[Cobertura] Symphony X reforça conexão com público brasileiro em turnê brilhante

Symphony X
27 de julho
Tokio Marine Hall – São Paulo/SP

28 de julho
Tork N’ Roll – Curitiba/PR

por Clovis Roman

A banda Symphony X, que conta com 60% de Michael em sua composição (a saber: Pinella nos teclados, LePond no baixo e Romeo na guitarra), tem forte ligação com o público brasileiro. Nos últimos 23 anos, vieram ao país mais de uma dezena de vezes, sempre encontram fãs ávidos por pirulitagem musical do mais alto calibre. Sem um disco específico para esta turnê, o grupo – cuja formação se completa com o vocalista Russell Allen e com o baterista Jason Rullo – fez um belo apanhado da carreira, em um repertório que foi quase unânime.

Tanto na capital paulista quanto na paranaense, a abertura ficou por conta do guitarrista Luiz Toffoli, provido de grande talento nas seis cordas e com boas composições em seu repertório. A recepção foi positiva em ambas as praças, e, para angariar ainda mais a atenção das plateias, mandou uma cover da genial “As I Am”, do Dream Theater. Por aí, já dá para sacar a pegada do artista. É metal progressivo repleto de variações e demonstrações de técnica, mas tudo bem equalizado. O mais recente trabalho do músico é Enigma Garden, que conta em suas faixas com nomes como Felipe Andreoli, Pedro Tinello e Thiago Bianchi.

Repertório Luiz Toffoli:
Grand Opening
Human
I’m Alive
Both Worlds
Frenetic freak
As I Am (Dream Theater)

Symphony X em Curitiba:

O Symphony X encontra no Brasil um público fiel, mesmo que não tenha um novo disco de estúdio desde 2015, quando saiu o ótimo Underworld. Este trabalho está longe de ser o melhor do conjunto, mas trouxe uma das músicas mais bonitas da carreira. Trata-se da acessível “Without You”, bastante emotiva e com um refrão feito na medida para cantar junto. Não à toa, levantou coros altos em ambas as cidades.

As impressões aqui relatadas se aplicam tanto para São Paulo quanto para Curitiba, afinal, o show foi milimetricamente o mesmo. O Symphony X foi formado em 1994, portanto, são três décadas de estrada e sucessos. Álbuns como The Divine Wings of Tragedy e V: The New Mythology Suite os catapultaram para o Olimpo do estilo. Todavia, desses vieram apenas três músicas, das doze executadas: “Of Sins and Shadows” e “Out of the Ashes” do primeiro, e “Evolution (The Grand Design)”, a solitária representante do segundo.

O foco ficou no último – mas antigo – Underworld, como a excelente “Nevermore”, “Run With the Devil”, precedida pela apresentação da banda. O clima do quinteto em cima do palco é bastante leve. Russell reverencia o guitar-hero Romeo durante o solo da marcante “Set the World on Fire”, uma das melhores da longa discografia do grupo, enquanto Mike LePond toca tranquilo em seu canto, usando crocs. Além do ambiente amigável, os músicos se destacam por suas habilidades técnicas. Mesmo cantando de maneira mais agressiva que outrora, Allen segue impressionando com seus vocais fortes e marcantes, e claro, Romeo reluz com sua técnica estelar.

Além das canções citadas acima, se destacam a forte “Out of the Ashes” e as nuances e camadas brilhantemente entrelaçadas de “Of Sins And Shadows”, colossal mesmo após tanto tempo. Ambas fazem parte do terceiro disco, The Divine Wings of Tragedy, e foram as grandes surpresas da noite, afinal, elas voltaram – ambas no ‘encore’ – ao repertório do Symphony X aqui no Brasil, após oito anos de ausência. Se era para desenterrar mais velharias, poderia ter vindo a irmã de ambas, “Sea Of Lies”, do mesmo disco. Mas aí já era pedir demais.

Symphony X em São Paulo:

Quando eu entrevistei a banda, em 2022, o discreto tecladista Michael Pinella me falou sobre um provável novo trabalho de estúdio: “Eu sei que já faz um tempo desde nosso último disco. A banda está planejando um novo lançamento em 2023. Acho que estamos ansiosos para começar, e eu sei que os fãs também estão”. A profecia não se concretizou, e o Symphony X caminha para completar uma década sem novos discos. Nesse intervalo, essa foi a quinta visita deles ao nosso país. Realmente já está na hora de um novo disco. Os fãs estão, de fato, ansiosos por isto.

Repertório – Symphony X:
Iconoclast
Nevermore
Inferno (Unleash the Fire)
Serpent’s Kiss
Without You
To Hell and Back
Evolution (The Grand Design)
Run With the Devil
Set the World on Fire (The Lie of Lies)
Paradise Lost
Out of the Ashes
Of Sins and Shadows

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