[Resenha] Deep Memories – Why Do We Suffer?

[Resenha] Deep Memories – Why Do We Suffer?
(Heavy Metal Rock – nacional)

Por Clovis Roman

Segundo álbum do Deep Memories, Why Do We Suffer? é mais uma jornada nos meandros soturnos do doom metal, porém, sem deixar de explorar a fundo belas melodias, com o adendo de vocais limpos e guturais que se revezam de maneira fluída e honesta.

A one-man-band é idealizada por Douglas Martins, ex-integrante do grupo de death/black metal Desdominus. Se lá a brutalidade e velocidade eram os protagonistas, aqui o foco é diametralmente inverso. Com reminiscências de Paradise Lost, “Enslaved By Reciprocity Obligation” te coloca de imediato no espectro soturno do doom metal, tanto pelas melodias tétricas, porém melodiosas, quanto pelo revezamento dos vocais urrados (que são soberbos, robustos e transbordam melancolia) com os limpos, que são bem encaixados na estrutura da composição. Como adendo, os riffs principais são belíssimos, e o solo minimalista, idem.

Quando partimos para a segunda faixa do CD, “Please, Do Not Close The Coffin”, estamos devidamente entregues ao trabalho primoroso do Deep Memories. A letra elegíaca é sensacional, começando pelo próprio título. Durante a narrativa, faz-se o contraponto da existência e sua dor, enquanto a morte é encarada como liberdade. Musicalmente, há um tanto mais de peso, todavia, os elementos ouvidos na faixa anterior seguem presentes. Impressionante como nenhum segundo aqui está fora de contexto. Tudo tem uma razão para existir, e cada elemento, somado um ao outro, resultam em mais uma canção insigne.

Com nuances bastante sutis do black metal, “Get Away From Poison” pode ser encarada como uma espécie de crítica a religião, mas a análise lírica fica aberta para outras interpretações. A extensa faixa envolve, ou ao menos, não solta a sua mão, gentilemente segurada desde os primeiros segundos da primeira faixa. Liricamente, a obra olha para diversas direções, como fica explícito em “Uncontrolled Cells Multiplication”. A introdução da faixa segue um crescendo suave e vagaroso, que não chega a um ápice de peso e velocidade, mas desenvolve uma relação entre artista e ouvinte bastante sólida. A faixa-título é embalada por violões e abre espaço para a dobradinha final.

Primeiro, “Prerogatives or Exceptions”, com partes cadenciadas e interlúdios lentos quase psicodélicos, e “A Rocket to Homeland”, um outro caótico que deixa muitas dúvidas no ouvinte. Quando o CD para de rodar, levamos alguns instantes até retornar a vida normal.

Fiquei tão impressionado com o trabalho que tratei de comprar o álbum anterior, Rebuilding the Future, para tornar completo meu mergulho na obra do Deep Memories. Ambos seguem mais ou menos a mesma pegada, incluindo a qualidade de gravação e produção, mesmo que o mais recente seja um pouco mais lapidado.

A média de duração das músicas em ambos os discos é bastante similar, ultrapassando os cinco minutos com folga. Em Why Do We Suffer, temos épicos como “Prerogatives or Exceptions”, com quase nove minutos.

Em todo caso, eis uma banda – uma one-man-band não deixa de ser uma banda; aliás, vale citar que há uma formação para os shows ao vivo, com Ney Paulino (bateria), Rodrigo Pereira (guitarra) e Fernando Cavalheiro (baixo/vocal) – singular no underground brasileiro, que precisa ser conhecida pelo maior número de pessoas possível.

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Músicas
1. Enslaved By Reciprocity Obligation
2. Please, Do Not Close The Coffin
3. Get Away From Poison
4. Uncontrrolled Cells Multiplication
5. Why Do We Suffer?
6. Prerogatives Or Exceptions
7. A Rocket To Homeland

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