[Cobertura] Helloween: Os sete elementos chave do power metal em Curitiba

Helloween
21 de abril de 2023
Live Curitiba
Curitiba/PR

Por Clovis Roman

Há alguns anos, sonhar com as voltas do vocalista Michael Kiske (foto de capa) e do guitarrista Kai Hansen era apenas um devaneio. Todavia, a reunião rolou, os caras lançaram um single e depois, um álbum completo, e encontraram aqui dezenas de milhares de fãs dispostos a vê-los em ação. Desde a primeira turnê de reunião, foram quinze shows no Brasil, dos quais presenciei sete. Pela primeira vez, Curitiba entrou na rota do agora septeto. The game is on!

A Live Curitiba transbordou de gente, afinal, além da expectativa de muitos ali em ver Kiske e Hansen de volta, a cidade não via o grupo alemão Helloween há 12 anos. Considerando que a cidade era meio que rota obrigatória deles em meados dos anos 1990 e até o fim da primeira década do atual milênio, esse foi um hiato foi um punhado de dor.

Kai Hansen (foto: Clovis Roman)

Com um palco belíssimo, e um pouco mais simples que em turnês anteriores (na capital paranaense, a passarela foi reduzida a um pequeno avanço em relação a linha final do palco), o septeto inicia o antológico concerto com “Skyfall”, épico que funcionou como fosse um dos antigos clássicos, e trouxe Kiske e o outro vocalista, Andi Deris, um em cada lado do palco, alternando suas partes harmoniosamente.

Michael Weikath (foto: Clovis Roman)

Com direito a explosão de serpentinas, “Eagle Fly Free” foi a primeira dos dois Keeper of the Seven Keys (álbuns clássicos dos anos 1980) a ser apresentada, com Kiske nos vocais e o baixista Markus Grosskopf brilhando em seu breve solo. Deris voltou para a seguinte, a simpática “Mass Pollution”, que parece ter sido composta na medida para funcionar ao vivo. Funcionou, ganhando força com leves camadas de teclado e vocais de apoio pré-gravados – a mixagem do som, apenas aceitável, acabou evidenciando alguns detalhes que não costumamos ouvir com tanta clareza em outros shows do Helloween.

Andi Deris (foto: Clovis Roman)

Provavelmente o hit mais amplo da carreira, no que tange a exposição ao grande público, “Power” foi um estrondo (e apreciar as linhas geniais de baixo de Grosskopf foi um deleite), ainda mais pelo fato de não ter rolado muita firula para interação com a galera (quem ouviu o High Live sabe do que estou falando). Sua antecessora, outra colossal, “Future World” foi uma celebração. Para os fãs mais “true metal”, a paulada “Save Us” – cantada por Kiske – levou jovens e velhos às lágrimas, tamanha força e nostalgia.

Sascha Gerstner (foto: Clovis Roman)

Andi Deris, como um bom anfitrião, volta ao palco e então introduz Hansen, convidando-o ao centro do palco. Os mais atentos se ligaram: era hora do medley de canções jurássicas do debut Walls of Jericho e/ou do EP homônimo, Helloween – ambos de 1985.  O bloco começou com “Metal Invaders”, com Hansen até mesmo um pouco sem jeito apenas com o microfone em punho. Em “Victim of Fate”, ele resgata sua guitarra e dá sequência, cantando e tocando, as igualmente cruas e ríspidas “Gorgar” (que tem um dos refrães mais bestas do mundo) e “Ride the Sky”. O momento de celebrar a linha de frente dos primórdios –  além de Hansen e Markus, o guitarrista e membro original Michael Weikath estava no palco, completando assim a linha de frente original que gravou os dois registros supracitados – acabou com “Heavy Metal (Is the Law)”, apresentada em sua totalidade. Impossível ouvir esse hino e não cantar junto “Heavy Metal can’t be beaten by any dynasty, We’re all wizards fightin’ with our spell”.

Markus Grosskopf (foto: Clovis Roman)

Depois desses vinte minutos vibrantes, duas baladas deram uma diminuída substancial no ritmo, todavia, com muita classe. “Forever and One (Neverland)” foi cantada por Kiske e Deris, mais uma vez mostrando que esse retorno não foi apenas por dinheiro: eles realmente se dão bem. O single “If I Could Fly” foi cantado em uníssono, logo emendada com um solo de Sascha Gerstner. Cabia uma música a mais ali.

A dançante “Best Time” emanou boas energias à todos e foi uma declaração da banda ao mundo: Estamos em nossa melhor fase. Argumento esse reforçado com os dois clássicos magnânimos que vieram na sequência e encerraram a primeira parte da noite: “Dr. Stein” e “How Many Tears”, que teve Deris e Kiske novamente se revezando nas vozes, além de Hansen, com performances absurdas. Com Kiske ao seu lado, Deris canta de maneira ainda mais efetiva que outrora, quando comandava sozinho os vocais do grupo alemão (tarefa desempenhada com maestria entre 1994 e 2016). Dezesseis músicas (considerando o medley como uma só) pode não parecer algo tão extenso assim, mas tivemos momentos longos como a volta para o bis, com a divertida “Perfect Gentleman” – com Deris a caráter, com fosse o personagem da letra –, essa sim com uma pausa maior para interação da banda com o público, e a épica “Keeper of the Seven Keys”, com seus treze majestosos minutos de variações, climas e arranjos nababescos.

Kai Hansen (foto: Clovis Roman)

Para fechar de vez, “I Want Out”, um petardo direto ao ponto, com refrão grudento e outra faixa que parece apagar da nossa memória, ao menos temporariamente, todos os problemas do mundo externo. Enquanto estamos com o Helloween, todos vivemos “em um mundo repleto de amor”, momentos esses que guardaremos a sete chaves em nossos corações.

Repertório:
Skyfall
Eagle Fly Free
Mass Pollution
Future World
Power
Save Us
Metal Invaders / Victim of Fate / Gorgar / Ride the Sky
Heavy Metal (Is the Law)
Forever and One (Neverland)
If I Could Fly
Best Time
Dr. Stein
How Many Tears
Perfect Gentleman
Keeper of the Seven Keys
I Want Out

Galeria de fotos (atualizada)

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