Vukovi – My God Has Got a Gun
(Shinigami Records – nacional)
por Clovis Roman
A banda escocesa Vukovi, formada por Janine Shilstone (vocal) e Hamish Reilly (guitarra), surgiu em North Ayrshire e lançou em 2025 o álbum My God Has Got A Gun. Produzido por Machine no estúdio The Machine Shop, em Austin (Texas), o disco foi desenvolvido durante semanas intensas de gravação e conta com arte criada pela vocalista. Concomitantemente, realizaram a primeira turnê como co-headliner nos EUA com o Calva Louise, e participaram num passado recente de grandes festivais como Welcome To Rockville, Sonic Temple, Download Festival, Rock For People e Graspop.
A arte torta, que não indica de maneira alguma qual o estilo do conjunto, chega a incomodar – não tem nem logotipo ou o nome do disco na capa, apenas uma ilustração de uma parte de um corpo com traços bizarros. O jeito é colocar o disquinho no som e esperar pelo melhor. A intro “This Is My Life And My Trauma” desperta a atenção do ouvinte, impactado pelas variações de climas da primeira música de fato, “Gungho” (que não é Gung-Ho, do Anthrax), alternando peso e vozes agressivas com passagens mais brandas e melodias mais delicadas. As partes mais barulhentas são bem melhores.
A faixa-título é mais gritada, e aqui, tudo soa coeso e conciso. Por sua vez, “Fallen Beyond” surge mais palatável, com uma performance irrepreensível de Janine; um grude instantâneo para quem consome o que o metal tem de mais moderno na atualidade. Deveria ter sido o primeiro single do álbum, que mostra uma guinada na carreira. Foi o primeiro com o novo selo, SharpTone Records (com lançamento nacional pela Shinigami Records), e também lapidou as arestas, deixando de lado os toques mais experimentais para fazer algo de mais fácil assimilação. Deu certo. Até porque conseguiram fazer uma música com título “Fuc Kit Up” soar radiofônica.
O lado B do trabalho segue com “Misty Ecstasy”, cujos primeiros momentos remete a fase inicial do Vukovi, mas sem soar deslocada neste CD. “SNO” tem nos primeiros versos uma melodia que lembra bastante uma música da Kate Perry (é uma famosa, mas eu não sei o nome, pois não consumo este tipo de música); e em seu decorrer, aposta em algo mais rock alternativo, com guitarras mais discretas e bateria ditando o ritmo.
Mesmo sendo mais introspectiva, “Cowboy” mantém as diretrizes e é um dos destaques. A segunda metade do play é mais contida, com as camadas sonoras sendo bem mescladas, com destaques aqui e acolá para uma pegada específica. Tudo é bastante coeso, a ponto das músicas menos impactantes não puxarem a nota final do disco para baixo: “Peel”, por exemplo, é uma das menos empolgantes, todavia, funciona no todo.
O parte final de My God Has Got a Gun conta com “Kitty”, densa e enérgica no refrão, chega a lembrar algo dos materiais mais modernos que o Within Temptation vem lançando, só que menos pomposo. A maior faixa do CD é a que o encerra. “Bladed” também tem esta similaridade, com um ar meio sci-fi e novamente uma performance estonteante de
Janine. Em resumo, é um disco muito bom, e soa como se alguma musa pop gravasse um disco botando uns gritos aqui e acolá e com uma banda de verdade. Conceito bastante interessante.
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Músicas:
- This Is My Life And My Trauma
- Gungho
- My God Has Got A Gun
- Fallen Beyond
- Fuc Kit Up
- Misty Ecstasy
- Sno
- Cowboy
- Peel
- Kitty
- Bladed
Foto: Cameron Brisbane
