[Resenha] Ocean Grove – ODDWORLD

Ocean Grove – ODDWORLD
(Shinigami Records – nacional)

por Clovis Roman

O nome da banda e o estilo da capa são bastante sugestivos. Ao analisá-los, MetalCore e New Metal me vieram à mente. Há até uma tentativa de despistar o ouvinte, com a introdução “Og Forever” focada em elementos eletrônicos dançantes. Porém, logo tudo entra nos eixos com a faixa de abertura de fato, “Cell Division”, e podemos conferir o poder de fogo do grupo, com referências claras de Linkin Park. Scratches, melodias fáceis em momentos oportunos, baixo pulsante e hipnótico, mescla de vozes gritadas e limpas são os principais elementos explorados.

A sequência do álbum do Ocean Grove, com “Fly Away” e “Stunner” (a melhor das três, com reminiscências de System of a Down na introdução guiada pelo contrabaixo), mantém a mesma pegada, mesmo que desvendem, aos poucos, um diferencial do Ocean Grove em relação a outros grupos do estilo: musicalidade. Os arranjos são bem feitos, há uma preocupação em manter a harmonia entre os instrumentos e a construção das faixas. Nao é o peso pelo peso, tampouco a necessidade de soar agressivo ou esquisito sem propósito.

O curtíssimo disco – tem apenas 25 minutos de duração em oito músicas, totalizando dez faixas com a intro e o interlúdio “No Offence Detected” -, segue com “Raindrop”, que mescla música eletrônica de rave, nu metal e rock alternativo, soando próximo da atual fase do Linkin Park. A música é tão boa que o fato dela ter menos de três minutos se torna seu único defeito. Quem busca agressividade é atendido com “My Disaster”, com passagens bastante agressivas e outras com os elementos naturais ao grupo e linhas vocais ‘rapeadas’.

Enquanto “Last Dance” é uma faixa bacana, “Sowhat1999” se perde com as partes chatas, que quase anulam os bons momentos da canção – como, por exemplo, o ótimo e afiado riff de guitarra na parte mais pesada. A saideira prematura vem com “OTP”, que traz participações especiais de New Babylon e Adult Art Club. O resultado é um rap soturno e pouco memorável, mas digno.

ODDWORLD é um disco que pode até mesmo encontrar simpatizantes de outras vertentes da música pesada, justamente por este diferencial artístico que os distancia do marasmo dominante do estilo que o grupo é adepto. No encarte, a informação sobre o lineup é curiosa: ‘O Ocean Grove sempre será’: Luke Holmes e Dale Tanner (vocais), Twiggy Hunter (baixo), Sam Bassal (bateria e guitarra) e Matthew Kopp (samples, teclados, vozes). Se mantiveram a unidade, o próximo disco dos australianos pode vir ainda melhor.

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Músicas

  1. OG Forever
  2. Cell Division
  3. Fly Away
  4. Stunner
  5. Raindrop
  6. No Offence Detected
  7. Last Dance
  8. SOWHAT1999
  9. OTP (New Babylon & Adult Art Club)

Foto: Assessoria SharpTone Records (Reprodução)

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