[Cobertura] Landfall lança segundo álbum com show impecável no Crossroads

Landfall
16 de dezembro de 2022
Crossroads
Curitiba/PR

A banda de hard rock Landfall é uma das mais importantes do cenário nacional na atualidade. Com um contrato com a gravadora italiana Frontiers Records, estão lançando o segundo álbum por esta parceria, chamado Elevate. O som polido, mas enérgico na medida, apresentado no debut The Turning Point ganhou um polimento extra, resultando em uma das melhores obras deste ano.

O show de lançamento de Elevate rolou na cidade natal do quarteto, Curitiba, no Crossroads, casa conhecida dos veteranos músicos. Pouco antes das 22 horas, Felipe Souzza (bateria), Thiago Forbeci (baixo), Marcelo Gelbcke (guitarra) e Gui Oliver (vocal) sobem ao palco intimista da casa, com o jogo ganho.

Se havia algum desavisado ainda inerte, a abertura com a vibrante “Never Surrender” deu fim a desconfiança. Logo, emendaram com “Taxi Driver”, do disco anterior, outra música que esbanja classe, que ressoa o que há de melhor no melodic rock e aor. Com algo de progressivo mais presente no som, “Rescue Me” é mais moderada, com belas melodias e arranjos.

Presentes nos últimos shows da banda que assisti, as novas “Waterfall” (uma verdadeira pérola), “Two Strangers” e a faixa-título “Elevate” (com cara de hit) evidenciam o bom gosto em todos os detalhes na composição das músicas da Landfall. Entre as novidades que foram tocadas ao vivo pela primeira vez nesta noite, estão a ouroverdense (esta referência é para quem reside em Curitiba) “Heroes are Forever” (que mesmo assim, ganhou vibração ao vivo), a acelerada e intrincada “Shadows of Love” (ao contrário do que o título poderia sugerir, afinal, este nome é de balada bem açucarada) e “H.O.P.E.”, mais cadenciada, com ótimas linhas vocais e cheia de momentos bastante técnicos. Instrumentalmente, todos aqui estão acima de qualquer suspeita, enquanto o vocalista Gui Oliver esbanja a qualidade de quem tem décadas de experiência. Desde os tempos de Sabre ele chamou atenção por seu timbre e interpretação únicos.

Das 12 músicas apresentadas, oito vieram de Elevate, e as demais quatro, do The Turning Point. Uma delas, “Road of Dreams”, tem andamento moderado e melodia até não querer mais, incluindo um coro que chega a remeter ao Coldplay. Uma das mais antigas, “Rush Hour”, veio para encerrar o setlist, com versos que grudam imediatamente na cabeça e muita energia, com um trampo fantástico de guitarra de Gelbcke e a cozinha azeitada de Forbeci e Souzza dando liga à receita. É um clássico. A apresentação durou um pouco mais de uma hora, com pouco papo e muita música de extrema qualidade.

Encerrar o ano de shows de rock assistindo a esta banda que reluz como um diamante transbordando feixes de luz, é formidável. O Landfall apresenta um nível de profissionalismo e maturidade musical absurdos, e Elevate chega para sacramentar ainda mais o nome do grupo entre os mais importantes e relevantes do cenário do hard rock. Ainda há, para mim, um fator afetivo extra, pois acompanho o grupo desde, literalmente, o começo. Quando eles conversavam, ainda jovens, sobre formar uma banda do estilo, eu estava com eles. Por mais que eu conhecesse o talento já latente destes músicos, vê-los construir este rico legado musical é gratificante demais. De lá para cá, rolaram mudanças de formação e até de nome (antes, eram a Wild Child, e depois, W.I.L.D.), mas a determinação nunca saiu do páreo. O retorno está aí, com o soberbo Elevate.

Repertório

Never Surrender
Taxi Driver
Rescue Me
Heroes Are Forever
Shadows of Love
Waterfall
Sound of the City
H.O.P.E
Road of Dreams
Two Strangers
Elevate
Rush Hour

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