[Cobertura] Sepultura divulga álbum Quadra com show redondo em Curitiba

Sepultura
21 de julho de 2023
Ópera de Arame
Curitiba/PR

por Clovis Roman

Noite de violência na cidade. Brigas no cinema pra ver o filme da Barbie e um atentado criminoso em um bar por um imbecil. No show do Sepultura, a violência se manteve restrita ao espectro musical. Havia muita energia emanando do palco e da plateia, ambos em harmonia sinérgica. Todavia, tudo na paz e no peso dos riffs cavalares de Andreas Kisser.

Na estrada para divulgar Quadra, cuja turnê foi postergada devido a pandemia, o Sepultura retornou a Curitiba após quatro anos, para um show muito melhor, tanto pelo público maior, quanto pelo repertório mais lapidado. No último, fizeram uma retrospectiva da carreira, com uma música de cada álbum, o que deixou o extenso repertório bastante irregular. Agora, tocando o que queriam, e de maneira mais compacta, entregaram tudo e mais um pouco.

Sepultura do Brasil: 1, 2, 3, 4 (foto: Clovis Roman)

Abriram com “Isolation” e logo mandaram “Means to an End”, ambas do último disco, Quadra, que saiu praticamente na véspera da pandemia. Entre essas duas, “Territory” foi o recado para o público de que o Sepultura seguia firme e forte. Outra nova, “Guardians of Earth”, soou grandiosa, reforçada pelo timbre assassino do guitarrista Andreas Kisser, que estava visivelmente empolgado. O som, no geral, estava ótimo de qualquer ponto da casa (algo recorrente na Ópera de Arame), apesar de que, em “Refuse/Resist”, a guitarra ficou soterrada na mixagem. Por outro lado, em “Propaganda”, tudo soou cristalino e agressivo.

O exímio baterista Eloy Casagrande (foto: Clovis Roman)

A confusa “Cut Throat” foi a música do banheiro e da cerveja para muita gente. Os mais velhos vibraram com “Arise” e “Dead Embryonic Cells”, que voltou a ser tocada por completo, e não em um medley. Ambas são de Arise (1991), que também foi representado por “Infected Voice”, a grande surpresa da noite. O encerramento veio com as protocolares “Ratamahatta” e “Roots Bloody Roots”, ambas de Roots (1996).

O maestro do Sepultura, Andreas Kisser (foto: Clovis Roman)

Enquanto os irmãos Cavalera vivem chafurdando no passado, o Sepultura deixa-o de lado. Claro que Arise, Chaos A.D. e até o irregular Roots já são bastante antigos. Mas excluir toda a década de 1980 – isso mesmo, clássicos como Schizophrenia e Beneath the Remains sequer foram revisitados – mostra que, na verdade, eles têm tanto material bom distribuído por essas quase quatro décadas que não precisam ficar tocando sempre a mesma coisa, se não quiserem. Não a toa, a divisão de músicas entre a fase antiga e a fase Derrick foi praticamente meio a meio.

O baixista e único membro da formação original, Paulo “Xisto” Jr. (foto: Clovis Roman)

Das atualidades, “Machine Messiah” pode não ter sido a melhor representante do álbum homônimo, mas mostrou ousadia, assim como inserir “Ali” e “Capital Enslavement”, do Quadra (2020). Como a banda costuma tocar várias músicas novas de seus discos nas respectivas turnês, teve espaço para essa dupla e o resultado artístico foi brilhante. Quanto a divisão de álbuns, também é válido frisar que apenas seis dos quinze de estúdio foram relembrados nessa noite, com destaques para Quadra, Arise, Chaos A.D. e Roots, cada um deles com três músicas.

Repertório
Isolation
Territory
Means to an End
Capital Enslavement
Kairos
Propaganda
Guardians of Earth
Cut-Throat
Dead Embryonic Cells
Ali
Machine Messiah
Infected Voice
Agony of Defeat
Refuse/Resist
Arise
Ratamahatta
Roots Bloody Roots

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