[Cobertura] Eric Martin mata saudades do público curitibano com show descontraído

Eric Martin, Landfall
12 de abril de 2023
Hard Rock Café
Curitiba/PR

Por Clovis Roman

Na segunda metade da década passada, Eric Martin era figurinha carimbada nos palcos da cidade. Infelizmente, a tradição se quebrou, e desde 2010 o vocalista não dava as caras por aqui. Antes tarde do que nunca. Treze anos mais tarde, a voz do Mr. Big retornou para mais um show memorável, repleto de energia e carisma. Para a abertura, tivemos a Landfall, banda local de alcance internacional, já que seus dois álbuns foram lançados por uma gravadora europeia.

O quarteto curitibano fez um show mais reduzido, e focou no recém-lançado Elevate. Das oito músicas apresentadas, cinco vieram dele, com destaque para “Elevate” e “Two Strangers”, além de “Heroes are Forever”, cuja letra é uma homenagem ao baterista Pat Torpey, que foi colega de Martin por anos no Mr. Big. Do debut, The Turning Point, “Rush Hour” e “Road of Dreams” soaram gigantes. A porção dos que não os conheciam, se rendeu de imediato. Não tem como passar incólume por um show desses caras.

Findando o hiato, Eric Martin sobe ao palco acompanhado da banda Rolls Rock, que merece destaque pela execução de alto nível nos clássicos forjados por Paul Gilbert, Richie Kotzen, Billy Sheehan e Torpey. Abriram com “Gotta Love the Ride”, da fase pós-retorno do Mr. Big. Ela integra o álbum …The Stories We Could Tell (2014), o último que a banda lançou. Dele, também conferimos “Fragile!. Abrir com uma música mais groovada foi certeiro, pois tratou de chamar a atenção da galera, que ao fim dela, estava pronto para ouvir dois mega clássicos: “Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)” e a irresistível “Alive and Kickin’”, com Eric no violão, mesmo que a canção tenha sido tocada em sua versão elétrica regular. Mesmo um tanto constipado, Martin cantou com maestria. O cara é como o vinho. Se a voz é a mesma, a empolgação segue essa pegada. Impressionante como ele interage, se movimenta, faz piadas e brinca com banda e público a todo momento.

A belíssima balada “Superfantastic” é daquelas que a gente canta mesmo sem saber a letra. Quem sabia, entoou junto com o vocalista, os grudentos versos “Superfantastic, everything is beautiful, nothing’s too tragic, when it comes to happy people. Bedtime stories, morning glories, blue skies and the perfect life for you and me”. Depois, a surpresa: “Dancin’ with My Devils”, espetacular no disco e no palco, foi tocada acústica, sem bateria, recebida com devoção pelos fãs, assim como “Take Cover”, na minha modesta opinião, a melhor música do Mr. Big. Ela me lembra a turnê que fiz com Eric Martin em 2008, pois ela sempre era tocada nas passagens de som, em todas as cidades.

Da fase Kotzen, “Shine” foi brilhante, assim como “Addicted to That Rush”, mais para o final do setlist. No meio, muita interação com a plateia e entre os músicos, várias delas por períodos mais extensos que o necessário. Algumas vezes, o despojamento acabou por esfriar o ritmo do show. Por mais que as baladas “Wild World” e “To Be With You” tenham agradado, foi nas músicas mais agitadas que o pessoal vibrou mesmo. O encerramento, acertadamente, veio com duas dessa classe: primeiro, “Green-Tinted Sixties Mind”, e depois, “Colorado Bulldog”. Final em grande estilo de um show com 16 músicas, todas do Mr. Big. Por um lado, tornou a noite uma verdadeira festa nostálgica. Do outro, deixou de lado músicas tão boas quanto, da prolífica carreira de Eric Martin. Para resolver essa questão, é fácil: Basta ele voltar a visitar a cidade regularmente. Dedos cruzados desde já.

Repertório
Gotta Love the Ride
Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)
Alive and Kickin’
Superfantastic
Fragile
Dancin’ with My Devils
Wild World
Take Cover
Shine
Rock & Roll Over
Promise Her the Moon
Electrified
To Be With You
Addicted to That Rush
Green-Tinted Sixties Mind
Colorado Bulldog

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