Archgoat + The Laws Kill Destroy
14 de março de 2025
Jokers
Curitiba/PR
Por Luís S. Bocatios
Fotos de Clovis Roman
A noite de sexta-feira (15) foi especial para os curitibanos fãs de metal extremo. O Jokers Pub recebeu o show da clássica banda finlandesa de black metal, Archgoat, e da The Laws Kill Destroy, que faz um tributo à lendária Sarcófago, um dos grupos pioneiros do metal extremo no Brasil.
The Laws Kill Destroy
O The Laws Kill Destroy traz o baixista Gerald “Incubus” Minelli, um dos fundadores do Sarcófago, ao lado dos vocalistas Rodrigo Malevolent e Pedro Nicolsky (também tecladista), dos guitarristas Igor Podrão e Cesar Pessoa e do baterista Morto.

Com um repertório praticamente 100% focado nos clássicos INRI, de 1987, e The Laws of Scourge, de 1989, a The Laws Kill Destroy teve que conquistar público, tarefa que parecia difícil no começo da noite. Nas primeiras músicas, a pista do Jokers ainda estava praticamente vazia e o público parecia não fazer a menor ideia do que estava acontecendo. Isso permaneceu durantes as três primeiras músicas da noite, “The Black Vomit”, “Satanas” e “Satanic Lust”.
Nessa trinca inicial, o vocalista era Pedro Nicolsky, que, entre a terceira e a quarta música, chamou Rodrigo Malevolent ao palco. De primeira, Malevolent já tentou animar a plateia e pediu um pouco mais de empolgação: “e aí, seus demônios! Parece que estão desanimados…”, lamentou o vocalista.
A partir daí, no entanto, o show engatou e, aos poucos, a plateia foi crescendo e sendo totalmente contagiada pela energia da banda. Isso não se deve a uma incompetência de Nicolsky, que faz bem seu trabalho e foi muito bem no teclado a partir daí, mas sim ao enorme carisma de Malevolent e até à força do repertório que a banda apresentou a partir desse momento.
As primeiras músicas não empolgaram tanto o público, mas as coisas melhoraram consideravelmente quando o fantástico álbum The Laws of Scourge passou a conduzir o repertório. Com uma abordagem mais técnica e mais puxada para o death do que para o black metal, as músicas dão a oportunidade dos músicos apresentarem todo seu potencial.
Todos tem uma performance excelente: a dupla de guitarristas executa riffs rápidos e solos complexos, enquanto Morto faz jus ao revolucionário trabalho de bateria apresentado nos discos clássicos da banda. O baixo de Minelli, privilegiado pela mixagem, também é perfeitamente executado, tanto nas partes rápidas quanto em algumas frases mais melódicas nas canções de The Laws of Scourge.

Foram executadas em sequência três músicas do álbum: a faixa-título, “Screeches from the Silence” e “Prelude to a Suicide”. Todas são brilhantes composições de death metal e foram apresentadas com uma energia tremenda, comprovando o tesão de todos os músicos em levar a música do Sarcófago para novas gerações.
Nas interações de Malevolent com a plateia, jamais faltavam variações de “e aí, seus demônios!” e “e aí, seus fodidos!”. Um momento bacana foi quando o vocalista brincou que só tinha “velhos” na plateia. “A maioria aí deve ter visto o Sarcófago ao vivo, só tô vendo a ‘véiarada’. Alguém aí tem menos de vinte anos?”, perguntou, e riu da falta de respostas.
Em seguida, a banda toca “Orgy of Flies” e a magnífica “Midnight Queen”, que certamente foi o grande momento do show. Percebendo que a plateia havia sido totalmente capturada, o vocalista se abaixou e colocou o microfone na boca de alguns fãs para cantar o refrão.
A última música, “Nightmare”, encerrou o show com chave de ouro e trouxe uma bela performance de Malevolent, que usou a corda de seu microfone para encenar um enforcamento no final da música. Com a gentileza típica de bandas de metal extremo, as últimas palavras proferidas durante o show foram: “vão todos para o inferno, seus demônios! Seus fodidoooooooos”.
Repertório – The Laws Kill Destroy
The Black Vomit
Satanas
Satanic Lust
INRI
Sex, Drinks & Metal
The Laws of Scourge
Screeches from the Silence
Prelude to a Suicide
Orgy of Flies
Midnight Queen
Nightmare

Archgoat
Com a tarefa difícil de seguir uma apresentação tão forte quando a do The Laws Kill Destroy, o Archgoat subiu ao palco com a missão de apresentar seu black metal clássico, sem grandes firulas, e o cumpriu com competência.
Oriunda do final dos anos 1980, a banda foi uma das primeiras do black metal finlandês e encapsula todas as marcas registradas do gênero: riffs pesadíssimos, letras satânicas, anti-cristãs e ocultistas, ritmo que oscila entre a velocidade extrema e um ritmo cadenciado que deixa o som ainda mais pesado, e um visual marcado por maquiagens e máscaras.
A atual formação conta com o vocalista e baixista Angelslayer, o guitarrista Ritual Butcherer e o baterista Goat Agressor. A performance do trio é poderosíssima: mesmo que o baixo aparentemente não tenha tanto destaque, em alguns momentos que Angeslayer deixa de tocar, a ausência é sentida e, quando o baixo volta, o papel do instrumento para a banda se torna claríssimo.
Goat Agressor, por sua vez, tem uma apresentação monstruosa, espancando a bateria com toda a força que tem no corpo. Nos momentos em que o baterista utiliza blast-beats, sua força é tanta que fica difícil escutar os outros instrumentos, pois o equipamento de som é completamente tomado pela agressividade da bateria.
Ritual Butcherer oferece riffs pesadíssimos que alternam com momentos de tremenda rapidez, caracterizando a banda como uma representante do mais puro tipo de black metal. Outro aspecto que afirma esse status da banda é o vocal gutural de Angeslayer, que continua utilizando a voz mesmo nos raros momentos em que se comunica com o público, o que faz com que seja muito difícil entender qualquer palavra que saia de sua boca.
No repertório, tiveram bastante espaço os trabalhos clássicos da banda do início dos anos 1990. O EP Angelcunt (Tales of Desecration) foi o lançamento mais representado, com quatro músicas: “Rise of the Black Moon”, “Death and Necromancy”, “Soulflay” e “Black Messiah”. Daquela época, também foi performada “Penis Perversor”, que fechou o show.
O Archgoat tem cinco discos de estúdio, e todos eles foram representados por pelo menos uma música no repertório. Os favoritos foram The Apocalyptic Triumphator e The Luciferian Crown, com três músicas cada. Whore of Bethlehem teve duas representantes, enquanto The Light-Devouring Darkness e Worship the Eternal Darkness, o mais recente lançamento, tiveram apenas uma de suas faixas no set.
Já aquecido pelo show do The Laws Kill Destroy, o público pareceu curtir bastante a apresentação do Archgoat, mas sem uma empolgação excessiva. Os icônicos chifrinhos com a mão subiam ao ar ao final de praticamente todas as músicas, mas nenhum mosh pit se abriu ao logo da noite toda, o que é muito pouco usual, quase impossível, em um show de metal extremo.
Repertório – Archgoat
Heavens Ablaze
Lord of the Void
Jesus Christ Father of Lies
The Apocalyptic Triumphator
Goat and the Moon
Messiah of Pigs
Darkness Has Returned
Rise of the Black Moon
Goddes of the Abyss
Nuns, Cunts and Darkness
Hammer of Satan
Grand Luciferian Theophany
Black Messiah
Death and Necromancy
Soulflay
Penis Perversor
