[Cobertura] The Cult e Baroness: O encontro de gerações que deu certo

The Cult + Baroness
25 de fevereiro de 2025
Live Curitiba
Curitiba/PR

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

O The Cult é uma banda britânica formada no início dos anos 1980, conhecida por mesclar elementos do pós-punk, hard rock e rock alternativo em uma sonoridade única. Liderado pelo vocalista Ian Astbury e pelo guitarrista Billy Duffy, o grupo alcançou destaque internacional com álbuns como Love (1985) e Sonic Temple (1989), que renderam sucessos como “She Sells Sanctuary” e “Fire Woman”. Ao longo das décadas, o The Cult consolidou-se como um dos nomes mais influentes do rock, mantendo relevância por sua capacidade de se reinventar e por performances ao vivo intensas.

Já o Baroness, formado nos Estados Unidos em 2003, é um dos expoentes do metal alternativo e do sludge metal contemporâneo. Comandada por John Baizley, a banda construiu sua identidade com discos conceituais, conhecidos por títulos cromáticos como Red Album, Blue Record e Purple. Suas composições unem peso, melodias intrincadas e uma abordagem artística única, com capas ilustradas pelo próprio Baizley, o que contribuiu para criar um universo visual e sonoro marcante. Ao longo dos anos, o Baroness ganhou respeito tanto pela qualidade de seu trabalho de estúdio quanto pela intensidade de suas apresentações.

Representando vertentes distintas dentro do rock, The Cult e Baroness uniram forças em uma turnê vitoriosa pela América Latina, celebrando a diversidade e a vitalidade do gênero. Entre as paradas do giro esteve Curitiba, onde se apresentaram na renomada casa de shows Live Curitiba, proporcionando ao público uma noite memorável que combinou a experiência clássica do rock com a energia criativa da cena contemporânea.

Baroness

O Baroness fez sua estreia em Curitiba com um show que alternou intensidade e momentos contemplativos, diante de um público que, em boa parte, parecia inicialmente mais observador ou mesmo indiferente. No entanto, bastaram as duas primeiras músicas para conquistar muitos dos que não conheciam o grupo, abrindo caminho para a marcante e pesada “A Horse Called Golgotha”, que mostrou a força do quarteto norte-americano. A apresentação seguiu com faixas que equilibravam peso e melodia, mantendo a atenção do público e reforçando a identidade única da banda.

Um momento curioso ocorreu em “Shock Me”, quinta música do repertório, quando um problema na bateria fez a banda interromper a execução após cerca de 30 segundos. A situação foi rapidamente contornada, e o recomeço da canção foi recebido com aplausos e apoio da plateia. Ao longo da noite, o Baroness falou pouco, preferindo deixar que as dez músicas do setlist — executadas em cerca de uma hora — falassem por si. Entre elas, destaques como “March to the Sea”, “Isak” e o encerramento com “Take My Bones Away” coroaram uma performance competente, que deixou uma forte impressão mesmo em um público majoritariamente não familiarizado com seu trabalho.

Baroness (foto: Clovis Roman).

Não houve muito papo entre as canções, mas mesmo assim, não deixaram de agradecer ao público local, pelo menos três vezes. Em “Isak” – a penúltima do repertório -, a galera até mesmo cantarolou as melodias, mostrando que ao mesmo tempo que agradaram aqueles que já conheciam o som, conquistaram aqueles que pouco estavam familiarizados com sua sonoridade – e estes eram maioria.

Músicas
Last Word
Under the Wheel
A Horse Called Golgotha
March to the Sea
Shock Me
If I Have to Wake Up (Would You Stop the Rain?) / Fugue
Swollen and Halo
Seasons
Isak
Take My Bones Away

The Cult

O The Cult subiu ao palco em Curitiba diante de uma Live Curitiba já lotada, com o público chegando em peso pouco antes do fim do show do Baroness. Desde os primeiros acordes de “In the Clouds”, a banda comandada por Ian Astbury e Billy Duffy mostrou que a noite seria marcada por intensidade e conexão. Canções como “War (The Process)” e “Resurrection Joe” incendiaram a plateia, com riffs poderosos e uma presença de palco magnética. “Revolution” trouxe o primeiro grande coro coletivo, mas a consagração viria nos momentos finais, com clássicos absolutos como “She Sells Sanctuary” e “Love Removal Machine”, que elevaram a empolgação ao máximo.

O show teve uma dinâmica quase dividida em dois blocos: a primeira parte apresentou faixas variadas de diferentes fases da carreira, enquanto a segunda concentrou a maior parte dos destaques dos álbuns Love e Sonic Temple. “Lucifer”, com iluminação vermelha intensa, foi um dos momentos mais densos e impactantes da noite. “Rain” e “Fire Woman” mantiveram a energia em alta, e o encore trouxe ainda a atmosférica “Brother Wolf, Sister Moon” antes do encerramento apoteótico. Passeando por músicas de boa parte de sua discografia, o The Cult entregou uma performance vibrante (sendo necessário frisar a entrega do brilhante baterista John Tempesta), celebrando sua história e deixando o público em estado de êxtase.

The Cult (foto: Clovis Roman).

Além do repertório certeiro, o show impressionou pela qualidade da iluminação, que potencializou cada clima criado pela banda, seja na densidade de “Lucifer” ou no impacto explosivo dos grandes hits. No palco, a performance foi enérgica e segura, com Astbury conduzindo a plateia com carisma (mesmo que tenham pouco interagido com os fãs nos intervalos entre as canções) e Duffy disparando riffs marcantes, reforçando porque o The Cult continua sendo um dos nomes mais respeitados do rock mundial. Pessoalmente, gostaria de ter ouvido “Painted on my Heart”, mas esperar por esta canção é um delírio utópico. Curiosamente, a última vez que eles tocaram esta ao vivo foi justamente em Curitiba, há duas décadas. Fica a curiosidade.

Músicas
In the Clouds
Rise
Wild Flower
Star
The Witch
Mirror
War (The Process)
Ressurection Joe
Edie (Ciao Baby)
Revolution
Sweet Soul Sister
Lucifer
Rain
Spiritwalker
Fire Woman
Brother Wolf, Sister Moon
She Sells Sanctuary
Love Removal Machine

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