O que já sabemos sobre “Run For Your Lives”, a próxima turnê do Iron Maiden

Por Luís S. Bocatios

No dia 7 de dezembro, o Allianz Parque, em São Paulo, recebeu o último show da The Future Past Tour, turnê na qual o Iron Maiden mesclava seus maiores sucessos com músicas do álbum Somewhere in Time, de 1986, e faixas de Senjutsu, seu último disco de estúdio, lançado em 2021.

Em setembro, a banda anunciou seu próximo passo: a turnê Run For Your Lives, que celebrará os 50 anos do Maiden e contará com músicas dos nove primeiros álbuns de estúdio (de Iron Maiden a Fear of the Dark). A excursão terá 32 datas na Europa entre maio e agosto de 2025 e deve chegar aos outros continentes em 2026. Não há dúvidas de que o Brasil estará na rota – desde 1992, apenas três das quase quinze turnês realizadas pela banda não passaram pelo país.

Entre certezas e especulações, aqui estão alguns dos pontos a serem levantados sobre a turnê:

Palco

Segundo o vocalista Bruce Dickinson, a turnê levará a experiência de ver o Iron Maiden ao vivo a um nível totalmente diferente: “Vamos proporcionar aos nossos fãs uma experiência ao vivo única. Esta turnê vai colocar um sorriso no seu rosto e um grito na sua garganta”. Já o empresário Rod Smallwood explica que a banda considera cada turnê um novo desafio para trazer algo diferente e emocionante para os fãs: “para este show muito especial, estamos fazendo de tudo!”.

Após a The Future Past Tour, uma turnê visualmente minimalista para os padrões do Maiden (apesar de, é claro, muito bem cuidada!), a Run For Your Lives promete um espetáculo visual e pirotécnico nunca antes visto na carreira da banda.

Banda

A grande novidade é que, pela primeira vez desde 1983, a banda não contará com o baterista Nicko McBrain, que decidiu deixar de acompanhar o Maiden ao vivo por questões de saúde. Nicko sofreu um AVC no começo de 2023, teve que reaprender a tocar bateria com novas técnicas e, de forma heróica, realizou todas as mais de 70 datas da The Future Past Tour.

Na manhã do último show da turnê, o baterista anunciou que não está deixando a banda, mas não tem mais condições de acompanhar o ritmo pesado de turnês pelo qual o grupo é conhecido. Os fãs que compareceram ao show do dia 7 de dezembro, em São Paulo, tiveram a honra de acompanhar o último show de Nicko com o Maiden.

Para o seu lugar, a banda recrutou o baterista Simon Dawson, companheiro de Steve Harris no British Lion, projeto paralelo do baixista.

Repertório

A única certeza que temos sobre o repertório da turnê é que ele não terá músicas posteriores à 1992, ano de lançamento do álbum Fear of the Dark. Isso não significa, no entanto, que todos os nove álbuns desse período serão representados. A partir daqui, tudo é especulação – mas o que seria da véspera de uma turnê do Iron Maiden sem animadas conjecturas por parte dos fãs?

Nos últimos anos, os repertórios da banda sempre contam com 15 músicas. Dessa vez, pode ser diferente por dois motivos: primeiro, Simon Dawson deve estar em uma forma física melhor do que Nicko McBrain e pode aguentar mais músicas; segundo, há uma tendência de que a banda toque mais faixas dos primeiros discos, que eram mais curtas do que os épicos que vieram posteriormente. 17 ou 18 músicas parece um palpite interessante.

Do primeiro álbum, certamente teremos “Iron Maiden”, que nunca faltou em nenhum setlist da banda, e “Phantom of the Opera”, que foi a música utilizada no teaser de anúncio da turnê. Em uma excursão que comemora os 50 anos do Maiden, é bastante provável que “Running Free”, o primeiro sucesso da banda, faça parte do repertório. Também não há de se descartar a presença de “Remember Tomorrow” e “Prowler” (seria lindíssimo abrir o show com a primeira música do primeiro disco), embora as possibilidades sejam mais remotas.

O segundo disco, Killers, pode trazer algumas das surpresas do repertório: a presença de “Wrathchild” é quase uma certeza, mas seria um tanto quanto decepcionante se essa fosse a única música do álbum a participar da turnê, já que o disco é um dos favoritos dos fãs e raramente é lembrado ao vivo. A segunda música com mais chances de aparecer é a faixa-título, um clássico que foi tocado pela última vez em 1999. Algumas surpresas poderiam ser “Murders in the Rue Morgue” ou “Prodigal Son”, que nunca foi tocada ao vivo e já foi citada por Bruce Dickinson como uma de suas músicas favoritas do Maiden. Se o vocalista precisar descansar um pouco, uma boa opção seria a brilhante instrumental “Genghis Khan”.

