Aliando peso, groove, riffs de guitarra de metal, baixo funkeado, bateria groovada e junto a tudo isso os vocais intercalados com guturais e fraseados inspirados no Rap. Esse é o Khorium, uma banda genuinamente brasileira oriunda de Volta Redonda/RJ na ativa desde 2017. Em um cenário no qual muitas bandas ficam em cima do muro para fantasiosamente aderir mais público, o Khorium tem sua ideologia bem clara e acidamente explicita.
Confira essa entrevista exclusiva com a banda sobre sua história, estilo e planos para o futuro.
A banda tem se consolidado com bons lançamentos e posicionamento forte. Qual a inspiração e como nasceram as músicas de ‘A Plenos Pulmões’?
A inspiração vem do dia a dia, das coisas que observamos e das situações que surgem na sociedade. É a nossa visão sobre os fatos do nosso tempo, daquilo que acreditamos que deveria ser da reflexão de todos. O disco começou a ser criado logo após a apresentação do ShowLivre que foi lançado como álbum ao vivo. Já com essa visão de fôlego pra continuar em frente, com o combustível da indignação e sem desacelerar.
Um detalhe importante e as vezes achamos que ninguém fala muito sobre. Como nasce o nome de cada disco e qual o motivo dos nomes?
Cada álbum da nossa discografia reflete um momento e aborda um ponto de vista, seja algo mais descritivo ou o enfrentamento entre propostas de vida diferentes. No caso do “A Plenos Pulmões” o nome tem a ver com o pós pandemia, com o embate contra as forças opressoras e uma declaração de vida, de sobrevivência e resistência.
Khorium também marca pelas capas bem diretas e ácidas. Tem um único artista ou é diferentes? E como nasce a concepção delas?
Sim, nós já tivemos capas feitas por mais de um artista, mas no “A Plenos Pulmões” repetimos o trabalho com o Rogério Fortes, que é um amigo de longa data e que tem uma sensibilidade apurada para retratar o ‘espírito’ de cada álbum. A opção neste álbum foi por uma capa em um estilo mais rústico, com linhas fortes.
Vocês passaram por algumas mudanças na formação, o que mudou e por qual motivo mudou? Acredita que interferiu na sonoridade?
Coincidentemente tivemos duas mudanças no posto de baixista ao longo da trajetória da banda e em ambos os casos por mudança de cidade desses integrantes. Todos continuam nossos amigos e ainda mantemos contato. Por outro lado a entrada de novos integrantes sempre contribuiu para a ampliação das referências sonoras em nossas músicas, diversificando ainda mais o misto de estilos. A ‘cozinha’, baixo e bateria, é o coração pulsante das músicas da banda, e cada baixista deixou a sua marca e personalidade registradas nas composições.
No show do Estúdio Show Livre, vocês estavam em quarteto e o peso ficou bem sólido e um show bem estruturado. Mas a banda se divulga em Power Trio. Como foi a participação no programa e como funciona a quantidade de membros em shows ao vivo?
Foi muito bacana poder participar e registrar como a banda soa ao vivo. Devido à pandemia a apresentação ainda foi sem plateia, o que com certeza traria ainda mais energia se tivéssemos nosso público lá. Mas acabou sendo também um excelente registro que compõe a nossa discografia na forma de álbum ao vivo. Temos sempre optado por incluir um guitarrista convidado para poder me concentrar na performance vocal, principalmente nas partes com vocal rap, que demandam um flow rápido e concentração na respiração.
Khorium sempre lança materiais e em ênfase aos vídeos e lyrics principalmente. Recentemente teve um lyric com linguagem de sinais. Como vêem a necessidade de inclusão as pessoas com deficiência na música e como foi a ideia deste lyric em especifico?
Nós sempre tivemos como foco que a mensagem nas nossas letras têm uma importância tão grande quanto o instrumental e a vontade é sempre levar a mensagem ao maior número de pessoas possível. Por isso no videoclipe de “Monopólio da Violência”, faixa de trabalho do álbum surgiu a ideia de ter legendas e LIBRAS (linguagem brasileira de sinais). A recepção do vídeo com libras tem sido muito positiva.
A sonoridade da banda fica sempre entre o Rap e o Metal, sem rotular pois sempre apresentam coisas novas e modernas. Hoje, se fosse para definir suas maiores inspirações e o subgênero que a Khorium se encaixa, como funcionaria e o que buscam nas composições?
Como a quantidade de referências cresce a cada dia está cada vez mais difícil encaixar o som da banda em algum rótulo. Essa mistura de rap e metal é o principal, mas é possível encontrar influências de hardcore, punk, djent, grindcore, prog, e no último álbum até de música clássica, baião e post hardcore.
Participações especiais são sempre apresentadas por vocês, neste em específico a lenda Clemente Tadeu dos Inocentes. Como aconteceu esse contato e que experiência ele deixou nas gravações?
Clemente foi extremamente bacana com a gente quando fizemos o ShowLivre, onde ele é o apresentador. Como temos influências de punk como Inocentes, RDP, Cólera, Garotos Podres, etc surgiu a ideia de convidá-lo. Ficamos muito felizes dele conseguir um espaço na agenda para gravar uma faixa nossa, “Imunidade Tributária”, que tem justamente essa pegada punk. Foi uma honra poder ter essa participação dele no disco.
A importância de saber investir em demandas certas geram frutos e a Khorium fechou com a Retless Booking. Como funciona o planejamento da Khorium em relação aos assuntos extra musicais que envolvem uma banda e se tem mais algo planejado que envolva a banda sem ser novas músicas pela frente.
Isso é uma coisa muito importante, manter os trabalhos da banda, para a banda, e pela banda mesmo fora dos palcos. A gente sabe que gravar e lançar um álbum é só a primeira batalha de uma guerra bem maior. Estamos sempre em busca de novas parcerias que possam tornar a banda e as músicas conhecidas por mais gente. Por enquanto não posso detalhar ainda mas tem outras parcerias e novidades no forno dentro dessa linha.
Para finalizarmos, fica a curiosidade se teremos mais alguns videos ou mais material de ‘A Plenos Pulmões’ por agora e como está os trabalhos de divulgação do mesmo?
Sim, estamos lançando lyric videos de mais 5 faixas do álbum, e em breve mais alguns materiais e merchandising do album devem ser lançados. Fiquem ligados que teremos notícias boas em breve.
Foto: Daiane Landim/Divulgação
