Skid Row + The Winery Dogs
28 de abril de 2023
Tork N’ Roll
Curitiba/PR
Por Clovis Roman
Outro side-show do Summer Breeze Brasil que veio a Curitiba foi a dobradinha Skid Row e The Winery Dogs. Foi uma correria, pois da casa de shows, fui direto para a rodoviária, rumo a São Paulo, justamente para ir ao referido festival. Gratificante demais poder ver a banda às 23h de uma sexta-feira, e às 16h do sábado. Aqui, falarei do show de Curitiba, mas adianto que na capital paulista, eles foram igualmente soberbos.
A abertura veio com o The Winery Dogs, com um setlist mais enxuto, por serem a banda de abertura. O baixista Billy Sheehan, dessa vez, não ficou de charminho e veio para fazer a turnê – explico: ano passado, ele não veio ao Brasil com o Sons of Apollo pois não queria se vacinar. Sorte nossa, pois apreciar sua técnica ao vivo é formidável. Ao lado dele, estão outros monstros de igual qualidade técnica e artística: Richie Kotzen (vocal e guitarra) e Mike Portnoy (bateria), com currículos que falam por si só. Eu, particularmente, não gosto do som dessa banda e o show não me fez mudar de opinião. Se você gosta, que bom. Curte aí.

O fato de eu não gostar do The Winery Dogs não foi, entretanto, motivo para ficar bocejando durante os 60 minutos de show do trio, pois foquei na parte boa: assistir os músicos focando em suas técnicas. Nisso, não tinha como dar errado. Kotzen é um guitarrista desumano e um sublime vocalista, enquanto Portnoy é um mestre supremo das baquetas, e uma amostra disso foi um breve solo feito antes de “The Other Side”. Outros momentos de instrumental livre permearam a performance, com um primor técnico raramente visto. O debut, auto-intitulado, trouxe cinco das doze músicas do repertório, incluindo a dobradinha final “Desire” e “Elevate”. Ver Kotzen ao vivo é sempre prazeroso.
Repertório – The Winery Dogs
Gaslight
Xanadu
Captain Love
Hot Streak
Time Machine
The Other Side
Stars
I’m No Angel
The Red Wine
Oblivion
Desire
Elevate
O Skid Row voltou a Curitiba com a missão de apagar o fiasco de 1996. Veja bem, não foi culpa da banda. Mas naquele ano, eles tocaram no Monsters of Rock, ao lado de Helloween, Motörhead e Iron Maiden. O público metal, ainda mais débil que hoje em dia, avacalhou a banda, jogando tudo o que podiam no palco. Aquele foi o penúltimo show de Sebastian Bach, pois logo ele saiu, para nunca mais voltar. De lá para cá, passaram por alguns vocalistas, uns bons, outros nem tanto, mas só com a entrada de Erik Grönwall é que a coisa engrenou de vez. Entregaram um disco animal, chamado The Gang’s All Here, fizeram shows grandes e tiveram ótima recepção do público e crítica. Em estado de graça, foram tratados como reis na capital paranaense, apagando de vez aquelas memórias péssimas de outrora.

Sabendo o que deveriam fazer, trataram de mandar, de cara, quatro clássicos inquestionáveis, começando com a porrada “Slave to the Grind”, seguindo com a pérola “The Threat”, a vibrante “Big Guns” e a imortal balada “18 and Life”. Eles entraram com o jogo ganho, mas trataram de tornar a vitória uma goleada sem precedentes. Só então que mandaram uma faixa nova – a primeira de três. “É minha primeira vez na América do Sul, e eu ouvi falar que os fãs brasileiros são os mais loucos do mundo. Quero ver isso essa noite! Essa é do novo álbum, e ela se chama ‘Not Dead Yet’”, anuncia o carismático Erik Grönwall. Os olhos estavam nele o tempo todo, e ele tirou de letra. O vocalista lembra, em algumas passagens, o Sebastian Bach quando esse era jovem, porém, esbanjou personalidade durante todo o set, e agitou muito. Muito mesmo, a ponto de deixar a galera tonta de tanto que ele corre para lá e para cá – até chegou a escalar a estrutura lateral do palco em certa altura –, além de balançar a cabeça freneticamente. Das novas, “Time Bomb” abre pesadíssima e desemboca em um refrão grudento irresistível, e a faixa-título já virou clássico.
O riff irresistível de “Piece of Me” incendiou a casa, assim como a releitura de “Psycho Terapy”, do Ramones, cantada pelo baixista Rachel Bolan. Bacana, mas que poderia ter sido “Psycho Love” no lugar, poderia. Mas o álbum Slave to the Grind (1991) foi bem representado, com clássicos e escolhas a dedo: as já citadas “Slave to the Grind” e “The Threat”, a potente balada “In a Darkened Room” (que entrou no lugar de “Quicksand Jesus”), “Creepshow”, “Livin’ on a Chain Gang” e, claro, “Monkey Business”, que encerrou a primeira parte. O debut auto intitulado (1989) também teve seis músicas tocadas, a saber: “18 and Life”, “Big Guns”, a lindíssima balada “I Remember You” (quem não gosta, não tem coração), “Piece of Me”, “Rattlesnake Shake” e a violenta e dançante ao mesmo tempo, “Youth Gone Wild”, que fechou o encore. “I Remember You”, em especial, foi uma celebração. O vocalista faz a cretina pergunta antes de começá-la: “Vocês conhecem essa?”. Claro que sim, Erik. No último verso antes do último refrão, “’Cause you’ll always be my dream come true, oh, my darling, I love you”, ele ainda trocou o ‘darling’ por Curitiba.

Para um fã mais assíduo, a falta de alguma coisa do disco Subhuman Race (1995) pode ter sido um ponto baixo, mas a vibrante energia emanada por Grönwall e pelos veteranos Rachel Bolan e a exímia e visceral dupla de guitarristas Dave “The Snake” Sabo e Scotti Hill, além do ótimo baterista Rob Hammersmith, enterrou quaisquer dúvidas sobre o atual poder de fogo do Skid Row. No dia seguinte, trabalhando na produção do Summer Breeze Brasil, conheci os caras e trocamos uma ideia rápida, inclusive, Grönwall lembrou que eu havia o entrevistado algumas semanas antes. Às vezes, o jornalismo nos reserva alguns momentos memoráveis.
Aliás, não deixe de conferir nossa entrevista com o Skid Row: https://acessomusic.com.br/2023/04/20/entrevista-skid-row-vocalista-erik-gronwall-fala-da-atual-fase-da-banda-e-ansiedade-pelos-shows-no-brasil/
Repertório – Skid Row
Slave to the Grind
The Threat
Big Guns
18 and Life
Not Dead Yet
Piece of Me
Livin’ on a Chain Gang
Psycho Therapy [Ramones]
In a Darkened Room
Rattlesnake Shake
Time Bomb
I Remember You
Monkey Business
Creepshow
The Gang’s All Here
Youth Gone Wild
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