[Cobertura] Paul McCartney demonstra vigor invejável em performance celestial no Couto Pereira

Paul McCartney

13 de dezembro de 2023
Estádio Major Antônio Couto Pereira
Curitiba/PR

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

Quando Paul McCartney se apresentou em Curitiba em 2019, era de se esperar que aquela fosse sua última visita a cidade, pois na época já estava com 76 anos. Aos 81 anos, apesar de todo o perigo, o Beatle mostrou ainda um certo vigor em uma nova passagem pela capital paranaense, pois, por exemplo, não se furtou em apresentar um repertório com inacreditáveis 36 músicas, e cantou e tocou cada uma delas como não houvesse amanhã. E este certamente era o desejo de todos os presentes: Que o tempo parasse para sempre.

Muito do que é necessário ser dito sobre Paul McCartney já o foi feito incontáveis vezes por incontáveis pessoas e críticos musicais no decorrer das últimas seis décadas e tanto. A obra do artista é extensa e repleta de canções que estão no hall das mais bonitas de todos os tempos. Ver um amontoado dessas ao vivo se torna uma experiência que vai além de “assistir um show de rock” e se torna em um estado de transcendência espiritual ou o que valha. Ciente de seu poder, McCartney montou um repertório que traz um pouco do que melhor fez em todos esses anos de serviços prestados à humanidade: Foram 22 músicas antigas do The Beatles, uma do The Quarrymen (ainda mais antigo), oito do fantástico Wings e seis solo, sendo que essas levantam questionamentos de alguns, mas que crescem muito ao vivo.

Paul McCartney (foto: Marcos Hermes).

A frenética “Can’t Buy Me Love” foi escolhida para o pontapé inicial em Curitiba (ele sempre varia entre esta e “A Hard’s Day Night), seguida pela cativante e maravilhosa “Junior’s Farm” e depois, “Letting Go”, ambas do Wings. Acompanhar com frieza é tarefa impossível. Testemunhando preciosidades como “Got to Get You Into My Life”, a envolvente “Let Me Roll It”, a delicada “My Valentine”, “Love Me Do” ou até mesmo a bobinha “Come On To Me”, deixei meu dever jornalístico de lado e cantei, me emocionei e vibrei com cada acorde, com cada melodia. O show é um resumo de uma obra de valor inquestionável para a humanidade.

Paul McCartney (foto: Marcos Hermes).

Quando o piano de abertura de “Nineteen Hundred and Eighty-Five” ecoou pelo Estádio Couto Pereira, um frio na barriga veio, como estivéssemos descobrindo algo maravilhoso. Algo similar surgiu em “Jet”. A palpitante “Lady Madonna”, a minimalista “Love Me Do”, a delicada “Getting Better”, a vibrante “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” e a pesadíssima (um heavy metal antes do estilo sequer existir) “Helter Skelter” atenderam aos mais diferentes anseios de fãs de gêneros, idades e estilos diametralmente opostos, mas unidos pelo amor à boa música. Ou ainda mais: à melhor música. Quem queria algo mais catártico, cantou “Let it Be” e “Hey Jude” em uníssono. Quem esperava algo mais explosivo – literalmente – vibrou com “Live and Let Die”. Aqueles que queriam celebrar outros ex-integrantes dos Beatles, aplaudiram e se emocionaram com “Here Today” e “Something”, dedicadas respectivamente a John Lennon e George Harrison.

Em um encore com inacreditáveis sete músicas, Mac (nessa hora, éramos todos amigos íntimos) deu o golpe final, com, quiçá, a trinca de músicas mais fascinante de todos os tempos, seja passado, seja futuro. São apenas quatro minutos, que parecem durar segundos, e que merecem ser ouvidos por séculos. A gentileza de “Golden Slumbers” abre caminho para a apoteose lúdica (no que tange a parte musical) de “Carry That Weight” e o clima festivo de “The End”. O fim de uma noite divina deveria ser assim mesmo: Pra cima!

Paul McCartney (foto: Marcos Hermes).

Vale mencionar que na introdução pré-show, rolou até mesmo um trecho de “B-Side To Seaside”, de Linda McCartney, com direito a fotos dela no telão. Tudo é cuidado nos mais pequenos detalhes de maneira tão minuciosa que não tem como não sentenciar: Foi um show perfeito. Tanto que nessa resenha, não há exagero algum da minha parte.

Repertório:
Can’t Buy Me Love [The Beatles]
Junior’s Farm [Wings]
Letting Go [Wings]
She’s a Woman [The Beatles]
Got to Get You Into My Life [The Beatles]
Come On to Me
Let Me Roll It [Wings]
Getting Better [The Beatles]
Let ‘Em In [Wings]
My Valentine
Nineteen Hundred and Eighty-Five [Wings]
Maybe I’m Amazed
I’ve Just Seen a Face [The Beatles]
In Spite of All the Danger [The Quarrymen]
Love Me Do [The Beatles]
Dance Tonight
Blackbird [The Beatles]
Here Today
New
Lady Madonna [The Beatles]
Jet [Wings]
Being for the Benefit of Mr. Kite! [The Beatles]
Something [The Beatles]
Ob-La-Di, Ob-La-Da [The Beatles]
Band on the Run [Wings]
Get Back [The Beatles]
Let It Be [The Beatles]
Live and Let Die [Wings]
Hey Jude [The Beatles]
I’ve Got a Feeling [The Beatles]
I Saw Her Standing There [The Beatles]
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise) [The Beatles]
Helter Skelter [The Beatles]
Golden Slumbers [The Beatles]
Carry That Weight [The Beatles]
The End [The Beatles]

Fotos:
Capa: Clovis Roman (do show de 2019)
Matéria: Marcos Hermes (cedidas pela produção do evento)

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