In Flames – Foregone
Por Clovis Roman
Queimar a língua, às vezes, é bom. Há pouco tempo, relembrei em outra resenha que o In Flames estava há muitos anos sem lançar um disco realmente forte. Qual não foi minha surpresa quando recebi Foregone, novo petardo dos suecos? Aqui, eles não reinventam a roda, tampouco criaram um emulador dos anos de glória. A grosso modo, o disco reúne todas as sonoridades que caracterizam suas diversas fases, com ênfase em mais elementos melódicos. É o melhor CD do grupo desde, pelo menos, A Sense of Purpose (2008).
A intro bastante extensa, “The Beginning of All Things That Will End” parece abrir caminho para algo grandioso, mas se revela um dedilhado de dois minutos que esfria um pouco o clima, logo reaquecido por “State of Slow Decay”, que remete aquele death metal melódico de outrora nos momentos iniciais e em outras partes específicas. A mescla do passado distante e do não tão distante assim, se faz evidente em “Meet your Maker”, com sonoridades bastante melódicas, principalmente nas guitarras, os teclados característicos e vocais limpos e gritados mesclados. O solo inspirado pincela cores adicionais à canção, uma das melhores do trabalho.
Menos inspiradas, mas suficientemente boas para manter a boa audição do disco, temos “Bleeding Out” e “Pure Light of Mind”, que alterna entre riffs inspirados e melodias bastante acessíveis e vozes demasiadamente limpas, fenômeno similar acontece em “In the Dark”. Há duas partes da faixa-título. A primeira começa bastante agressiva, algo inesperado de uma banda que vinha mostrando sinais de cansaço há tempos. O ritmo acelerado empolga, e daí de muitos celebrarem o disco como um retorno ao passado. Calma, não é pra tanto. Mas que a faixa é espetacular, isto é. A sequência é mais contida, com partes mais limpas, mas igualmente efetiva no instrumental.
Com ar mais denso, “In The Dark” se destaca com trechos pesados e outros alicerçados por vilão e vozes limpas. Mais cadenciadas, “A Dialogue in B-flat Minor” e “Cynosure” mantém a qualidade, com algo menos frenético, mas ainda encorpado. Com uma pitada a mais de agressividade, o CD se encerra com a sugestivamente intitulada “End of Transmission”, com vocais guturais e rasgados surpreendentes. A versão brasileira tem uma bônus, “Become One”, que vai na mesma pegada, e se mostra tão boa que poderia ter entrado na tracklist oficial do trabalho, por ser mais intensa e ter melodias mais evidentes que uma ou outra de Foregone.
Não há como saber até que ponto a entrada de Chris Broderick (Jag Panzer, Nevermore, Megadeth) influenciou em Foregone. Ele não compôs, mas sua presença pode ter contribuído no clima como um todo. Mas o fato inegável é que a banda ganhou um sopro de ar fresco nas composições.
O trabalho não é uma volta aos bons tempos do final dos anos 1990 e começo dos anos 2000. Eles acenaram um pouco mais à sua fase de ouro, sem deixar de lado as demais características que desenvolveram nesses trinta anos de banda. Foregone é bastante inspirado, mas não o ouça como se ele fosse um resgate autêntico do passado. O passado deve ser reverenciado com os antigos CDs, e você pode curtir o atual In Flames com o homogêneo Foregone. Esqueça para sempre o insosso Battles.
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Músicas
- The Beginning of All Things That Will End
- State of Slow Decay
- Meet Your Maker
- Bleeding Out
- Foregone, Pt. 1
- Foregone, Pt. 2
- Pure Light of Mind
- The Great Deceiver
- In the Dark
- A Dialogue in B Flat Minor
- Cynosure
- End the Transmission
- Become One
Foto: Clovis Roman

