Tim ‘Ripper’ Owens é figurinha carimbada no Brasil. Dessa vez, ele vem ao país ao lado do lendário Udo Dirkschneider, com shows que celebrarão o legado do Judas Priest e do Accept, suas antigas bandas. Eles passam por São Paulo dia 23 de abril e Curitiba, dia 26, entre outras datas na América do Sul.
Conversamos com Ripper para falar de sua carreira, passado e futuro, e claro, sobre as apresentações em nosso país.
Por Clovis Roman
Conte-nos sobre como é fazer uma nova turnê com o Udo e quais são suas expectativas para essa turnê no Brasil:
Udo e eu somos amigos e fizemos algumas coisas juntos no passado. É sempre bom viajar com ele. Ele sempre soa ótimo e nós nos damos muito bem e nos divertimos muito. Estou realmente ansioso para fazer esta turnê. Já faz um tempo, e a última vez que fizemos shows no Brasil foi ótimo.
Em relação ao set list, você apresentará apenas músicas do Judas Priest. Como será a divisão entre as músicas que você gravou e as músicas registradas por Rob Halford?
Farei umas três músicas da minha época e algumas clássicas. Será um pouco diferente do setlist regular que costumo apresentar. Normalmente eu toco Iced Earth e algumas coisas, então agora é um pouco diferente. Farei de tudo para torná-lo um set divertido.
Há alguma chance de ouvirmos “Cathedral Spires” dessa vez? Ou esta não é a tour certa para isso?
Creio que esta seria uma coisa mais indicada para uma turnê solo. Sendo a atual turnê uma exceção, focada no Judas Priest, tem que ser um pouco diferente. Creio que se eu voltar em outra turnê solo, seria muito bom tocar “Cathedral Spires”. Já apresentei ela ao vivo antes e seria bom fazê-lo novamente. Só acho que agora não seja o show certo para cantá-la.
Vamos falar um pouco sobre sua carreira em geral. Entre tantos bons álbuns gravados por você, há os três do Charred Walls of the Damned, entre 2010 e 2016. Desde então, não ouvimos mais falar sobre a banda. Há algum plano futuro ou a banda encerrou as atividades de vez?
Não sei, imagino que Richard queira fazer outro em algum momento, mas todos nós estivemos ocupados. Quer dizer, eu tenho lançado muitos discos, com o A New Revenge, Spirits of Fire, KK’s Priest, o meu EP solo que acabou de sair, então tenho estado muito ocupado. Creio que seja apenas uma questão de encontrar o momento certo para fazê-lo.
Antes do Judas Priest, você estava no Winters Bane, com o qual gravamos o excelente Heart of a Killer. Você mantém contato com Lou St. Paul (líder da banda) hoje em dia ou até mesmo conversa com ele para fazer alguma coisa, um show ou algo do tipo?
Eu realmente não tenho muito, quero dizer, conversamos de vez em quando. Há alguns anos conversamos sobre fazer uma prequela, mas definitivamente não tínhamos o interesse das gravadoras. Pensando bem, seria uma boa oportunidade e financeiramente viável? Bem, provavelmente não temos interessados nisso. Mas seria legal fazer algo assim algum dia.
Aliás, você chegou a cantar “Heart of a Killer” em alguns de seus shows solo, certo?
Eventualmente apresentamos ela, antigamente fazíamos mais. É engraçado, pois você via que muitas pessoas não conheciam a música, então às vezes não funcionava tão bem assim. Mas ela é sempre divertida e quem sabe eu a resgate no setlist em algum momento.
Como você disse, você lançou recentemente seu último EP, Return to the Death Row. Nos explique por que há essa referência no título a “Death Row”, do Jugulator (primeiro álbum de Ripper com o Judas Priest, 1997).
Sabíamos que o 25º aniversário do Jugulator estava chegando e Jamey Jasta falava “nós temos que capitalizar isso, fazer algo pesado e voltar às raízes do que você faz e sempre fez. Então foi uma espécie de homenagem ao aniversário do Jugulator. Uma das primeiras músicas que trabalhamos no EP foi “Return to Death Row”, nela há uma parte no meio que fica mais lenta, e tem o cara andando, e isto é uma conexão direta com a música (no caso, “Death Row, do Judas Priest, 1997).
Você gravou o videoclipe da faixa “Embattled” no Manifesto Bar, em São Paulo. De onde surgiu essa ideia e porque o Brasil para registrar essas cenas?
