[Entrevista] Spine Shiver compartilha suas influências e planos para o futuro

Misturando o espírito das estradas norte-americanas com a alma roqueira brasileira, a banda Spine Shiver vem se destacando por explorar um território musical pouco comum no Brasil: o southern rock. Formado por músicos com influências diversas, mas unidos pelo gosto em comum por sons carregados de riffs marcantes e atmosfera country, o grupo lançou seu primeiro álbum, The Road, em 2020 — e desde então vem ganhando espaço tanto no cenário nacional quanto nas plataformas digitais. Nesta entrevista, a banda fala sobre suas influências, desafios no mercado brasileiro, os planos para o novo álbum e a expectativa para 2025.

O southern rock é um gênero muito popular nos Estados Unidos, mas raramente visto em bandas brasileiras. O que te inspirou a montar uma banda que faz parte de um gênero tão pouco abordado por artistas brasileiros?

A gente nunca parou pra pensar “vamos fazer Southern Rock” desde o começo. No início, a ideia era só compor um som que tivesse essa vibe mais estradeira, algo que combinasse com pegar a estrada ouvindo um bom rock. Mas conforme fomos compondo, as influências foram surgindo naturalmente, e o pessoal começou a associar a banda com o Southern Rock. Quando percebemos, já estávamos totalmente imersos no estilo, tanto musicalmente quanto visualmente. E como o Brasil tem poucas bandas que exploram essa pegada do Southern, achamos que valia a pena abraçar esse caminho e fazer isso do nosso jeito.

Apesar de todas as bandas de southern rock terem certas características similares, há uma diferença de sonoridade entre algumas delas. Por exemplo: enquanto o Creedence Clearwater Revival tem um instrumental super simples, a The Allman Brothers Band é extremamente técnica; enquanto o ZZ Top tem guitarras pesadas, o Ozark Mountain Daredevils tem músicas que parecem ter sido gravadas em um celeiro no interior do Arizona, com banjos e outros instrumentos diferentes. Dentro dessa diversidade vista no gênero, quais bandas você diria que o Spine Shiver tem uma sonoridade parecida?

A gente acaba misturando um pouco de tudo. Se for pegar um paralelo, diria que temos a pegada de riff forte e direto do ZZ Top, mas também curtimos fazer aquelas levadas mais soltas e melódicas que lembram o Blackberry Smoke. Quando fazemos nossas composições nunca fixamos o que queremos parecer ou que estilo tecnico seguir, as composições surgem naturalmente, então até finalizarmos a musica nunca sabemos muito bem o estilo que a musica pode parecer, igual a Most Wanted nosso último single, durante o processo de criação da musica surgiu naturalmente os elementos como o baião e o flamenco.

Existe alguma banda que não é de southern rock mas mesmo assim exerce uma influência considerável no som da Spine Shiver?
Sim, quando formamos a banda tínhamos o Van Halen como uma grande influência pra nós, tanto que a Spine começou tendo um tecladista na banda. Se for levar pelo lado pessoal de cada integrante somos bem diferentes no que escutamos no dia a dia, porém o Southern e Country é um dos estilos que esta no gosto de todos da banda, acho que por isso que acabamos indo para o lado mais Southern.

Quais são os principais desafios para uma banda de southern rock se estabelecer no cenário brasileiro?

O primeiro desafio é que muita gente nem sabe o que é Southern Rock. A maioria conhece uma ou outra música do Lynyrd Skynyrd e do Creedence, mas não liga o nome ao gênero. Então a gente precisa apresentar esse som pro público e mostrar que, apesar de ser um estilo forte nos EUA, ele tem muito a ver com o Brasil também, com essa coisa da estrada, do interior, do country misturado com rock. Outro desafio é que os bares e eventos ainda prioriza muito bandas covers, então quem faz som autoral precisa batalhar o triplo pra conseguir conseguir um espaço pra se apresentar.

O álbum de estreia da banda, The Road, foi lançado em 2020. Quase cinco anos depois, como você vê a recepção do álbum pelo público e pela imprensa especializada?

No começo foi complicado porque assim que lançamos o album estourou a pandemia então ficamos muito limitado com a divulgação normal que seria tocar em festivais e bares, então tivemos que nos adaptar, fizemos diversas lives inclusive uma em parceria com a Harley Davidson. Mesmo com todo esse problema da pandemia, sentimos que a recepção foi muito melhor do que a gente esperava. No começo, a gente só queria lançar um álbum pra registrar nosso som, mas com a musica The Road (faixa título do album) acabamos tocando em varias radios inclusive gigantes do mercado como a KISS FM e a 89 FM, também entramos em varias playlists no spotify que ajudou muito na divulgação do nosso som.

A banda já tem planos para um novo álbum? Se sim, você diria que as canções seguem uma linha similar à do álbum de estreia ou que elas vão por um caminho diferente?

Sim, já estamos trabalhando em novas músicas, que inclusive sairão este ano ainda. Já temos 3 singles lançados desde o primeiro album, The Council, Nightsong e o último som Most Wanted. O álbum novo vai manter o espírito do primeiro, mas com algumas evoluções que já são perceptiveis nesses ultimos singles. Acredito que nos próximos lançamentos estaremos experimentando mais com harmonias vocais, trazendo influências ainda mais fortes do blues e do country em algumas faixas. Mas também tem músicas com riffs mais pesados e diretos. Vai ser um álbum mais maduro, mas sem perder a identidade do Spine Shiver.

Quais são os próximos passos do Spine Shiver?

Além do álbum novo, estamos focados em continuar levando nosso som pro máximo de lugares possível. Temos alguns festivais e eventos em negociação por todo o Brasil fortalecendo mais nossa presença na cena nacional, também estamos investindo na produção audiovisual, em breve sairá um documentário sobre nós, sem contar com os clipes novos e conteúdos pra internet como o vlog dos bastidores da banda que estamos postando regularmente no youtube, e também com o conteudo diário que postamos no instagram que nos aproxima com o público.

Qual é a expectativa da banda para o ano de 2025?

2025 promete ser um ano gigante pra gente. Com o novo álbum na estrada queremos expandir ainda mais nosso público, tocar em mais festivais e quem sabe, até pintar uma oportunidade internacional. O plano é seguir firme, levando o Southern Rock brasileiro pro maior número de ouvidos possível!

Foto: Reprodução/Site oficial

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