[Cobertura] Leprous apresenta seu prog metal a um público pequeno, mas animado

Leprous
12 de março de 2025
Tork N’ Roll
Curitiba/PR

Por Luís S. Bocatios
Fotos de Clovis Roman

Na noite desta quarta-feira (12), a o grupo norueguês de metal progressivo Leprous se apresentou em Curitiba pela primeira vez. O local escolhido foi o Tork n’ Roll, que não contou nem com metade da lotação, mas trazia uma plateia composta por fãs que cantaram várias músicas e ovacionaram a banda do começo ao fim.

Formada em 2001 na cidade de Notodden, Noruega, Leprous já lançou oito discos de estúdio. O último é Melodies of Atonement, de 2024, que dominou o repertório, com seis músicas das dezesseis que foram apresentadas. O resto do set foi composto por músicas a partir de The Price, de 2015, com apenas uma exceção.

Os únicos membros da formação original que continuam na banda são o vocalista e tecladista Einar Solberg e o guitarrista Tor Oddmund Suhrke. A eles, se juntam o guitarrista Rogin Ognedal, o baixista Simen Borven e o baterista Baard Kolstad.

Tecnicamente, a performance dos músicos dispensa comentários: a dupla de guitarras formada por Suhrke e Ognedal tem uma dinâmica interessantíssima, com o primeiro servindo mais com uma guitarra base e rítmica e o segundo fazendo solos, usando pedais diferentes, recursos como a slide guitar e até alguns toques mais sutis que parecem influenciados pelo trabalho de The Edge no U2.

O som dos teclados também é bastante proeminente em alguns momentos, com ótimas performances de músicos que se revezam no instrumento. Borven tem seus momentos de destaque, mas, no geral, o baixo acaba sendo um pouco soterrado na mixagem de som – o som, aliás, estava ótimo durante o show inteiro.

Mas os grandes destaques técnicos são mesmo Solberg, cuja belíssima voz contém uma enorme versatilidade, chegando tanto em notas graves quanto muito agudas; e do monstruoso Kolstad, que passeia entre andamentos totalmente quebrados com uma habilidade tremenda e usa seu ximbau de forma a dominar as músicas, de forma que chega a remeter ao uso que Stewart Copeland, baterista do The Police, faz do ximbau.

Logo nas primeiras músicas, já era notória a empolgação do público presente: a abertura mais climática com “Silently Walking Alone” convida a plateia para a atmosfera do Leprous, enquanto “The Price”, um dos maiores hits da banda, contou com um público animadíssimo cantando todas as partes, inclusive com os clássicos coros de “ooooo” em algumas partes instrumentais.

O ritmo dá uma caída com “Illuminate”, mas “I Hear the Sirens” traz uma performance vocal fantástica de Solberg, que chega a notas incrivelmente agudas no final da música, sem nunca perder a potência, e foi ovacionado pelo público. O show tem continuidade com “Like a Sunken Ship”, que já foi celebrada logo no riff de baixo que abre a música e também contou com uma grande participação da plateia.

Em seguida, Einar teve sua primeira grande interação com o público, na qual se mostrou feliz por estar tocando em Curitiba pela primeira vez. Ele perguntou se havia fãs old-school na plateia e deu a opção para que a audiência escolhesse se a banda tocaria “Passing”, faixa de abertura do primeiro disco, ou “Forced Entry”, segunda música do segundo álbum do Leprous.

Pela primeira vez na turnê latino-americana, a vencedora do “palmômetro” foi “Forced Entry”, surpreendendo a todos os músicos. O vocalista brincou que, dos membros mais novos, o único que tinha escutado os discos antigos e estaria preparado era Ognedal. Mesmo assim, a performance foi ótima.

O show fica um tanto quanto repetitivo nas músicas seguintes, mas ganha uma vida nova quando alguns fãs foram convidados para cantar “Faceless” no palco, reproduzindo a grandiosidade dos corais que acontecem na gravação de estúdio da música. Foi o momento mais catártico do show.

As três últimas músicas do set principal foram “Castaway Angels” e os sucessos “From the Flame” – possivelmente o maior hit do grupo, que animou novamente o público – e “Slave”, faixa de The Congregation, o álbum mais aclamado do Leprous, cujo lançamento está completando dez anos em 2025.

Após uma curta pausa, os músicos retornam ao palco para as duas canções derradeiras: “Atonement” e “The Sky is Red”, ambas muito bem recebidas por um público que, apesar de pouco numeroso, demonstrou que a banda tem fãs fieis, que certamente aproveitaram ao máximo a experiência de ver o Leprous com conforto e com a excelente qualidade de som proporcionada pela produção do show.

Repertório

Silently Walking Alone
The Price
Illuminate
I Hear the Sirens
Like a Sunken Ship
Forced Entry
Distant Bells
Nighttime Disguise
Unfree My Soul
Below
Faceless
Castaway Angels
From the Flame
Slave

Atonement
The Sky is Red

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