[Entrevista] Beherit: Marko Laiho (Nuclear Holocausto Vengeance) fala sobre a carreira da banda e sobre show no Brasil em maio

No dia 22 de maio, a clássica banda de black metal Beherit desembarca em São Paulo para seu primeiro show no Brasil. A apresentação está marcada para o Carioca Club e os ingressos já estão à venda pelo Clube do Ingresso e custam entre R$250 e R$780.

O vocalista, guitarrista e principal compositor da banda, Marko Laiho (conhecido como Nuclear Holocausto Vengeance) conversou com o Acesso Music sobre a carreira da banda e sobre sua expectativa para o show no Brasil.

Por Luís S. Bocatios

O Beherit começou na década de 1980 e se tornou um dos nomes mais influentes do black metal. Quando você percebeu que a banda estava ganhando um status “cult”?

Marko Laiho: Muito, muito depois. Era tão diferente nos anos 1990. Tinha internet, mas era tão expandida quanto hoje em dia, então, para ser honesto, Beherit não era muito famoso nos anos 1990, a fama chegou bem depois. Acho que foi no final dos anos 1990 ou no começo dos anos 2000 que nós começamos a ter mais fãs. Eu tenho que dizer:  o Beherit era a provavelmente a banda mais odiada na Finlândia no começo dos anos 1990, as pessoas não entendem o ódio que nós recebíamos. Claro que havia alguns fãs naquela época, mas nós tocávamos ao vivo pra menos de 100 pessoas. O underground era muito pequeno comparado com o que o metal é hoje em dia.

O álbum Drawing Down the Moon é um clássico do black metal, mas também incorpora alguns elementos experimentais. Qual era a visão ou o conceito da banda ao compor o disco?

Laiho: Naquela época, eu comecei a ler algumas coisas pagãs e sobre vikings, e tinha muita influência do Bathory. Eu tinha acabado de me mudar para a cidade de Kuopio, que é no meio da Finlândia, e foi um período muito espiritual e mágico, porque eu estava muito imerso no material oculto e fazendo vários rituais. Eu acho que dá pra ouvir naquele disco que tem umas coisas meio sinistras.

No começo, quais foram as influências que você diria que moldaram o som da banda ou você como músico?

Laiho: Primeiro, é claro, foram as bandas grandes, como Slayer, Possessed, Kreator, todas essas bandas grandes, inclusive o Metallica, mas aí eu comecei a trocar fitas no final dos anos 1980 e comecei a achar umas coisas mais underground, muita coisa da América do Sul e do Brasil, da Cogumelo Records. Eu tenho que dizer que o Sarcófago é a maior influência do começo do Beherit, mas também incluo o Chakal, Vulcano, Holocaust, Mystifier… eles foram influências enormes quando a gente começou a banda.

Que demais! Então de alguma forma o Brasil está conectado à história da banda.

Laiho: Sim, uma influência pesada! Eu tinha muitos amigos de trocar fitas no Brasil na época, então alguns dos meus amigos daí me mandavam fitas da Cogumelo Records e eu mandava punk finlandês, todos ficávamos felizes. Nós recebíamos muita coisa do metal extremo brasileiro e os brasileiros recebiam punk finlandês.

A sua favorita era o Sarcófago?

Laiho: Sim, eu acho que o I.N.R.I, do Sarcófago, provavelmente é o melhor disco de todos os tempos.

Isso é incrível! O Beherit se separou nos anos 1990, correto?

Laiho: Em 1993, depois do Drawing Down the Moon, eu me mudei para a cidade de Helsinki, estava sem companheiros de bandas e comecei a trabalhar sozinho, em um home studio, em coisas eletrônicas.

Mas a banda se juntou novamente em 2007.

Laiho: Em 2007 eu passei a pensar que, após trabalhar por anos sozinho em um home studio, eu achei que seria muito revigorante voltar a ter uma banda para trabalhar junto. Nós gravamos o disco Ingram como uma banda, e o disco é uma mistura do The Oath of Black Blood com o Drawing Down the Moon, mas com uma produção de qualidade bem diferente.

Como você compara a cena do black metal nos anos 1980 e 1990 com o que ela é hoje em dia?

Laiho: É totalmente diferente, porque, quando o Beherit começou, quase todo mundo na cena se conhecia, tinha muito poucas bandas de black metal e de brutal death metal comparado o que existe hoje em dia. Todos os países tem provavelmente centenas ou até milhares de bandas, é totalmente diferente.

Você está prestes a tocar no Brasil pela primeira vez. Por que demorou tanto pra que vocês viessem?

Laiho: Bom, nós não tínhamos planos de tocar ao vivo novamente, mas há alguns anos atrás nós fizemos alguns shows secretos e nos animamos. Depois nós tocamos em Osaka, no Japão, e foi fantástico, foi tão soberbo que me fez querer tocar e encontrar com os fãs ao redor do mundo.

Como é a primeira vez da banda no país, os fãs podem esperar um repertório que cubra todo o catálogo da banda?

Laiho: Sim, claro. Nós vamos focar naqueles clássicos antigos do Beherit, principalmente do Drawing Down the Moon, mas também vamos incluir duas ou três faixas do The Oath of Black Blood, duas ou três músicas do Ingram, mas mesmo nessas músicas clássicas, vamos adicionar alguns elementos industriais, de noise e música ambiente, mas mesmo assim respeitando as gravações originais, então vai ser um ótimo show!

Em termos de cenários e da atmosfera do show, o que você diria que os fãs podem esperar?

Laiho: Vai ser uma experiência única de Beherit, porque nós não tocamos de uma maneira tradicional. Cada show é único, com músicas diferentes e versões diferentes das músicas.

A plateia brasileira é conhecida por ser muito apaixonada e enérgica. O que você espera do público? Talvez você tenha conversado sobre isso com algum amigo ou colega que já tocou aqui?

Laiho: O Beherit tem muitos fãs no Brasil, e você pode ouvir na nossa música que será selvagem!

E você acha que essa será a única apresentação de vocês no Brasil ou os fãs podem esperar um retorno?

Laiho: Não sei, porque é muito longe e o Beherit não é realmente uma banda de fazer turnês, porque nós temos nossos trabalhos diários, trabalhamos em escritórios das 9h às 17h. Eu sou especialista em TI, trabalho com cibersegurança, então não podemos fazer grandes turnês, no máximo duas semanas e depois temos que voltar pra trabalhar, então provavelmente vai ser a nossa única vez no Brasil.

Vocês lançaram dois discos nos últimos cinco anos. A banda já tem planos de trabalhar em material inédito ou ainda é muito cedo?

Laiho: Não, no momento estamos nos concentrando totalmente nesses próximos shows, eu não quero começar nenhum outro projeto no momento porque quero aproveitar essa oportunidade.

Mas a banda vai continuar, né?

Laiho: Sim, com força!

Ótimo! Muito obrigado pelo seu tempo e espero que goste do show no Brasil!

Laiho: Obrigado, te vejo lá!

SERVIÇO
Beherit em São Paulo
Data:
22 de maio de 2025
Local: Carioca Club
Endereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899, Pinheiros – São Paulo/SP
Horário: 19h (abertura da casa)
Ingressos: De R$250 a R$780
Venda online: https://www.clubedoingresso.com/evento/beheritemsaopaulo-cariocaclub

Foto: Divulgação

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