Batushka
08 de agosto de 2024
Curitiba/PR
por Clovis Roman
Sim, a história é complicada. Segue resumo que, por ventura, pode até pode ter algum erro, tamanho o emaranhado de ramificações da história. Krzysztof Drabikowski criou o conceito estético e lírico do Batushka, empregado ao black metal. Lançaram em 2015, Litourgiya, que foi um sucesso tremendo no cenário; o trabalho é cantado em eslavo eclesiástico antigo, com os integrantes trajando vestes tradicionais da igreja ortodoxa. Um racha rolou em 2018, e Derph (Drabikowski) seguiu por um lado, e outra banda também chamada Batushka seguiu com o vocalista Bartłomiej “Bart” Krysiuk. Esta última, lançou o álbum Hospodi (2019) e Maria (2022), que reúne os EPs Raskol (2020) e Carju Niebiesnyj (2021), além de uma música inédita.

O Batushka de Derph (com a grafia Батюшка) também lançou um álbum. Ambas as partes entraram numa disputa jurídica que durou anos, enquanto ambas seguiam trabalhando. A banda de Bart – com a grafia Batushka – e companhia (que teve outros músicos que passaram pela primeira encarnação do Batushka, quando este era uma única banda) foi a que veio ao Brasil agora em 2024 para uma turnê, que passou por diversas cidades, incluindo Curitiba. Falso Batushka ou verdadeiro Batushka, tanto faz. Foi uma performance impactante e visualmente assombrosa.

O nome Batushka significa “pai” e é usado para se dirigir a um padre ortodoxo oriental. Os títulos e letras das músicas são escritos em uma antiga língua litúrgica da qual todas as línguas eslavas são derivadas.Esse cenário instigante foi trazido pela primeira vez a Curitiba, em um show cujo qual o setlist foi bem dividido entre os três trabalhos acima mencionados. Um pesar, entretanto, foi que dessa maneira, tivemos apenas três músicas do consagrado Litourgiya, que é o trabalho que causou todo o alvoroço em torno do grupo e que segue ecoando até os dias atuais. Uma banda que apresenta sua arte de maneira multidimensional, possibilitando imersões nas profundezas do ódio, com um aspecto visual tão impactante – indo das vestimentas aos menores elementos cenográficos -, sem contar a música ríspida e soturna, merecia um público mais atento (para não usar outro termo).

Em diversos momentos mais introspectivos, nos quais arranjos menos ruidosos eram apresentados, as conversas no meio da plateia soavam quase como um desrespeito a tal obra. O próprio vocalista mandou um “cala a boca aí” em certa altura. Por que pagar ingresso para um show ao qual você vai passar a maior parte do tempo conversando com os amigos, tirando fotos e mais preocupado com o preço da cerveja do que com a performance musical/artística em si? Nada contra, porém, se este é seu objetivo, há diversos bares e baladas por aí.
Repertório
Yekteniya I: Ochishcheniye
Wieczernia
Powieczerje
Yekteniya III: Premudrost’
Pismo I
Polunosznica
Utrenia
Irmos II
Irmos III
Yekteniya IV: Milost’
Pismo VI

Os mineiros do Paradise in Flames, com 20 anos de estrada e cinco álbuns de estúdio, sendo Blindness o mais recente, tem um som que transita dentro das fronteiras do black metal, sem perder sua essência e identidade. Atualmente, há mais elementos sinfônicos e atmosféricos que outrora, mas ainda é bastante agressivo. O último show que havia visto deles, em Joinville, foi – devido a problemas técnicos – abaixo da média. Aqui, com um cenário menos hostil, apresentaram uma performance impactante. O som tem reminiscências de Cradle of Filth e Septic Flesh, caso queiram referências comparativas.
Antes deles, a banda local Hokmoth, um dos nomes ascendentes do metal negro da atualidade. O grupo apresentou músicas do EP Neophytus (2019) e outras ainda inéditas oficialmente. O black metal da banda paranaense evoca uma névoa impenetrável de angústia, sendo uma das expressões artísticas mais genuínas dos últimos tempos.