The Number of the Beast deve ser um dos álbuns com mais representação no setlist, a começar por “Run to the Hills”, música de onde foi tirado o nome da turnê. Em uma turnê de 50 anos da banda, também não há dúvidas sobre a presença de “Hallowed Be Thy Name” e, especialmente, “The Number of the Beast”. Como “The Prisoner” fez parte da The Future Past e “Children of the Damned” da The Book of Souls World Tour (2016-2017), a tendência é que elas não sejam repetidas tão cedo. Portanto, uma possível (e muito bem-vinda!) surpresa seria “22 Acacia Avenue”, que foi tocada ao vivo pela última vez em 2003.

De Piece of Mind, é claro que a banda tocará “The Trooper”. Os outros clássicos do álbum foram tocados recentemente depois de muito tempo: “Revelations” e “Flight of Icarus” fizeram parte da turnê Legacy of the Beast em 2022; e “Where Eagles Dare” integrou a primeira parte da mesma turnê, pré-pandemia, em 2018 e 2019. Há uma grande possibilidade de que a maior surpresa do repertório saia desse álbum: os fãs mais esperançosos podem sonhar com a épica “To Tame a Land”, mas a escolhida deve ser uma música mais curta, como “Sun and Steel” ou “Die With Your Boots On”.

Powerslave, o álbum preferido da maioria dos fãs, também deve ser bem representado. “2 Minutes to Midnight”, que quase nunca faltou nas turnês da banda, está fora desde 2019, portanto parece prontinha para o retorno. “Aces High” é uma das músicas mais difíceis para Bruce Dickinson, mas é a abertura de shows mais icônica da banda e deve estar presente (o fato de ser a primeira música deve facilitar para o vocalista). Também não há de se descartar a faixa-título, que não é tocada ao vivo desde 2017, e “Rime of the Ancient Mariner”, que sempre é citada pelos integrantes da banda como a música que mais gostam de tocar ao vivo, mas, por ser um épico de 13 minutos, não faz parte das turnês há mais de 15 anos.

Como Somewhere in Time foi o principal tema da The Future Past, a tendência é que a única representante do álbum, como de costume, seja “Wasted Years”. Já de Seventh Son of a Seventh Son, a maior possibilidade é “The Evil That Men Do”, que também é presença frequente nos repertórios da banda e está fora desde 2019. A maravilhosa “The Clairvoyant” também tem chances, enquanto “Can I Play With Madness” seria quase uma certeza caso não tivesse feito parte da The Future Past, mas, como fez, as chances diminuem.

O álbum que está há mais tempo fora do repertório da banda é No Prayer for the Dying, de 1990, que não tem nenhuma representante no setlist desde 2003. A última música tocada é a que mais tem chances de aparecer nessa turnê: “Bring Your Daughter… to the Slaughter”, o maior sucesso do álbum. Mesmo assim, não é uma aposta certeira. “Tailgunner”, a fantástica faixa de abertura, seria uma surpresa maravilhosa.

Há quem diga, com grandes chances de acertar, que a turnê só para em Fear of the Dark porque a banda tem que tocar a faixa-título. Mesmo assim, há de se chamar a atenção para “Afraid to Shoot Strangers”, que foi tocada com Blaze Bayley e na turnê Maiden England, em 2013, que funciona muito bem ao vivo e também seria uma boa possibilidade para Bruce descansar a voz. Uma possibilidade mais remota é, caso o vocalista realmente não consiga mais cantar “Aces High”, a abertura acontecer com “Be Quick or Be Dead”.

Dadas todas essas possibilidades, aqui está um palpite de repertório (por ordem de discos):

1 – Iron Maiden
2 – Phantom of The Opera
3 – Running Free
4 – Wrathchild
5 – Killers
6 – The Number of the Beast
7 – Run to the Hills
8 – Hallowed Be thy Name
9 – The Trooper
10 – Sun and Steel
11 – Aces High
12 – 2 Minutes to Midnight
13 – Powerslave
14 – Rime of the Ancient Mariner
15 – Wasted Years
16 – The Evil That Men Do
17 – The Clairvoyant
18 – Fear of the Dark

Foto: Pri Oliveira

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