[Entrevista] Fallujah: Scott Carstairs fala sobre Xenotaph, próximo disco da banda, planos de turnê no Brasil e suas influências musicais

Por Luís S. Bocatios

O Fallujah é uma banda californiana de death metal atmosférico que está prestes a lançar seu sexto álbum de estúdio, Xenotaph. Descrito como o lançamento mais ambicioso, técnico, progressivo e colaborativo da banda até então, o disco será lançado no dia 13 de junho pela Nuclear Blast Records.

O Acesso Music teve a oportunidade de conversar com o guitarrista da banda, Scott Carstairs, sobre sua carreira, suas influências, o próximo disco e as próximas turnês do Fallujah e sobre o cenário musical nos dias de hoje.

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O som característico do Fallujah é um tanto quanto difícil de descrever. É claro que tem muito de death metal, mas também alguns elementos melódicos. Como você descreveria o som da banda para alguém que nunca ouviu a sua música?

Eu diria só que é cinemático, atmosférico e imersivo. A gente já está por aí faz tempo, o nosso próximo disco vai ser o sexto, é uma banda que se desenvolveu ao longo do tempo, sabe? Eu comecei a compor para essa banda quando eu tinha dezesseis ou dezessete anos, minha jornada de aprendizado musical tem sido compor para a banda, e sempre se construiu algo meio atmosférico, de equilibrar várias camadas sonoras. A música sempre foi muito intensa, com blast-beats e seções rápidas, mas também sempre teve essa pegada atmosférica, uma coisa meio cinemática e emocional. A melhor forma que posso descrever é que somos uma banda de metal atmosférico. Alguns álbuns são mais black metal ou mais death metal, e nesse último nós tivemos muita influência do death metal técnico, porque nós quisemos voltar para as nossas raízes. Essa é a música que eu cresci ouvindo e sempre me influenciou, bandas como Necrophagist, Deeds of Flesh, Spawn of Possession, The Faceless e Psycroptic, que, mesmo sendo grandes influências pra mim, isso nem sempre ficou tão claro em alguns discos, mas nesse nós decidimos que queríamos que ele fosse muito polido, complexo e denso, mas muito melódico. É difícil de descrever e eu gosto disso, eu gosto que a banda tenha um som único, pois não gosto de ser associado com outras bandas, quero que você tenha algo único quando escuta a banda e não quero ser comparado a outras pessoas, mas é quase impossível e você não pode fazer música sem influências. Acho que essa é a melhor forma que posso descrever.

Quando escuto a sua música, algumas vezes eu sinto que é mais ou menos como soaria se o Pink Floyd fizesse death metal.

Isso é legal, já ouvi isso antes!

Isso foi uma influência pra você, bandas de fora do metal que faziam esse som mais progressivo, como Pink Floyd, Yes… você gosta desse tipo de música?

Antes de me apaixonar por metal, eu já era apaixonado por classic rock. Led Zeppelin, Pink Floyd, David Bowie, Jimi Hendrix, The Beatles…

Você acabou de citar o meu top 5 de artistas favoritos.

Aí sim! O meu tio era guitarrista e foi o responsável por me interessar por guitarra quando tinha uns onze, doze anos. Ele era professor de guitarra e, por sorte, eu ficava no carro por um pouco menos de uma hora pra ter aulas com ele, e ele se esforçava muito nas aulas. Na primeira ou segunda aula ele me deu vários CDs: a discografia completa dos Beatles, do David Bowie, do Led Zeppelin e do Jimi Hendrix. Era um saco gigantesco de CDs, e parte das aulas que eu tinha com ele era ouvir tudo isso. Eu ouvi e me tornei muito fã de todas elas, especificamente do Jimi Hendrix, aprendi tudo dele. Eu era muito jovem e só escutava as músicas que o meu pai gostava, tipo Tool, Deftones e Korn, mas a minha jornada como guitarrista foi mais com o classic rock. Eu amo como o Led Zeppelin tinha todos aqueles altos e baixos, músicas de rock e outras mais atmosféricas, como “No Quarter” e “Black Dog”, então eu sempre fui muito influenciado por músicas que te levam em uma jornada. Não é um sentimento só, como em uma música pop, mas é muito dinâmico, e eu sempre tentei colocar isso nas minhas composições. Mas é muito legal que você ouça Pink Floyd nas nossas músicas, especialmente os elementos mais emocionais, indo do depressivo ao eufórico, com guitarras que soam como um lamento. Eu já tinha ouvido essa comparação antes, e acho que tem muito a ver com o trabalho de guitarra.

