Jinjer + Heaven Shall Burn
01 de dezembro de 2024
Tork N’ Roll
Curitiba/PR
por Clovis Roman e Kenia Cordeiro
O Metal sempre foi um estilo que se reinventou no decorrer das décadas. Gêneros que hoje louvamos foram questionados nos primórdios. E hoje, ramificações mais modernas da música pesada são questionadas pelos mais conservadores. Nesse processo evolutivo, nada mudou.
Seja como for, Jinjer e Heaven Shall Burn são nomes fortes do metalcore, a primeira em uma vertente mais progressiva, e a outra, mais próxima do death metal melódico. O headliner Jinjer estreou em 2014 com Cloud Factory, um álbum lançado de maneira independente, e em 2016, já com um contrato com a Napalm Records, veio com King of Everything. Dele, quatro músicas foram apresentadas em Curitiba, incluindo a abertura, “Just Another”, e a saideira “Pisces”, maior hit dos ucranianos e a música em que a galera mais cantou junto.

O foco do repertório foi, todavia, o ainda inédito disco Duél, a ser lançado em fevereiro de 2025. Dele, foram cinco músicas: “Green Serpent”, “Kafka”, “Rogue” e “Someone’s Daughter”, já lançadas como singles nas plataformas digitais, e “Fast Draw”, ainda totalmente inédita de maneira oficial.
Todos os discos oficiais foram contemplados essa noite, incluindo três faixas do EP Micro, de 2019. Ou seja, a banda ainda consegue fazer um apanhado geral de toda a sua obra, pelo tamanho ainda reduzido de sua discografia. Para tornar o show ainda mais efetivo, a banda pouco se comunicou com o público e focou na performance. Claro, houve tempo para que agradecem os fãs e os colegas de turnê, o Heaven Shall Burn, antes de “Rogue”, próximo do fim do show.
O som da banda tem o metalcore como estilo principal, mas é uma salada de influências modernas e até mesmo de funk, jazz, reggae e rap. Os vocais versáteis de Tatiana Shmayluk são outro grande trunfo do Jinjer – completam a formação Roman Ibramkhalilov (guitarra), Eugene Abdukhanov (baixo) e Vlad Ulasevich (bateria) – que com esta receita vem conquistando públicos cada vez maiores mundo afora.
Este crescimento pode ser visto nos locais que a banda tocou nas vindas anteriores ao Brasil. Em São Paulo, estrearam em 2018 no Manifesto, um pequeno pub; em 2022, tocaram no Carioca Club, que comporta 1.500 pessoas; agora, lotaram o Terra SP, que comporta cerca de 4 mil pagantes. Sem contar que das outras vezes, vieram para apenas uma ou duas datas no país, enquanto que em 2024 fizeram uma turnê com seis datas.
Repertório – Jinjer
Just Another
Sit Stay Roll Over
Ape
Fast Draw
Green Serpent
Retrospection
Teacher, Teacher!
On the Top
I Speak Astronomy
Someone’s Daughter
Kafka
Copycat
Perennial
Rogue
Pisces

O Heaven Shall Burn é uma banda com mais tempo de estrada. Com mais de 25 anos de estrada e nove discos de estúdio, esta foi a sétima visita deles ao Brasil, e a terceira a Curitiba. E sim, o nome da banda é inspirado naquele disco do Marduk. Estivemos presentes na última passagem deles por nosso país, em 2017, quando fizeram um show demolidor ao lado do Carcass e do King Diamond.
A destruição, sete anos mais tarde, segue irrefreável. O vocalista Marcus Bischoff se direciona aos fãs curitibanos comentando o quão bom é retornar a Curitiba – a última vez foi há dez anos – e reforça: “Somos o Heaven Shall Burn da Alemanha”. Todos ali já sabiam. Muitos fãs da banda estavam presentes, portanto, eles eram co-headliners, não apenas uma banda de abertura.
Quando devidamente instigado, o público de Curitiba sabe como agitar em um show, e o Heaven Shall Burn – que além de Bischoff, é formado por Maik Weichert (guitarra), AlexanderDietz (guitarra), Eric Bischoff (baixo) e Christian Bass (bateria) – pegou a galera em cheio com seu metalcore/death metal melódico durante as onze músicas do repertório. Rodas foram vistas em músicas como “Behind a Wall of Silence”, incluindo um ‘wall of death’, comportamento similar em outros momentos.
A banda passou por boa parte de seus discos, com destaque para a brilhante “Voice of the Voiceless”, acessível e pesada ao mesmo tempo; “My Heart and the Ocean” e “Corium”, que fechou o show que soou como um monolito sólido acertando sua cara. Duas performances de alta qualidade, que reuniram quase duas mil pessoas, ou seja, a capacidade total da casa. Esgotar ingressos em Curitiba é tarefa para poucos. Findo a resenha ressaltando a pontualidade do evento – todas as bandas começaram no exato minuto presente no cronograma, o que facilita a vida da galera que tem que voltar para casa com o transporte público.
Repertório – Heaven Shall Burn
Endzeit
Bring the War Home
Übermacht
Counterweight
Hunters Will Be Hunted
Unleash Enlightment
Voice of the Voiceless
Behind a Wall of Silence
My Heart and the Ocean
Profane Believers
Corium

A abertura da noite ficou com o Fim do Silêncio, banda paulista com dois vocalistas que aposta no hardcore/punk com foco na agressividade. Tiveram tempo para nove músicas, todas autorais, e obtiveram um bom retorno dos presentes, que já se aglomeravam dentro da casa desde cedo.
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