[Resenha] Macabre – Sinister Slaughter

Macabre – Sinister Slaughter
(Shinigami Records – nacional)

Por Clovis Roman

O Macabre é uma banda com quase 40 anos de carreira, que nunca mudou de formação e tem uma discografia bastante seleta. Nessas quatro décadas, são apenas seis álbuns. O melhor e mais clássico deles é Sinister Slaughter, de 1993.

Apenas a capa já evidencia que o trabalho é importante. Se trata de uma sátira com Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, do The Beatles. Aqui, indicando a temática lírica, baseada em histórias de serial killers.

O som é, por definição, death metal. Mas é possível sacar referências de hardcore e thrash, que somadas criam um som único e facilmente identificável, uma qualidade que faz bandas desse gênero se destacarem. E há bastante humor nesta obra.

Um exemplo é “Zodiac”, sobre um caso denso e pesado de um serial killer, que traz um momento de death metal alegre, cenários completamente dispares. Ou então, “Vampire Of Dusseldorf”, com partes toscas e outras que remetem a um tema infantil. Sobre o hediondo Jeffery Dahmer, “What’s the Smell?” traz partes intrincadas e referências a música erudita, só que podre.

O disco abre com “Night Stalker” sobre o assassino satanista. A intro com a frase ” Swear to Satan”, para quem conhece a história, é uma referência interessante. A partir desse ponto, são toneladas de passagens agressivas regadas a vocais que transitam dos urros padrão a momentos estridentes quase irritantes. Ou o seriam, em outro contexto. Nesta maneira artística de se expressar, o Macabre molda essa característica em algo totalmente plausível e até mesmo agradável.

Em uma massa sonora sólida, fica difícil apontar destaques, todavia, “The Ted Bungy Song” e “Montreal Massacre” se sobressaem numa primeira audição. As linhas de bateria bem arranjadas e o refrão “Mark Lupine, Killed fourteen, In Montreal, He only shot girls” são facilmente memorizados.

Por sua vez, “The Boston Strangler” conquista pelo ritmo cadenciado e curta duração. Os dois interlúdios “Mary Bell” dão uma quebrada na audição, mas nada grave, afinal, ambas são bastante breves.

Quem tem o hábito de ler ou ver canais no YouTube sobre casos policiais ou sobre serial killers, tem aqui um prato cheio, pois transbordam referências sutis, além, obviamente, das próprias letras das músicas.

Outro momento, ao menos, curioso, são os gritos em “White Hen Decapitator” os quais pode-se confundir com agudos humanos, quando, na verdade, são da guitarra. Fechando o disquinho sem maiores percalços, a áspera “Albert Was Worse than Any Fish in the Sea” (que traz o nome de seu personagem no próprio título) deixa uma vontade de apertar o play novamente e se banhar de sague e death metal, figurativamente.

Este é um álbum para ouvir inúmeras vezes. Eu mesmo, antes mesmo de sentar para escrever a resenha, rodei o CD, no mínimo, uma dezena de vezes. O clássico artefato do Macabre chega ao Brasil pela Shinigami Records, para celebrar os trinta anos de seu lançamento. Aquisição obrigatória para fãs de podreiras musicais e podreiras líricas. Na verdade, só a capa já valeria a compra.

Compre o CD: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9496202-Macabre—Sinister-Slaughter

Músicas:

  1. Night Stalker
  2. The Ted Bundy Song
  3. Sniper In The Sky
  4. Montreal Massacre
  5. Zodiac
  6. What The Hell Did You Do?
  7. The Boston Strangler
  8. Mary Bell
  9. Mary Bell (Reprise)
  10. Killing Spree (Postal Killer)
  11. Is It Soup Yet?
  12. White Hen Decapitator
  13. Howard Unrah (What Have You Done Now?)
  14. Gacy’s Lot
  15. There Was A Young Man Who Blew Up A Plane
  16. Vampire Of Dusseldorf
  17. Shotgun Peterson
  18. What’s That Smell?
  19. Edmond Kemper Had A Horrible Temper
  20. What The Heck Richard Speck (Eight Nurses You Wrecked)
  21. Albert Was Worse Than Any Fish In The Sea

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