Sim, e também o que você descreveu como “cinemático”. Se alguma banda chegou próximo de fazer algo parecido com um filme, é o Pink Floyd. Até quando eles não estão contando uma história — como o The Who, que faz discos que contam uma história do início ao fim — o som deles é quase como uma trilha sonora. Uma trilha sonora para a vida.

Sim, com certeza! São poucas bandas que te arrepiam quando finalmente dão aquele momento grandioso. Vai a lugares sombrios, introspectivos… é muito intenso! Eu amo Pink Floyd desde sempre e adoro essa sensação de levar a emoção ao nível dez. Tem músicas que te fazem relaxar, te mantém no mesmo lugar, mas o Pink Floyd vai até o final falando sobre a vida, a morte, e fazer você sentir isso quando está escutando a música é algo que eu amo.

Vocês tem um disco novo saindo em menos de dois meses. Há algumas novas influências sendo adicionadas ao mix do que vocês tentaram fazer em Xenotaph? Eu falei o nome do disco corretamente?

Sim, é isso mesmo. É baseado na palavra “Cenotaph” (pt: cenotáfio), mas nós criamos uma palavra diferente, que tem muito a ver com o personagem e a história, porque é um disco conceitual. Eu sou um cara mais da música, mas as letras tem todo um conceito e uma jornada, e a gente tentou fazer a música se encaixar com a jornada, é por isso que o disco começa de uma forma mais eufórica e vai ficando cada vez mais sombrio e ansioso, e no final isso se resolve, então a música reflete a jornada. Mas, além de todas as influências de death metal técnico, eu também queria tirar coisas de algumas das minhas trilhas sonoras favoritas de filmes de ficção científica, animes e do estúdio Ghibli. Eu amo os filmes do Miyazaki [Hayao, cineasta japonês] e do estúdio Ghibli e também a forma como eles usam o som nos filmes, que me parece ter influenciado um monte de outras coisas, como a trilha sonora dos novos jogos do Zelda, que basicamente tem o mesmo som das trilhas do estúdio Ghibli, com acordes suspensos que são muito ambíguos e te fazem se sentir como se estivesse flutuando. Acho que muitas dessa influências são perceptíveis na música, e eu acho isso muito empolgante. Para alguém que não é um fã da banda, mas sim um integrante, o que me deixa empolgado é prestar homenagens a coisas que são nostálgicas pra mim, ouvir os sentimentos e emoções que eu tenho quando assisto Duna, Blade Runner ou os filmes do Miyazaki, ou quando jogo Elden Ring ou Zelda, e eu acho que tem vários momentos durante o disco em que isso é perceptível, então pra mim é muito legal ouvir e pensar “poxa, isso é muito legal, me lembra daquele filme que eu adorei”. Em relação às influências técnicas, nós usamos algumas coisas que eu aprendi enquanto tirava músicas do Necrophagist ou do The Faceless em relação à mudanças de tom ou de andamento e algumas técnicas que você pode usar para guiar os ouvintes em uma direção, e também para despistá-los. Eu tenho trabalhado com música há mais de quinze anos, então eu tenho um monte de conceitos e ideias que posso implementar quando estou organizando as músicas, e acho que muito disso foi executado de uma forma muito bacana e elegante, especialmente porque nós trabalhamos como uma banda, colaboramos e pudemos confiar uns nos outros para algum feedback. Foi uma experiência muito legal, enquanto no disco anterior foi muito tedioso e introspectivo.

Isso é muito interessante! Eu tenho notado que várias bandas recentes e até alguns artistas veteranos têm se tornado cada vez mais influenciados por trilhas sonoras de cinema. Você chegou a ouvir o último disco do Bruce Dickinson. The Mandrake Project?

Ainda não! O Bruce Dickinson é incrível, mas eu não ouvi esse disco.

Tem uma música chamada “Resurrection Men” que soa como uma trilha sonora do Ennio Morricone, você pensa tipo “o que ele tá fazendo?”. Como você vê essa influência de trilhas sonoras de cinema na música em geral? Você acha que sempre esteve lá ou está ficando cada vez mais popular hoje em dia? Porque eu noto que está se tornando cada vez mais presente nas composições.

