Haken
30 de setembro de 2023
Jokers
Curitiba/PR
Por Clovis Roman e Kenia Cordeiro
Com mais de 15 anos de estrada, o Haken se tornou um dos principais nomes do prog metal moderno, trazendo influências jazzísticas e do progressivo dos anos 1970 para um som pesado e cheio de camadas entrelaçadas de maneira caótica. Divulgando o sétimo álbum de estúdio, Fauna, o grupo veio pela segunda vez ao Brasil (a primeira foi na turnê do excelente Vector, em 2019, com show único em São Paulo), e estreou em palcos curitibanos no Jokers, que recebeu um excelente público que lotou a pista e o mezanino.
Nesses quatro anos, muita coisa mudou. A diferença principal, e louvável, foi a extensão do repertório apresentado. Se outrora, foram 10 músicas, em Curitiba foram 16, contemplando cinco dos sete discos lançados; ficaram de fora Visions (2011) e o supracitado Vector (2018). Com pontualidade britânica (nada mais justo, afinal, são ingleses), às 20h o Haken se posiciona em cena e inicia com “Taurus”, do mais recente Fauna, que saiu em março e traz algo de mais acessível no som, sem perder as características proeminentes de seu som. Nesse momento foi possível constatar que seria uma noite histórica, afinal, o público reagiu ruidosamente e cantou junto, o que se repetiu em praticamente toda a apresentação, e principalmente em “Cockroach King”, que veio logo no começo do set e destilou suas nuances progressivas marcantes e os vocais primorosos de Ross Jennings, que, em comparação a versão do álbum The Mountain, cantou menos como Jon Anderson e mais como Ed Kowalczyk. “Lovebites” foi outro momento sublime, dentro de um repertório bastante homogêneo.

A similaridade com a eterna voz do Yes, todavia, se fez presente em outros momentos, como em “Elephants Never Forget”, uma das gratas surpresas da noite. Nos longos momentos instrumentais, Jennings deixava o palco para que seus colegas de banda brilhassem em compassos complexos e executados praticamente a perfeição. Não à toa, quase toda a banda foi contratada para tocar no Mike Portnoy’s Shattered Fortress, projeto do ex-baterista do Dream Theater em que apresentava a lendária Twelve-Step Suite, que reúne músicas de diversos discos dos mestres do prog, cujo fio condutor é a recuperação de Portnoy do alcoolismo. Os músicos que estiveram nessa empreitada foram Ross Jennings (vocal), Richard Henshall e Charles Griffiths (guitarras), Conner Green (baixo) e o hoje ex-tecladista Diego Tejeida. A função, atualmente, é ocupada por Peter Jones, membro da formação original, que retornou em 2022.

Do lado de baixo, o público apreciava os músicos com predominância de tons azuis e muita contraluz, porém, sem se tornar uma penumbra gótica. A visão era boa de qualquer ponto da casa, e o som estava cristalino. Nos primeiros versos de “Taurus”, o microfone não funcionou – algo brevemente resolvido pelo técnico da banda – mas o público ajudou e cantou junto.
O show extenso contou com muitas canções longas, ultrapassando os dez minutos de duração, como “The Architect”, cuja versão original tem 15 minutos e foi apresentada em uma versão um pouco mais enxuta, mas ainda bastante longa. Outros colossos foram “Pareidolia”, “Sempiternal Beings” e a já citada “Elephants Never Forget” (ambas do disco Fauna) e claro, a sublime “Celestial Elixir” e seus mais de 16 minutos, que decretou o encerramento.

Após esta, o público, em êxtase, já estava satisfeito. Todavia, um encore era esperado e um fã, ao gritar pedindo “Messiah Complex”, gabaritou. O vocalista respondeu, simpaticamente: “Bom, tecnicamente são cinco músicas”. Assim, o Haken apresentou todas partes dessa suíte que une elementos claros de Yes no trabalho dos teclados, passagens climáticas e até mesmo blast-beats, completando um setlist longo, de duas horas de duração, que pareceu ter durado menos, tamanha magia do som que emanava do palco.
Repertório:
Taurus
In Memoriam
Sempiternal Beings
Cockroach King
The Architect
Lovebite
Prosthetic
Invasion
Pareidolia
Elephants Never Forget
Celestial Elixir
Messiah Complex I: Ivory Tower
Messiah Complex II: A Glutton for Punishment
Messiah Complex III: Marigold
Messiah Complex IV: The Sect
Messiah Complex V: Ectobius Rex
