[Lista] As 10 duplas de guitarristas mais icônicas do rock

Por Luís S. Bocatios

Ao longo da história do rock, algumas bandas se destacaram pela força criativa de duplas de guitarristas que dividiram os riffs, solos e harmonias com maestria. Seja alternando entre base e solo, seja tocando lado a lado em perfeita sintonia, essas parcerias ajudaram a moldar o som de bandas e gêneros indispensáveis na história do rock. A seguir, listamos dez das duplas de guitarristas mais icônicas de todos os tempos:

John Lennon & George Harrison (The Beatles)

É impossível fazer qualquer lista sobre a história do rock e não começar citando a banda mais importante de todos os tempos: The Beatles. Mesmo com a incrível evolução da banda ao longos dos anos, a dupla de guitarristas, formada por John Lennon e George Harrison, se manteve sempre com o mesmo papel: Lennon fazia a base, Harrison os solos e harmonias.

Desde os primeiros discos, há canções com dinâmicas interessantíssimas entre as guitarras, como “All My Loving” e “I Need You”, mas, à medida em que as composições e os arranjos foram ficando mais complexos, as guitarras também passaram a se destacar por momentos mais trabalhados, como pode ser visto em “And Your Bird Can Sing” (nessa música, a dupla de guitarras é formada por Harrison e Paul McCartney), “Nowhere Man” e “You Never Give Me Your Money”.

Keith Richards & Mick Taylor (The Rolling Stones)

Após a morte de Brian Jones, em 1969, os membros remanescentes da The Rolling Stones recrutaram o jovem Mick Taylor, na época com 20 anos, para se juntar à banda. O garoto havia se destacado no disco Crusade, que gravou com o John Mayall’s Bluesbreakers (mesmo grupo que revelou Eric Clapton e Peter Green), por sua capacidade incrível de solar alinhando técnica e feeling, como sempre foi necessário para fazer sucesso no meio do blues-rock.

Suas primeiras gravações com os Stones foram lançadas no álbum Let it Bleed, de 1969, mas a real contribuição de Taylor para a banda começa a partir da obra-prima Sticky Fingers, de 1971. Nela, o guitarrista mostra todo o seu potencial de solos, riffs e levadas que tornariam a época em que participou da banda na era de ouro da mesma.

Foi com a entrada de Taylor que Keith Richards mudou totalmente seu estilo de tocar, atendo-se às bases, tirando a corda mizona de sua guitarra e afinando-a em sol maior. Seu modo de composição foi totalmente afetado e gerou os riffs mais marcantes da banda, como “Brown Sugar”, “Rocks Off” e “Tumbling Dice”.

Dickey Betts & Duane Allman (The Allman Brothers Band)

A dinâmica da dupla de guitarristas da The Allman Brothers Band é uma das mais complexas dessa lista. Enquanto Dickey Betts é um clássico guitarrista de blues-rock, que utiliza da escala pentatônica mais do que de qualquer outra coisa, Duane Allman é um inovador nato, que arquitetou um som totalmente novo a partir de seu uso melódico e magnífico da slide-guitar.

Mesmo com técnicas absolutamente diferentes, a dupla conseguia funcionar de forma incrivelmente homogênea e gerar momentos de guitarras harmonizadas brilhantes. A diferença na abordagem dos músicos trazia uma variedade enorme para o som da The Allman Brothers Band, ao mesmo tempo em que, quando precisava funcionar em conjunto, o fazia de forma natural e inigualável.

Brian Robertson & Scott Gorham (Thin Lizzy)

É impossível falar em guitarras harmonizadas no rock sem falar em Thin Lizzy, especificamente na dupla de guitarristas que integrou a banda entre os anos de 1974 e 1978, gravando cinco álbuns clássicos em sequência: Nightlife, Fighting, Jailbreak, Johnny the Fox e Bad Reputation (sem falar no majestoso Live and Dangerous, um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos).

O duo não apenas entregava licks harmonizados e bases fenomenais como também trazia dois músicos absolutamente hábeis, capazes de brilhar tanto em conjunto quanto por si só. Com dinâmicas diferentes em cada música, a dupla se destaca como uma das mais criativas e simbióticas da história do rock.

Angus Young & Malcolm Young (AC/DC)

Os irmãos Angus e Malcolm Young são responsáveis por alguns dos riffs mais icônicos da história do rock: “Back in Black”, “Highway to Hell”, “You Shook Me All Night Long”, “Thunderstruck” e “Hells Bells”, algumas das músicas mais famosas de todos os tempos, são apenas uma pequena parte do currículo inacreditável dos irmãos.

Com uma química que vem de berço (literalmente) e papeis muito bem estabelecidos (Malcolm se restringe a fazer a base, sendo um dos principais elementos que fazem a banda pulsar), a dupla ainda tem joias escondidas como “Overdose”, “Riff Raff” e “Down Payment Blues” para comprovar o quão mágica era a interação entre suas guitarras, que são as principais responsáveis por inserir o AC/DC de forma incontestável no olimpo das maiores bandas da história do rock.