Talvez seja o fato de que as pessoas querem um som grande. Os filmes sempre foram onde você encontra um som grande, você quer um grande som cinemático com cordas, sintetizadores e coisas assim. Além disso, a música nos filmes se move com a emoção do filme, sabe? Às vezes, quando você está em uma banda, você encontra um sentimento e o espalha pela música inteira, isso é normal, mas com essas bandas novas, que tem um quê de progressivo, você quer mudar as emoções ao longo da música e pode usar técnicas que são usadas em trilhas sonoras de cinema, pois elas apresentam técnicas para mudar a emoção muito rapidamente, elas estão em um momento feliz e de repente adicionam um acorde diminuto que muda a tonalidade de maior para menor, porque o filme muda muito rápido de uma cena feliz para uma cena mais ansiosa e para uma cena triste, você pode usar essas técnicas. E eu acho que as pessoas querem mais das músicas, nós temos muitas músicas que ficam no mesmo sentimento o tempo todo e é mais empolgante ouvir uma música que te leva em uma jornada, de uma emoção para a outra e eventualmente isso se resolve, e isso é mesma forma com a qual um filme te leva em uma jornada. Então eu imagino que as pessoas queiram que a música tenha mais a oferecer, especialmente se elas trabalham em música por muito tempo, pensam “o que podemos fazer para tornar isso mais empolgante?”, você não quer ficar lançado só músicas que tenham estruturas simples, é muito mais empolgante fazer algo que é imersivo desse jeito.

Enquanto você falava eu estava pensando que as músicas pop se tornaram tão curtas e muitas delas soam sempre iguais, então, para pessoas que querem mais da música, pegar esses elementos e colocá-los em um disco conceitual, como você disse que Xenotaph é, é uma forma de vender o disco um pouco mais, não é?

Exatamente, é isso que eu gosto na música. Quando nós começamos a fazer esse álbum, nossas maiores influências eram álbuns de bandas que não são somente “beleza, eu gosto do som dessa banda”, mas também “eu gosto do álbum que essa banda fez”, como o Planetary Duality (The Faceless), as pessoas não referenciam tanto alguma música daquele disco, mas sim o disco todo, pois ele tem um sentimento que representa uma era da banda. Aquele disco tem um pouco mais de trinta minutos, mas ele tem seu próprio sentimento e sua própria emoção e você sente que eles te levaram em uma jornada, e essa é a nossa meta. Nós estávamos em uma turnê antes de começarmos esse disco, então discutimos muito nas vãs ou nos ônibus sobre como o disco novo deveria ser, como ele deveria soar, e chegamos na conclusão de que ele deveria ser um disco conceitual que soasse como uma jornada, e esse é o motivo pelo qual cada música segue as letras, começa muito eufórica e se torna meio ansiosa, depois muito sombria e tem uma resolução e tem um sentimento único como um álbum completo, não apenas como singles. Eu acho que as pessoas não vêem um álbum como uma obra artística, como nós tentamos fazer, mas sim como “ei, nós temos esse álbum, temos dez chances de fazer um single que vai nos fazer popular”, sabe? É claro que nós queremos fazer a banda crescer e queremos ter singles que impactam as pessoas, mas estamos mais focados no todo e em como cada pedaço contribui para o cenário geral. Eu venho compondo música faz muito tempo, esse é o meu sexto álbum com a banda, então eu preciso encontrar coisas que me deixem empolgado para trabalhar nas músicas, então eu realmente tenho que achar um conceito, uma ideia com a qual você pode se conectar enquanto está compondo, porque demora tanto tempo pra fazer as músicas que você tem que ter um arco temático para que, quando está se perdendo na música, posso pensar “beleza, qual é o objetivo original disso?”, e isso te ajuda a seguir em frente mais do que lentamente trabalhar em cada música, pelo menos pra mim.

Só uma curiosidade, o Ghost acabou de lançar um disco novo que tem uma música chamada “Cenotaph”.

Com C?

Isso.

Ah, eu já vi isso, tem algumas bandas que tem músicas com esse nome. Eu vi uma banda outro dia que tinha, mas não lembro agora qual é.

Tem uma banda chamada Cenotaph.

Por isso usamos o truque de trocar a primeira letra por X. Mas tem alguma outra banda, deixa eu ver aqui… a Bolt Thrower tem uma “Cenotaph”, tem alguma outra banda que eu vi também. É uma palavra muito legal, é um túmulo vazio, um monumento para alguém que não está lá, então funciona muito bem porque é meio que uma jornada psicodélica e interdimensional, é tipo “a sua alma deixou o seu corpo e foi para algum outro lugar”, funcionou muito bem. E também me dá um sentimento de ficção científica e death metal técnico, quando penso em um disco como Epitaph (Necrophagist) ou a música Xenochrist (The Faceless), que são de duas bandas que foram grandes referências para o disco. Spawn of Possession, Psycroptic… só de ouvir a palavra “Psycroptic” eu já penso em um death metal técnico com riffs rápidos e pirados. E a capa também está sensacional, aquele vermelho brilhante e um ser meio angelical e psicodélico olhando pra você. É uma vibe.

