Bush
01 de abril de 2025
Ópera de Arame
Curitiba/PR
por Clovis Roman e Kenia Cordeiro
O britânico Bush, liderado por Gavin Rossdale, se destacou na segunda metade dos anos 1990, com uma série de grandes hits, mas depois saiu do radar do grande público. Todavia, mesmo com um hiato de alguns anos, a banda segue trabalhando e lançando discos bastante interessantes. Inclusive, em breve sai I Beat Loneliness, décimo disco de estúdio em pouco mais de três décadas de estrada. Não tivemos nenhuma prévia desse trabalho nos shows pelo Brasil, afinal, os caras estão em meio a Loaded: The Greatest Hits Tour.
Assim sendo, o que os fãs curitibanos presenciaram foi um repertório bastante restrito, focado principalmente no debut Sixteen Stone (1994), representado por cinco faixas. Maior sucesso comercial, tendo chegado a nº 1 nas paradas dos norte-americanos e 2º no Reino Unido, Razorblade Suitcase (1996) teve apenas duas canções no setlist. “Personal Holloway”, “Cold Contagious”, “Mouth”? Esquece.

Sem contar que uma desse par, “Swallowed”, foi apresentada em uma versão monótona, quase parecendo um momento gospel. Se fosse para tocar uma música apenas guitarra e vocal, a antiga Bonedriven, do mesmo disco, teria funcionado melhor. “Swallowed” foi feita para ser tocada em seu arranjo original. Pelo menos, a furiosa “Greedy Fly” foi performada como no disco.
Os dois mais recentes: The Kingdom e The Art of Survival tiveram três cada. Se a ideia da turnê é um ‘greatest hits’, a divisão ficou um pouco desproporcional. Mesmo assim, os trabalhos atuais mostram que o Bush segue relevante artisticamente. A pulsante “Bullet Holes” casou perfeitamente com a tensa “The Chemical Between Us”, que cresce muito ao vivo. Não à toa, Rossdale interagiu com o público, bangeou e se ajoelhou no chão (aqui, como em outras canções do repertório, sem empunhar a guitarra, apenas com o microfone em mãos). Os vocais estavam cristalinos em qualquer momento da canção.

Sobre o material da segunda fase, “Identity” e “More Than Machine” se destacaram pelo peso, e “Heavy is the Ocean” (com destaque para a performance agressiva de Nik Hughes) pelo clima sorumbático. A pulsante “Quicksand” escancarou o uso de vocais pré-gravados: o vocalista foi pro meio da galera, passando entre fileiras de cadeiras e os fãs, cantando de maneira perfeita cada nota. Em determinado momento, na muvuca, afastou o microfone da boca, enquanto o som da voz continuava saindo nas caixas. O recurso ficou evidente também em outros momentos da performance, como em “More Than Machines”.
Para quem queria se apoiar na nostalgia, o encerramento com “Glycerince”, com Gavin sozinho no palco, em momento apoteótico, e a fantástica “Comedown”, saciaram os desejos. O show teve cerca de 80 minutos, um tanto curto, mas muito efetivo enquanto durou, mesmo que mais um par de canções não teria caído mal. “Cold Contagious” e “Mouth” teriam sido a cereja no bolo. No repertório, ficaram de fora os álbuns Golden State (2001), The Sea of Memories (2011), Man on the Run (2014) e Black and White Rainbows (2017), mas não fizeram tanta falta assim. O que importa é que, sejam músicas antigas, sejam de trabalhos mais recentes – e seja com playback ou não -, tudo o que o Bush apresentou no palco da Ópera de Arame foi digno de nota alta.

Músicas
Everything Zen
Machinehead
Bullet Holes
The Chemicals Between Us
Greedy Fly
Quicksand
The Sound of Winter
Swallowed
Heavy Is the Ocean
Flowers on a Grave
Little Things
More Than Machines
Glycerine
Comedown