Glenn Tipton & K.K. Downing (Judas Priest)

Assim como a dupla do Thin Lizzy, Glenn Tipton e K.K. Downing tem uma relação quase simbiótica no sentido da química ser tão grande que fica difícil saber quem está tocando cada uma das partes. Juntos por quase 40 anos, os músicos proporcionaram alguns dos momentos mais gloriosos da história do heavy metal.

A dinâmica também é flúida, com os músicos intercalando momentos em que fazem base e solos, além de também estarem no panteão de guitarristas que melhor harmonizam seus instrumentos. Alguns trabalhos inesquecíveis da dupla são “Tyrant”, “The Ripper”, “Starbreaker”, “Exciter” e “The Hellion”.

Dave Murray & Adrian Smith (Iron Maiden)

A clássica dupla de guitarristas do Iron Maiden, que integrou a banda de Killers (1981) até Seventh Son of a Seventh Son (1988), é tremendamente influenciada pelas já citadas duplas do Thin Lizzy e do Judas Priest. Com harmonizações inesquecíveis e alguns dos riffs mais famosos da história do heavy metal, Dave Murray e Adrian Smith ainda se destacam por estarem entre os melhores solistas do gênero, mesmo com estilos muito diferentes.

Enquanto Murray tem ligados incrivelmente rápidos e exibe uma técnica apuradíssima, Smith vai para um lado mais melódico, oferecendo solos lindíssimos e extremamente criativos. Mesmo que também haja belos momentos nas duas outras duplas de guitarristas do Maiden, que traziam Denis Stratton e Janick Gers ao lado de Murray, é impossível negar que o duo da fase clássica da banda seja o mais merecedor de estar nessa lista.

James Hetfield & Kirk Hammett (Metallica)

A banda mais bem-sucedida da história do thrash metal tem como um de seus grandes trunfos a química entre James Hetfield e Kirk Hammett. Enquanto Hetfield é um mestre de riffs e bases rápidas (sua mão direita vem sendo fonte de estudo nos últimos 40 anos), Hammett é um solista competente com momentos de brilhantismo. A dinâmica entre os dois traz momentos de harmonização, como no fabuloso solo de “Master of Puppets”, e outros em que as guitarras fazem coisas diferentes mas se encaixam perfeitamente, como nas introduções de “Fade to Black” e “One”.

Ainda há ocasiões em que a base de Hetfield segura o ritmo para que Hammett possa adicionar uma camada extra de melodia e grandiosidade à canção, como pode ser conferido em “For Whom the Bell Tolls”, que talvez seja a música que melhor exemplifica o trabalho em conjunto da dupla, por trazer um pouco de cada um dos motivos que a torna tão icônica.

Jeff Hanneman & Kerry King (Slayer)

Entre as bandas mais famosas da história do metal, o Slayer certamente é a mais pesada delas. Muito disso se deve à dupla de guitarristas formada por Jeff Hanneman e Kerry King, que ostentam uma rapidez inacreditável nas palhetadas e transformam a banda em, possivelmente, o maior expoente do metal extremo, com um thrash metal que constantemente chega a flertar com o death metal.

A dupla alterna entre solos e base, nos quais ambos os músicos são excelentes, e entrega as harmonizações mais assustadoras, diabólicas e sinistras que o mundo já ouviu. Os cinco primeiros discos do Slayer – Show no Mercy, Hell Awaits, Reign in Blood, South of Heaven e Seasons in the Abyss – são uma aula de rapidez, peso e “satanagem” indispensáveis para qualquer guitarrista que se interesse por metal.

Kiko Loureiro & Rafael Bittencourt (Angra)

A dupla mais recente da lista é, também, a mais técnica. Absolutamente virtuosos, Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt se completam de uma forma parecida com Dave Murray e Adrian Smith: Loureiro é rápido como ninguém e Bittencourt tem um talento melódico invejável. Para constatar isso, basta perceber que as partes mais agitadas das músicas trazem solos de Loureiro e, as mais lentas, de Bittencourt; “Rebirth” é um exemplo.

As harmonizações da dupla são incrivelmente rápidas e complexas, comprovando uma capacidade técnica incrível de ambos os músicos, que também se destacam pela habilidade de transitar entre o power metal, o prog metal e frases que remetem à música brasileira de forma totalmente natural.

Após a saída de Kiko Loureiro do Angra, em 2015, o excelente Marcelo Barbosa entrou na banda e gravou dois excelentes discos que o consolidam como outra belíssima dupla de Bittencourt, mas a importância do duo original de uma das bandas mais importantes do metal brasileiro é incomparável.

Foto: Pri Oliveira

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