A capa é linda!

Eu estou muito empolgado com a forma como tudo se deu. Às vezes, durante a produção, você está pensando na melhor capa, nas letras, na produção… tudo isso dá trabalho, algumas coisas são mais difíceis que as outras, mas nesse disco tudo se deu da melhor forma. Tudo foi muito tranquilo, todas as músicas são muito legais… esse, pra mim, é um disco muito mágico comparado a outros que eu fiz no passado.

Mas o seu disco mais recente até agora, Empyrean, pelo o que eu vi foi provavelmente o disco mais bem-recebido da banda até agora.

Sim, com certeza foi um deles. Eu acho que o Dreamless também teve um impacto bem grande, foi o nosso terceiro disco, e o segundo também. Todos eles tiveram efeitos diferentes para as pessoas, mas eu acho que o Empyrean foi um retorno à boa forma e também foi o que emergiu da pandemia, pois isso mudou tudo sobre a banda, e acho que também muito muito na vida de muitas pessoas ao redor do mundo. Foi um momento para as pessoas recomeçarem suas vidas, e muitos se moveram em direções diferentes e começaram a fazer coisas novas. Eu sou o único membro original da banda, e eu nunca vou parar de fazer música, me comprometi a isso, e usei a pandemia para me imergir ainda mais em música. Eu comecei a fazer umas lives na twitch, nas quais eu aprendia novas músicas e as tocava quase todos os dias publicamente, então eu quis reformar a banda e que voltássemos a soar bem, então foi um processo muito tedioso e introspectivo de trabalhar intensamente na música por muito tempo, e muito disso eu fiz sozinho. Eu trabalhei muito naquele disco, e, quando penso nele, acho que é incrível e saiu muito legal, mas foi um processo muito trabalhoso e tedioso. Já esse disco novo é depois da banda ter sido reformada, com novos integrantes, e nós fizemos turnês juntos por alguns anos, e essa foi a primeira vez que sentamos e trabalhamos em um disco juntos. Não foi nem um pouco tedioso, foi muito tranquilo e o fato de que estávamos trabalhando em grupo, confiando na opinião dos outros e buscando deixar os outros empolgados, sabe? Eu gosto de escrever músicas para os meus companheiros de banda, deixá-los empolgados, ouvir sobre o que os deixou empolgados e me empurrar nessa direção, e o mesmo com eles. Foi um processo muito mais colaborativo e empolgante, enquanto no disco anterior foi muito mais solitário. Além do mais, você está compondo sem saber se você vai voltar a fazer turnês, porque, antes disso, eu vinha fazendo turnês há muitos anos, e fazendo todo aquele processo de lançar um disco e sair em turnê, e, durante a pandemia, eu fui sem saber se faria turnê ou se teria outra banda que viajaria de novo, porque ninguém sabia o que ia acontecer, então estávamos todos só esperando. Eu apostei e investi muito tempo no Empyrean, e fico feliz que tenha feito feliz, porque consegui fazer um disco que atraiu todas as pessoas que estão trabalhando comigo agora, então ele é outro disco muito especial pra mim, mas o Xenotaph é mais um disco de banda, colaborativo.

Falando em turnês, como estão os planos da banda de sair em turnê depois do lançamento do disco novo?

Estamos trabalhando em algumas turnês, uma nos Estados Unidos, uma na Europa, também queremos ir para o Japão, para a Austrália, e tudo isso está sendo trabalhado. Por sorte, os singles estão sendo bem recebidos. Baseado nos comentários e nos streams, parece que as pessoas estão gostando da direção desse disco, então eu acho que vamos conseguir ir pra estrada e fazer muita coisa. Mas não tem nada anunciado por enquanto, mas já temos algumas coisas confirmadas que estamos prestes a anunciar.

E você acha que finalmente chegou a hora de vocês virem ao Brasil? Os fãs por aqui estão ansiosos.

