[Cobertura] Adrian Vandenberg e Mats Levén em Curitiba

Adrian Vandenberg & Mats Levén
3 de novembro de 2024
Hard Rock Café
Curitiba/PR

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

O guitarrista holandês Adrian Vandenberg ganhou projeção mundial nos anos 1980 ao integrar o gigante do hard rock Whitesnake, com quem trabalhou, entre percalços, até a segunda metade dos anos 1990. Antes e depois, lançou com a banda Vandenberg, alguns belíssimos artefatos do estilo. Com a banda de David Coverdale, participou das turnês do multiplatinado disco conhecido como 1987, e do subsequente Slip of the Tongue (1989), porém, não gravou nenhum deles (um breve solo, e nada mais), apesar de co-assinar todas as canções inéditas deste último.

Oito anos mais tarde, novamente assinou todas as canções (junto com Coverdale, obviamente) em Restless Heart, disco um tanto esquecido pelos fãs, quem sabe pela mudança de comportamento no decorrer dos anos e por não dar sequência a farofada dos seus antecessores, por ser mais calcado no blues rock. Não à toa, foi obliterado no repertório dessa noite, uma pequena infração em frente ao excelente show que presenciamos.Contexto posto a mesa: O show que Adrian Vandenberg trouxe para Curitiba mesclou seus dois principais cenários, e como resultado, uma performance vibrante, abrilhantada ainda mais por um vocalista fora de série.

Adrian Vandenberg (foto: Clovis Roman).

O sueco Mats Levén, que atualmente também integra a banda Vandenberg, mostrou sua versatilidade impressionante, transitando dos tons mais graves aos agudos com maestria e facilidade; inclusive, nos tons médios, chegou a se assemelhar, e muito, ao timbre de David Coverdale nos clássicos do Whitesnake, porém, com mais força. “Judgement Day” ganhou novos caminhos com a interpretação visceral de Levén. Em baladas como a soberba “Sailing Ships” e “Burning Heart”, também deu aula.

Em hardões saborosos como “Fool for Your Loving”, “Crying in the Rain” e até mesmo na balada “Is The Love” (com um solo de guitarra majestoso), ganharam o apoio do público seleto e empolgado, que cantou junto; assim como em “Now You’re Gone” (sem a intro de guitarra original, gravada em estúdio por Steve Vai), pérola do Slip of the Tongue. Por outro lado, “Hit the Ground Running” e a esplendorosa “Wait” (aquela com uma leve referência a “Hells Bells”), ambas da banda Vandenberg, animaram apenas os fãs mais devotos, a despeito da qualidade inquestionável dessas composições.

Mats Levén (foto: Clovis Roman).

O clima agradável foi complementado, além da qualidade técnica dos envolvidos, pela simpatia de Levén e Vandenberg no palco; o guitarrista era só sorrisos, enquanto o vocalista mandou um ‘Curitiba’ no meio de “Bad Boys” logo no começo, interagiu com um fã que segurava um vinil antigo do Vandenberg e ainda se empolgou ao ganhar uma camiseta da CBF com o número 11 e seu nome nas costas.

Para fechar a festa em alta rotação, a pesadíssima “Still of the Night” (com arranjos soberbos de Adrian Vandenberg) e, claro, “Here I Go Again”. A ótima banda que acompanhou os gringos foi formada pelos músicos brasileiros Flavio Sallin (The Heathen Schyte) nos teclados, além do baixista Bento Mello e o baterista Gabriel Haddad, ambos do Sioux 66.

Repertório:
Bad Boys [Whitesnake]
Fool for Your Loving [Whitesnake]
Your Love Is in Vain [Vandenberg]
Now You’re Gone [Whitesnake]
Hit the Ground Running [Vandenberg]
Sailing Ships [Whitesnake]
Judgement Day [Whitesnake]
Is This Love [Whitesnake]
Wait [Vandenberg]
Crying in the Rain [Whitesnake]
Burning Heart [Vandenberg]
Still of the Night [Whitesnake]
Here I Go Again [Whitesnake]

Phantom Star (foto: Clovis Roman).

Phantom Star

A abertura da noite ficou por conta da Phantom Star, de Curitiba, que lançou recentemente o single “Touch of a Curse” e fazia seu debut nos palcos. O quinteto, pelo background dos seus integrantes, mostrou segurança no palco e tocou um repertório de músicas ainda não conhecidas do público, mas que convenceram pelo formato coeso.

Um pequeno problema técnico na entrada deixou as guitarras quase inaudíveis, porém a banda seguiu em frente com as autorais “Witch Hunt” e depois, “Edge of a Knife”, que trazem um trabalho de guitarra melodioso e muito bem sacado de Lucas Licheski. A cozinha competente e os vocais mais agressivos fecham a receita sonora. O single “Touch of a Curse” ganhou mais amplitude ao vivo, e “Metal Heart”, hino metálico do Accept (única cover do set), serviu para chamar o público pra frente.

O encerramento foi com “Orpheu’s Quest”, com ares épicos na introdução e riffs pesados alicerçando a entrada dos vocais. As transições nos andamentos fluem com naturalidade e o longo trecho instrumental é instigante, incluindo aí o solo de Licheski.O tempo dirá se a banda terá seu lugar de destaque no cenário, mas este show de estreia deu bons indicativos. 

Repertório:
Witch Hunt
Edge of the Knife
Touch of a Curse
I’m the Storm
Metal Heart [Accept]
Orpheu’s Quest

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