O Skid Row está nas nuvens. Após a saída de Sebastian Bach, em meados dos anos 1990 (e um show com plateia hostil em Curitiba, em 1996, foi um dos pilares da separação), o grupo seguiu na ativa, porém, com bem menos visibilidade. Alguns vocalistas mais tarde, o grupo encontrou em Erik Grönwall a pessoa certa. Com uma voz e carisma únicos, aliada a músicas potentes, que remetem ao trabalho dos primórdios do grupo, lançaram o aclamado The Gang’s All Here, que saiu no Brasil pela Shinigami Records.
Eles voltam ao Brasil em abril, onde tocam no Summer Breeze, em São Paulo, e também em Curitiba, a mesma cidade que os tratou mal há 27 anos. Mas agora os tempos são outros, e a expectativa é de casa cheia. Conversamos com Grönwall sobre esta tour no país e um pouco mais, confira!
Por Clovis Roman
Gostaria de começar perguntando como a música do Skid Row influenciou sua carreira e como surgiu a oportunidade de entrar na banda.
Então, fui apresentado ao Skid Row por um amigo meu no colégio. Tínhamos uma banda juntos e costumávamos ensaiar “18 and Life” e “Youth Gone Wild”. Quando fiz o teste para o Swedish Idol, em 2009, minha música era “18 and Life” e isso meio que se tornou o começo da minha carreira. Essa música me acompanhou durante toda a minha carreira profissional. Ainda tenho pessoas vindo até mim e falando sobre aquela audição, que teve um impacto enorme na minha carreira e estilo de cantar. É uma loucura pensar nisso, já que “18 and Life” também iniciou a carreira do Skid Row.
The Gang’s All Here recebeu uma ótima resposta dos fãs e da imprensa também. Quais são os fatores que você acha que foram essenciais para essa aceitação?
Falando como um fã da banda: Quando eu ouvi as novas músicas, antes mesmo de gravar meus vocais, eu sabia que era algo que os fãs iriam gostar. O disco é um sucesso pois tem aquele som old school do Skid Row que todos os fãs querem, mas também tem um pé em 2023. Sem contar que as músicas são ótimas.
Em relação ao processo de gravação. Quando você chegou, as músicas já estavam escritas? Você contribuiu para criar algumas melodias vocais ou algo assim?
Todas as músicas foram escritas e gravei meus vocais em minha casa, durante cerca de um mês. Embora eu não tenha participado do processo de composição, minha contribuição foi adicionar minhas opiniões. Gosto de hard rock/metal old school, é isso que eu gosto de cantar. Rachel me deu feedbacks via Whatsapp e o produtor, Nick, me ligou algumas vezes e disse: “Quero que você vá mais alto e por mais tempo nessa última nota”. Foi um processo de gravação estranho, já que nunca estivemos na mesma sala. Acabei de fazer minhas coisas aqui no interior da Suécia e volta e meia recebia algumas ligações, quando me pediam para mudar algumas coisas e ou fazer um novo take.
Bem, eu sei que se passaram apenas seis meses desde o lançamento do álbum, mas já há conversas ou planos para um novo álbum de estúdio?
Nada agendado por enquanto, mas começamos a escrever algumas demos juntos. Quando estive na casa de Rachel, nós tivemos muita criatividade rolando.
Seus primeiros shows com a banda foram junto com o Scorpions. Como foi essa turnê e como você percebeu a reação dos fãs à sua apresentação?
Sim, e isso foi apenas seis meses depois do meu transplante de medula óssea. Insano! Eu nem sei como os fãs reagiram àquela performance, mas eu realmente não me importo. Estou feliz por estar nesta banda. Vou fazer minhas coisas até não poder mais, e é isso.
No ano passado, você lançou um álbum com a New Horizon, Gate of the Gods. Você e Jona Tee têm planos de manter esse projeto no futuro?
Adoraríamos, mas acho que será difícil, dado que meu tempo é limitado e estou focado no Skid Row agora. Eu amo trabalhar com Jona, ele é meu melhor amigo.
Você deixou o HEAT em 2020, e Kenny Leckremo voltou para a banda, que no ano passado lançou Force Majeure. Você já ouviu este álbum e, se sim, o que achou?
Os caras enviaram o master para mim antes de ser lançado, e eu adorei. O H.E.A.T sabe como voltar mais forte que nunca a cada revés. Eu amo os caras e juro para você, sou o maior fã do H.E.A.T que existe.
Sobre os shows no Brasil, como vocês vão preparar o setlist do Skid Row? Em Curitiba, vocês tocarão como headliners, junto com o The Winery Dogs. Teremos um setlist maior para esse show?
Normalmente é assim que funciona, sim. Costumamos tocar 75 minutos quando somos a atração principal, o que nos dá tempo de apresentar mais alguns clássicos para vocês.
E sobre o Summer Breeze Brasil, quais são as expectativas para tocar em um grande festival no Brasil? A propósito, esta será sua primeira vez no Brasil?
Ah sim, esta é a minha primeira vez no Brasil. Desde que entrei no H.E.A.T em 2010, tenho visto comentários como “Venha para o Brasil, venha para o Brasil!” e eu pensava: “Se temos todas essas pessoas que querem que a gente vá tocar lá, por que não estamos recebendo nenhuma oferta dos promotores?!” Agora, 13 anos depois, finalmente chegou a hora!! Tenho ouvido coisas boas sobre os fãs de rock brasileiros. Nos mostrem do que são capazes!
Nos setlists da banda hoje em dia, músicas novas são tocadas, além de clássicos do debut autointitulado e de Slave to the Grind, claro. Vocês já chegaram a cogitar tocar alguma coisa do álbum Subhuman Race em algum momento, talvez “My Enemy” ou “Eileen”, por exemplo?
Conversamos sobre adicionar algumas músicas de Subhuman Race e Thickskin, mas fica cada vez mais difícil escolher as músicas. O catálogo fica maior, mas a duração do set continua a mesma!
Existe uma música do Skid Row que você gostaria de cantar ao vivo, mas ainda não teve a chance?
Eu gostaria de tentar a “Wasted Time”, e também uma das novas, “Hell or High Water”.
Deixe uma mensagem para os fãs brasileiros:
Finalmente estou chegando ao Brasil! Venham curtir conosco e nos mostrar o poder brasileiro!!!
Informações sobre os shows:
Curitiba
São Paulo/Summer Breeze


Foto: Reprodução/Capa do CD The Gang’s All Here

Um comentário em “[Entrevista] Skid Row: Vocalista Erik Grönwall fala da atual fase da banda e ansiedade pelos shows no Brasil”