Sim, cara! Eu quero muito, muito ir tocar na América do Sul. Nós estávamos trabalhando com um promotor que estava organizando tudo, mas tivemos que mudar algumas coisas, mas o processo já foi iniciado. Está no topo da minha lista. Eu já fui ao México muitas vezes, mas quero ir mais ao sul. Quero ver as pessoas… eu sempre soube que as pessoas na América do Sul tem um grande amor por músicas guiadas por guitarra, isso é visível, tem muitos guitarras incríveis que saíram de lá. Vocês têm uma apreciação muito grande por um trabalho de guitarra intenso, dá pra ver isso pelos streams, pelas redes sociais. E eu também quero poder conhecer os países, os lugares, ver a cultura, comer a comida… eu amo viajar, e a América do Sul está no topo da minha lista. Nós estamos trabalhando nisso, eu vejo os comentários pedindo para que a gente vá ao Brasil, à Colômbia, e vários outros países por aí. Estamos trabalhando nisso, tomara que a empolgação que esse álbum gere faça com que a gente consiga fazer isso acontecer.

Todo mundo que eu já entrevistei fala que ficou impressionado quando chegou aqui na América do Sul e viu o nível de paixão que as pessoas têm pela música, então eu tenho certeza que vai ser muito especial quando vocês vierem pra cá.

Eu não posso esperar! Vamos fazer acontecer.

E sobre o futuro da banda, não o futuro imediato: há algum projeto sendo desenvolvido?

Eu estou muito empolgado com o grupo de pessoas que nós juntamos, eu sou o único membro original e essa meio que a segunda era da banda, é o segundo álbum do segundo vocalista, e ele transformou em dele. Eu vejo que os fãs o aceitaram muito bem e estão animados com o que ele pode fazer. O mesmo vale para o guitarrista, Sam [Mooradian]; eu e ele temos algo incrível trabalhando juntos, conseguimos tranquilamente criar novos discos e coisas novas que as pessoas vão gostar. Pra mim, esse é o primeiro disco de verdade dessa formação, porque o Empyrean foi algo que eu tive que criar para conseguir reformar a banda e atrair essas novas pessoas, agora nós somos uma banda nova, eu quero escrever mais discos com esses caras. Com o que eles trouxeram para a banda, eu posso só ser eu mesmo e escrever o que é natural para mim e isso sempre soará como a banda. Acho que é a única forma de me expressar há mais de uma década, eu só faço as minhas próprias coisas. A música sai fresca e empolgante, então estou muito animado em continuar trabalhando com esses caras. Outra coisa legal é que nasci na Califórnia e vivi lá até perto dos meus trinta anos, mas, cerca de um ano atrás, me mudei para o Tennessee e agora eu, o guitarrista, o baixista e o vocalista vivemos na mesma cidade, que é um lugar muito legal e tem um senso de comunidade muito maior do que eu jamais tive quando morava em Los Angeles ou na Bay Area. Tenho alguns amigos que moram aqui, como os caras do Entheos, que moram na rua de baixo de mim, o Mark Lewis, que gravou o Empyrean, o Dreamless e o Undying Light, ele mora a cinco minutos de mim. Tem toda uma comunidade de bandas de metal, a gente se encontra quase todo final de semana, vamos a festas. Eu tenho tocado guitarra para o Entheos, estou saindo para uma turnê europeia com eles na semana que vem, então é uma comunidade musical, nós todos estamos tentando gravar discos, fazer música, a empolgação está lá mais do que jamais esteve. Tem sido uma mudança muito legal pra mim, tenho muitos planos de fazer música com muita gente diferente, continuar fazendo música com o Fallujah. Estou animado com o futuro.

Finalmente, você gostaria de deixar uma mensagem para os seus fãs no Brasil?

Sim, é claro! Eu espero que os fãs no Brasil gostem do disco, estamos orgulhosos desse disco. Todas as bandas sempre se orgulham do disco que elas lançaram, mas eu acho que esse é muito especial para nós. A música saiu muito única e imersiva, da capa ao conteúdo lírico, a jornada… esse é um disco conceitual, e pra mim é o melhor disco que já lançamos. É o mais elegante, é o mais redondo… é uma jornada selvagem, não é domado de forma alguma. Alguns discos saem com um sentimento só, mas esse é como se você estivesse jogando RPG ou assistindo a um filme de ficção científica muito intenso. Tem seus altos e baixos, é super dinâmico e é um daqueles discos que tem tantos detalhes que você vai ter que ouvir muitas vezes. Eu espero que vocês gostem, que se torne a trilha sonora das aventuras que você tiver na vida e que a gente possa tocar ao vivo para vocês. Esse é o número um: espero que possamos ir vê-los no país de vocês e que vocês criem uma animação grande o suficiente para que as pessoas nos queiram por aí. Aproveitem o disco, é incrível!

Foto: Stephanie Cabral

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