som do The Halo Effect. O músico ainda fundou o Hammerfall, onde foi baterista nos primeiros anos, saindo antes do lançamento do disco de estreia, Glory to the Brave. Mas o rastro dele perdurou até Renegade afinal, há várias composições dele nestes discos iniciais do Hammerfall. Algumas das melhores músicas do grupo sueco tem a mão de Strömblad.

Com este currículo, era de se esperar um material de qualidade, e Days of the Lost comprova justamente isto. Ao lado dele, outros músicos de gabarito, como Mikael Stanne, que também esteve nos primórdios do In Flames e construiu seu nome no cenário metal como vocalista do Dark Tranquility. Completam o time o guitarrista Niclas Engelin, o baixista Peter Iwers e o baterista Daniel Svensson. Sabe o que estes três tem em comum? Todos eles também integraram, por longos períodos, o In Flames.

O mais curioso deste disco de estreia do The Halo Effect é que ele supre os fãs do In Flames, aquela banda outrora fantástica, sem parecer um clone. As composições usam de referências musicais que coadunam com aquele grupo, todavia tem uma característica própria e moderna ao mesmo tempo. Com refrãos fáceis e muita melodia, a abertura com “Shadowminds” deixa evidente a pegada musical. Então vem a faixa-título, “Days of the Lost”, cuja intro lembra muito o In Flames do final dos anos 1990 e do Clayman. Só que, aqui, soma-se a experiência que eles adquiriram ao longo das décadas.

O single “The Needless End” é igualmente melódico, com ótimos ganchos, enquanto “Conditional” tem momentos mais amenos na introdução, e depois um clima mais denso, mas sem perder a linha do gothenburg sound que eles mesmos ajudaram a forjar. Mais ou menos na mesma pegada segue “Gateways”, a primeira composição da banda, e “In Broken Trust”.

Uma bela intro com violino e violoncelo marca “Last of our Kind”, que tem a participação especial do talentoso Matt Heafy (Trivium e Ibaraki). Mais vibrante e com peso moderado, é um dos highlights do disco. Seguindo os padrões do metal sueco, “A Truth Worth Lying For” e “Feel What I Believe” são outras que nos remete àquele In Flames brilhante de décadas atrás, com bons vocais limpos e fortes linhas de guitarra.

Leia nossa resenha do álbum do Ibaraki, aqui.

A sensação é de que estamos ouvindo o disco há pouco mais de dez minutos, mas o fato é que “The Most Alone” é a saideira. Com um ritmo pulsante, com baixo e bateria sendo protagonistas no momento dos versos, a faixa mantém o nível alto estabelecido até então, mesmo sendo um tanto mais básica.

São dez faixas em quarenta minutos de música. Não temos aqui épicos grandiosos ou tentativas de inovar. Os músicos, unidos pela afinidade que desenvolveram durante todos estes anos, entregam um material coeso, direto ao ponto e bastante melódico. Há momentos grudentos em profusão, indo de riffs à linhas vocais cativantes. Este é um dos melhores lançamentos de um ano que teve muita coisa boa dentro do metal e suas inúmeras ramificações.

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Músicas

  1. Shadowminds
  2. Days Of The Lost
  3. The Needless End
  4. Conditional
  5. In Broken Trust
  6. Gateways
  7. A Truth Worth Lying For
  8. Feel What I Believe
  9. Last Of Our Kind
  10. The Most Alone

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