[Resenha] The Ogre – Aeon Zero

The Ogre – Aeon Zero
(independente – nacional)

Por Clovis Roman

Das cinzas do Faces of Madness, oriundo dos anos 1990 e que deixou dois álbuns de estúdio lançados, surgiu o The Ogre, capitaneado pelo multi-instrumentista Diogo Marins. Estreando em 2015 com Idol Icon Black, a one-man-band chegou em 2021 ao seu quatro álbum completo de estúdio, Aeon Zero, que mostra um aprimoramento nas composições, e em menor escala, na qualidade de gravação.

O músico, além de tocar todos os instrumentos ouvidos em Aeon Zero, também cuidou da produção. A sonoridade é baseada no death metal, mas há referências ao black e ao heavy metal, enquanto os vocais se alinham, em muitos momentos, com o thrash metal.

A certeira “We Ride With Demons” coloca as cartas na mesa, sem enrolações. O som forte, com partes bem encaixadas e refrão simples e impactante deixam claro o que ouviremos no decorrer do CD. Como de costume, há uma faixa como um interlúdio, no caso, “Polybius”, com uma bela melodia, que lembra o clima soturno do álbum The X Factor, do Iron Maiden. Em todos os discos do The Ogre, a segunda faixa é um entreato instrumental, e aqui ele mantém a tradição. Com arranjos incomuns e agressividade, “Crawling Chaos Underground” retoma o peso após uma breve passagem por terrenos mais tranquilos. A faixa tem momentos que remetem ao caos do incompreendido Heretic, do Morbid Angel, principalmente em alguns versos.

Cheia de ódio, tanto liricamente quanto musicalmente, “The Horrible” critica os seres humanos patéticos, envolta na sonoridade caótica e veloz do death metal, com riffs velozes ganhando protagonismo. Apenas a breve intro, soando um tanto confusa, é um ponto menos memorável, de resto, ótima composição. Após um momento mais eletrônico no início (e que voltam a aparecer nos mais de sete minutos da composição), “Datadeity” enfileira momentos instrumentais bastante coesos, que poderiam até mesmo serem desdobrados em outras canções. As músicas são, em geral, bastante extensas, beirando os seis minutos de duração, em média.

Mais objetiva, “Forgotten Mills” desponta como um dos grandes momentos da audição, enquanto “Neon Sun” dá uma freada no ritmo, sendo levada por violões e vozes limpas e um clima um tanto lamurioso. Para encerrar, “The Mountain of the Cannibal God” retoma a vibração metálica , mesmo que tenha consideráveis passagens lentas e cavernosas. As partes mais rápidas, no formato padrão do metal, são as melhores. O solo de guitarra, alicerçado no Iron Maiden, é genial.

Pelo que entendi, Diogo grava tudo em estúdio, todavia, tem outros músicos consigo – Gabriel Salgado (baixo) e Alfredo Carvalho (bateria) – para as apresentações ao vivo, que vem acontecendo em profusão nos últimos tempos. Inclusive, um EP ao vivo está a caminho em 2023.

Músicas
1- We Ride With Demons
2- Polybius
3- Crawling Chaos Underground
4- The Horrible
5- Datadeity
6-Forgotten Mills
7- Mills Neon Sun
8- The Mountain of the Cannibal God

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