Foi apenas o momento certo. Havia acabado de gravar a música e fui embora. Então Jamey Jasta ligou e disse que havia um cinegrafista brasileiro, que havia feito Megadeth e várias coisa, então tudo se encaixou. Na verdade, eu mal conhecia a música, e de repente eu estava lá gravando um vídeo. Expliquei para a banda ‘eu tenho que gravar um vídeo, então vocês podem apenas ficar no fundo e agir como se estivesse tocando?’. Tocamos a música no sistema de som da casa, para o público ouvi-la, e usei uma sala no andar superior do Manifesto para fazer as minhas cenas em close. Foi muito legal e o resultado ficou bacana. Eu amo o Manifesto, lá foi um dos primeiros lugares que eu toquei fazendo coisas solo. Eles me convidaram para este show solo, que foi um dos primeiros da minha carreira. Foi fantástico, adoro aquele lugar.
Na letra dessa mesma música, você canta: “what you don’t defend you’ve been taking away” (o que você não defende é tirado de você). Qual sua inspiração e mensagem com esses versos e letra em geral?
É exatamente isto, e você pode aplicar isto para a música. Se você não a defender, ela será levada embora, como tem sido, até certo ponto, com o download gratuito de música, muito foi tirado [dos artistas]. Há bandas que você não adquire mais tantas coisas quanto antes, é nesse sentido. É assim na vida também: você tem que defender seus direitos, suas crenças, seja o que for. Você tem que defender tudo aquilo que você acredita.
Há cerca de cinco anos, você gravou os vocais principais para o álbum Gazing at Medusa, do Tourniquet. Como você conheceu o grupo e começou a trabalhar com Ted Kirkpatrick. Como é gravar com uma banda relacionada à cena do white metal. Esse tipo de coisa importa para você, ou tudo é apenas música?
Para ser honesto, para mim, é apenas música. Ted, um cara maravilhoso e muito talentoso, que descanse em paz, me procurou e perguntou se eu queria fazer os vocais. Naquele momento, eu nem sabia que eram uma banda religiosa. De repente, comecei a cantar uma letra e eu: ‘espera um minuto…’ [risos]. Eu acredito na música. Canto todos os tipos de letras, que não necessariamente me atingem, seja sobre monstros do metal, eu faço isso apenas para os fãs de heavy metal ou, sabe, vampiros ou zumbis. Algo ótimo em ser um músico é poder cantar sobre qualquer coisa e ainda assim ser apaixonado por isso. Amei fazer esse álbum, foi muito divertido. Sempre falava ao Ted que, se eu fizesse de novo, eu queria cantar as partes pesadas e agressivas também.
Há planos para um novo álbum do KK’s Priest?
Claro! Estamos nos estágios finais de mixagem e está soando fantástico. Acho que é mais pesado que o primeiro e que soa melhor, é realmente muito bom, as pessoas vão adorar. O plano é tentar fazer uma turnê extensa com esses dois discos. Estamos fazendo isso em etapas e esperamos lançar o álbum e fazer algumas turnês.
Você disse que vai ser mais pesado que o primeiro. Não acredito que saia algo tão ou mais pesado que “Hellfire Thunderbolt”, por exemplo.
Eu quis dizer em um sentido mais amplo ele é mais pesado, e acho que os vocais estão um pouco mais ousados, as guitarras soam brutas. Há mais algumas músicas mais rápidas e sinto essa dose extra de peso. E com certeza é difícil ficar mais pesado, mais metal, que a “Hellfire Thunderbolt”.
Quais são suas músicas favoritas do Jugulator e do Demolition?
Do Demolition eu gosto de “One on One” e “Hell is Home”, são duas das minhas favoritas e elas sempre estão no meu setlist. Do Jugulator, provavelmente “Blood Stained” e “Jugulator”, a faixa-título. Quando comecei a tocá-la ao vivo, ficou ótima, e é perfeita para abrir um show.
Legal que tanto Jugulator quanto Hellfire Thunderbolt são bastante pesadas e agressivas!
Sim! “Jugulator” é excelente e é sempre divertido cantá-la.
Se você pudesse escolher qualquer banda para ser o vocalista por uma noite ou uma turnê, qual você escolheria?
Eu provavelmente escolheria o Black Sabbath, porque eu amo Iommi e Geezer, o jeito deles tocarem. É o estilo que eu sempre quis cantar. Compor coisas junto deles, é tudo que eu quero. Imagina escrever músicas com Tony e Geezer?
Tim, muito obrigado pelo seu tempo. Deixe uma mensagem para seus fãs no Brasil convidando-os para os shows em São Paulo e Curitiba:
Olá, Brasil! Tim Ripper Owens aqui. Estou indo ao Brasil em abril, com o Udo. Venham todos para os shows, vocês podem conferir todas as informações em minhas redes sociais e meu website, nos quais você pode obter todas as datas de todos os lugares que iremos. Venham ver Udo e Ripper arrasando pelo Brasil. Obrigado!
Informações sobre os shows:
Curitiba
São Paulo
Fotos: todas por Clovis Roman



