Enthroned
20 de junho de 2024
92 Graus
Curitiba/PR
por Clovis Roman
Como o tempo pode mudar uma banda (ou a nossa percepção). Cobri um show do Enthroned em 2008, e foi uma performance boa, porém não memorável. Dezesseis anos mais tarde, com outro lineup, o Enthroned mostrou um poder de fogo absurdo. Foi uma performance permeada por ódio e velocidade, sem folga alguma. Os pouco mais de 60 minutos parecem ter durado apenas 20, tamanha a intensidade emanada do palco pelo grupo de origem belga.
São onze álbuns de estúdio, sendo seis contemplados no repertório em Curitiba, com foco no mais recente (que na verdade, já é antigo), Cold Black Suns (que saiu há cinco anos), a já clássica “Hosanna Satana”, “Silent Redemption” e “Smoking Mirror”. Para os fãs do material mais antigo, “Rites of the Northern Fullmoon” (do debut Prophecies of Pagan Fire, 1995), “The Ultimate Horde Fights” e “Evil Church”, essas do disco subsequente Towards the Skullthrone of Satan, de 1997.

A introdução “Satan’s Realm” abriu caminho para “The Ultimate Horde Fights”, em uma performance colérica e maligna, amplificada pela presença ameaçadora do vocalista Nornagest. No show de 2008 mencionado acima, ele ainda era cabeludo e também tocava guitarra. Agora, careca e cuidando apenas do microfone, exibe uma postura muito mais intimidante. Como logo acima do palco há uma viga horizontal bastante baixa, o vocalista, cujo nome de batismo é Régis Lant, se apoiava constantemente ali, parecendo que iria cair em cima dos fãs a qualquer momento. Assustador. Os mais atentos nesse parágrafo devem ter reparado no sobrenome do artista. Sim, ele é parente do Cronos, do Venom. Portanto, sua performance soturna é mais que adequada.

Mesclando as dinâmicas de cada canção, o Enthroned manteve o público atento a todo momento. “Sepulchred Within Opaque Slumber” trouxe mais agressividade e passagens carrancudas com vocais limpos e agonizantes, enquanto “Silent Redemption” evidenciou um lado mais melódico do grupo. A equalização do equipamento sonoro estava bastante aceitável, mesmo que em momentos houvessem falhas com as guitarras e as mesmas, de modo geral, estivessem um pouco mais baixas que o restante dos instrumentos. O show foi encerrado com “Of Shrines and Sovereigns”, com blast beats inacreditáveis do baterista Menthor.
O público presente rondou um pouco menos de 100 cabeças, entre pagantes, convidados, profissionais e imprensa (que, no caso, era só eu mesmo). Os fãs do Enthroned começaram mais contemplativos ao espetáculo, mas no decorrer das faixas, a agitação aumentou, e até mesmo um coro de “Hail satan, hail satan” foi ouvido em determinado momento. A decoração de festa junina nas dependências do 92 Graus deu o toque final ao clima. Grande noite de profanação musical.
Repertório
The Ultimate Horde Fights
Through the Cortex
Sepulchred Within Opaque Slumber
Silent Redemption
Deathmoor
Rites of the Northern Fullmoon
Smoking Mirror
Hosanna Satana
Of Feathers and Flames
Evil Church
Of Shrines and Sovereigns
A noite teve início com as performances da excelente banda mexicana Introtyl, e do Nervochaos, uma verdadeira instituição do death metal nacional com reconhecimento mundial. Os brasileiros, com formação recém reformulada, mandaram sons de toda a carreira e com um entrosamento como se tocassem juntos há muitos anos.

Um massacre nivelado pelo Introtyl, que chamou atenção do público pela formação feminina e força das músicas e performance. Basicamente ninguém ali conhecia o grupo, e todos saíram satisfeitos. Os shows de abertura começaram no horário, e a pontualidade foi tanta que o Enthroned mesmo começou 15 minutos antes do previsto.
