[Resenha] Ghost Bath – Self Loather

Ghost Bath – Self Loather
(Shinigami Records)

por Clovis Roman

A música depressiva nem sempre te leva a esse lugar. Muitas vezes, ela pode ter o efeito inverso: te tirar de um estado letárgico. É como combater fogo com fogo. Self Loather é o quarto álbum do Ghost Bath, lançado originalmente em 2021 e disponibilizado no mercado brasileiro pela renomada Shinigami Records. De longe, o melhor trabalho do grupo até o momento, a obra cavuca fundo a ponto de alterar a sua percepção da realidade.

Enquanto “Shrines of Bones”, com andamentos cadenciados em destaque, prende atenção de imediato, “Hide from the Sun” é perturbadora com gritos desesperados de fundo – sem contar a própria introdução. Com vocais horrendos (o que, neste caso, não é um demérito), que passam a impressão de uma dor quase palpável, “A Crystal Lattice” se destaca com suas passagens delicadas mas ainda assim funestas. 

A elegante “I Hope Death Finds Me Well” é um interlúdio, por não conter guitarras e vocais gritados, mas sim guiada por um piano e funciona como um momento de reflexão introspectiva sobre a obra e os sentimentos que ela suscita. Como um contraste proposital, “For It Is A Veil” desponta na sequência com passagens rápidas e contornos mais alinhados ao black metal – não que não tenha passagens mais densas volta e meia, envoltas em gritos agonizantes. A dinâmica da mesma, com flertes com o blakgaze, a tornam a melhor e mais palatável das dez faixas do álbum.

O trabalho rebuscado da bateria, que usa blast-beats sempre que adequado, mas sem se furtar em usar andamentos aprazíveis de acordo com os arranjos, é um ponto que soma no resultado final. As guitarras também estão em cima, como um movimento de caos calculado, servindo de alicerce para as linhas de baixo e, claro, aos vocais policromáticos de Dennis Mikula.

“Unbereable” é complexa com seus andamentos pouco convencionais e uso do piano, como que andando em círculos, e “Flickering Wicks Of Black” é um arrasa-quarteirão black metal, com pouco mais de dois minutos – ainda há um trecho final sem distorção, para o adeus definitivo -, encerrando a audição do CD com uma pequena bomba atômica de agressividade e desespero. Ela fecha o ciclo se alinhando com a outra faixa mais brutal, justamente a abertura “Convince Me To Bleed”. 

Formado em 2012 por Dennis Mikula, o Ghost Bath conta também com Josh Jaye (baixo), Tim Church e John Olivier (guitarras) e o baterista Jason Hirt. Após a estreia com Funeral (2014) e os subsequentes Moonlover e Starmourner, o conjunto assinou com a Nuclear Blast e ganhou uma maior projeção com Self Loather, justamente o trabalho no qual que encontraram uma identidade marcante, com seu Depressive/Post-Black Metal ríspido, com nuances de post-rock e gótico, porém, com menos frequência que outrora. A audição é complexa, e leva algum tempo para assimilar todas as suas nuances. A arte não é criada para um consumo rápido e descartável.

O nome da banda, segundo explicação da mesma, “se refere ao ato de cometer suicídio submerso em água”. É uma descrição bastante visual e igualmente adequada.

Músicas:

  1. Convince Me To Bleed
  2. Hide from The Sun
  3. Shrines Of Bone
  4. Sanguine Mask
  5. A Crystal Lattice
  6. Sinew And Vein
  7. I Hope Death Finds Me Well
  8. For It Is A Veil
  9. Unbearable
  10. Flickering Wicks Of Black

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