Neckbreaker – Within the Viscera
(Shinigami Records – nacional)
por Clovis Roman
O álbum Within the Viscera, que marca a estreia discográfica dos dinamarqueses do Neckbreaker, chegou sem qualquer pretensão aqui na redação, mas me pegou pela jugular assim que dei o play. Com lançamento internacional da Nuclear Blast Records, o trabalho chega ao Brasil pela conceituada Shinigami Records, em uma prensagem inicial de 500 cópias, uma quantidade que deve logo se esgotar. Basta eles caírem nas graças dos brasileiros. Lá fora, os caras já conquistaram a Europa em cima do palco; são 16 países visitados, de acordo com o setlist.fm.
A banda, que antes se chamava Nakkeknaekker (a troca pela atual alcunha se mostrou muito acertada), bota as cartas na mesa logo de cara. “Horizons of Sparks” desponta pelo dinamismo que traz um frescor nem sempre encontrado por aí. Ao mesmo tempo, não parecem ser uma banda que surgiu há pouco tempo, e que tem músicos ainda bastante jovens. É possível notar uma pegada thrash metal, no que tange a troca constante de partes. “Shackled to a Corpse” reúne todos estes elementos, e suas partes iniciais lembram muito o Cannibal Corpse em seus momentos mais cadenciados (ou então, para referenciar um artista nacional, me remeteu a algo que o fabuloso Gammoth faria); “Unholy Inquisition” tem diretrizes similares. É impressionante como eles conseguem soar modernos sem cair no terreno pantanoso dos irritantes breakdowns, uma praga que assola a música pesada há algum tempo. Aqui, o vocal de Christoffer Kofoed chega a lembrar o gigante Dave Ingram, do Benediction.
As músicas tem, em média, 5 minutos de duração, o que resultou em um disco de apenas nove músicas e 46 minutos de duração. A princípio, pode parecer um pouco intragável, mas o efeito é exatamente o inverso. O disco acaba como num piscar de olhos. A fúria e a grande capacidade de composição dos garotos é acima da média. Na primeira audição, parece que poucos segundos haviam passado, e eu já estava em “Nephilim”, com alguns dos vocais mais podres do disco e partes mais focadas no death metal clássico, com uma leve pitada de groove.
A produção limpa mas ainda visceral, a qualidade técnica dos músicos e as músicas bem estruturadas e violentas, são os principais elementos de um disco que soa como um murro na cara, com partes velozes em profusão, mas sem deixar de lado solos doentios, e colossais partes arrastadas.
“Purgatory Rites” apresenta partes com uma saudável pegada de Carcass, e até mesmo algo do caótico Portal. A despeito de ser, por definição, um disco de death metal, é possível notar elementos do hardcore em “Face-Splitting Madness” e o thrash em “SILO”, com passagens que poderiam vir de um disco do Lock Up. Por sua vez, “Absorption” remete aos poloneses do Vader nos momentos iniciais, até mesmo o vocal soa mais próximo do Piotr “Peter” Wiwczarek. Apesar da abundância de referências, o Neckbreaker não soa como um híbrido de influências e nada mais. Há suor, sangue e identidade aqui.
O encarte é bem legal, mas eu ainda acho que eles deveriam ter colocado a logo e o nome do disco na capa. Eles são uma banda nova, afinal de contas. A versão nacional, da Shinigami Records, vem em acrílico, com um OBI, o que já se tornou uma marca registrada da gravadora. Da formação que gravou Within The Viscera, o baterista Anton Bregendorf (então com 18 anos) já caiu fora. Estão no time, no momento: Sebastian Knoblauch (baixo), Joakim Kaspersen e Johan Lundvig (guitarras) e Christoffer Kofoed (vocais), cujas idades não encontrei, mas devem ter mais ou menos a mesma faixa etária. Na foto que consta no encarte, é uma piazada. E é animador ver que gente que ainda se classifica como ‘teen’ já está fazendo música de qualidade por aí. Que para cada Lorna Shore espalhado pelo mundo, exista um Neckbreaker para compensar a balança. O metal ainda vive.
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Músicas
- Horizon Of Spikes
- Putrefied Body Fluid
- Shackled To A Corpse
- Nephilim
- Purgatory Rites
- Unholy Inquisition
- Absorption
- SILO
- Face-Splitting Madness
Foto: Malene Vinge Jakobsen
