Por Luís S. Bocatios
Lançado em 1993, Brother é o único disco da banda norte-americana Cry of Love, e uma joia escondida do rock dos anos 1990. Em meio a um cenário dominado pelo grunge e pelo alternativo, o quarteto da Carolina do Norte entregou um álbum repleto de alma, groove e riffs inspirados no rock clássico dos anos 70. Com produção de John Custer, Brother entrega guitarras orgânicas e potentes, vocais intensos e composições muito acima da média.
A sonoridade da banda inspirada por nomes clássicos como Free, Lynyrd Skynyrd, Led Zeppelin e Jimi Hendrix (The Cry of Love é o nome de um brilhante disco póstumo de Hendrix, lançado em 1970), mas com uma identidade própria que mistura southern rock, blues e hard rock. O vocal marcante de Kelly Holland, com timbre rouco e cheio de sentimento que remete a Chris Robinson (The Black Crowes), é um dos destaques do disco, especialmente em faixas como “Peace Pipe” e “Bad Thing”.
Quem comanda o disco é o guitarrista Audley Freed (que se juntou ao The Black Crowes no final dos anos 1990), que entrega solos expressivos e cheios de sentimento, com timbres orgânicos perfeitos, além de riffs absolutamente espetaculares e cheios de groove, como os de “Highway Jones” e “Gotta Love Me”. A excelente cozinha é formada por Robert Kearns (baixo) e Jason Patterson (bateria), fundamentais para construir o clima setentista que permeia o disco.
Apesar de não ter alcançado o sucesso comercial de outras bandas contemporâneas, Brother é um álbum indispensável para fãs de rock clássico. É uma obra direta e poderosa que merece ser redescoberta: para quem busca um disco intenso, com riffs pegajosos e performances viscerais, Brother é uma recomendação certeira.
