[Resenha] Behemoth – I Love You At Your Darkest

Behemoth – I Love You At Your Darkest
(Shinigami Records/nacional)

Por Clovis Roman

O Behemoth é uma banda com três fases bastante distintas, a grosso modo. O começo black metal tosco deu espaço ao death metal. Nos últimos trabalhos, este aspecto abriu espaço para uma sonoridade mais minimalista, todavia, sem abrir mão da blasfêmia e críticas contundentes a religião e todos os seus símbolos.

Para os mais puristas (ou cabeças -dura, se preferir esse adjetivo), a mudança foi decepcionante. Para quem entende que a música é uma arte mutável, a obra dos poloneses apenas adiconou elementos extras, sem deixar de ser death metal, um rótulo bastante amplo por si só. O 11º álbum dos poloneses, I Love At Your Darkest, saiu originalmente em 2018, e agora ganha relançamento no Brasil pela Shinigami Records (uma parceria com a Nuclear Blast), em versão slipcase, com direito a OBI e uma folha extra com a ilustração da capa. Luxuoso.

Voltando às reviravoltas sonoras do Behemoth: Não tem como negar que “Bartzabel”, por exemplo, é um arrasa-quarteirão, por mais que se apoie em andamentos mais soturnos e lentos e tenha corais com vozes limpas. Ao vivo, a canção ganha contornos ainda mais satânicos. Não a toa, eles a tocam nos shows até hoje. Um dos pontos de destaque do disco é a homogeneidade. Não há momentos extremamente brilhantes, enquanto não há nada de baixa qualidade. Bastante simples, “Sabbath Mater” tem uma aura meio punk, apesar das variações.

A abertura com “Wolves ov Siberia” tem passagens bastante agressivas, enquanto “God=Dog” causa estranheza em um primeiro momento, com uma intro meio grunge, algo que, obviamente, logo é deixado de lado. A arrogante “Havohej Pantocrator” se desenvolve de maneira lenta, nunca chegando a um êxtase. Essa aura obscura e a lenta morbidez fica longe daqueles momentos ancestrais, nos quais blast beats e momentos explosivos eram mais constantes. Em todo caso, o passado continua lá, acessível para quem o preferir. O Behemoth da última década é outra banda, tanto que seguiu este caminho no álbum seguinte (e mais recente), Opvs Contra Natvram.

Relembre nossa cobertura do show do Behemoth em Curitiba.

I Love You At Your Darkest é uma continuação do aclamado The Satanist, algo bastante compreensível, devido ao retorno massivo daquele direcionamento. Visualmente, o Behemoth continua agressivo e majestoso. Musicalmente, oferece algo mais lapidado. Não é um álbum de entrada (Slaves Shall Serve, The Satanist ou Thelema.6 cumprem melhor esta função), mas é um item sólido de uma discografia que ainda não errou feio, no máximo, deu umas escorregadas. Neste CD, a única coisa que não desce são os coros com vozes infantis, que surgem numa frequência sonora irritante, como na introdução “Solve” ou em “God=Dog”. Todavia, são parcos e não baixam a nota do disco.

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Musicas:

  1. Solve
  2. Wolves ov Siberia
  3. God = Dog
  4. Ecclesia Diabolica Catholica
  5. Bartzabel
  6. If Crucifixion Was Not Enough…
  7. Angelvs XIII
  8. Sabbath Mater
  9. Havohej Pantocrator
  10. Rom 5:8
  11. We Are the Next 1000 Years
  12. Coagvla

Foto: Clovis Roman

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