Com mais de três décadas de estrada, o Faces of Death é um nome importante do metal extremo brasileiro, tendo atravessado diferentes gerações sem perder a força e a autenticidade. Em entrevista ao Acesso Music, o vocalista Laurence Miranda, um dos membros fundadores, compartilha suas memórias sobre os primeiros passos do grupo nos anos 1990, os desafios enfrentados pela cena nacional e a evolução do metal ao longo dos anos.
O Faces of Death surgiu nos anos 1990 como uma forma de destilar toda a fúria contra as imposições da religião. Mais de três décadas depois, vocês continuam sentindo essa necessidade ou a motivação para fazer música se tornou outra?
Sim, continuamos compondo e escrevendo letras sobre a religião e suas mentiras para enganar e tirar dinheiro dos fiéis. E, também, falamos de situações que nos deixam revoltados como na música “Kiss of Death” que fala sobre a tragédia da Boate Kiss, “A Monster In The Park” sobre o Maníaco do Parque” e, por outro lado, sobre a doença do século que é a depressão na música “It’s Calling Me Out…Suicide”.
Quais foram as principais influências e inspirações para que vocês criassem a banda?
A banda foi criada no final dos anos 1980, começo dos anos 1990, e naquela época escutávamos muito thrash metal, como Slayer, Kreator, Exodus, Sepultura, Destruction, Matallica, e death metal, como Morbid Angel, Disincarnate, Sinister, Death, Krisiun, Deicide e etc., então as músicas do Faces of Death sempre foram um mix de tudo isso, inclusive com algumas pitadas de punk, como nas 2 primeiras demo-tapes, porque também escutávamos Dead Kennedys, Discharge, GBH, The Exploited e etc.
Ao longo dos anos, essas influências permaneceram as mesmas ou alguns novos artistas foram adicionados a esse caldeirão? Se sim, quais?
Permaneceram, porém algumas bandas foram adicionadas, como Decapitated, Blood Incantation, Behemoth e etc…
Lá se vão quase dez anos desde a reunião da banda, em 2016. Desde então, como você avalia esse retorno em relação ao que vocês fizeram nos anos 1990?
Nos anos 1990, a banda foi formada com amigos que andavam juntos e tal. No retorno tentamos manter isso, ter banda com pessoas que tem a mesma cabeça que você, que tem vontade de crescer profissionalmente e dar o sangue pela banda. Pra mim, se a pessoa não tem essa vontade ela está fora da banda, porque a banda não é um passatempo, saca?
Qual é a sensação de estar colhendo os frutos hoje em dia de um trabalho que foi sonhado nos anos 1990 mas ficou tanto tempo em hiato?
A melhor de todas! Ver seu trabalho sendo reconhecido é incrível. Porém nos anos 1990, morando em uma cidade do interior e sem recursos para divulgar, era muito difícil. Hoje temos a tecnologia a nosso favor. Moro em São Paulo capital, e fica mais fácil me conectar as pessoas. Vou aos shows, conheci muita gente nos shows aqui em São Paulo, conheci bangers no famoso Carro Beer do Marcelo, através do Toninho Iron, além de conhecer várias pessoas na Woodstock do Walcyr, da Impaled Records do Marcelo Formigão e do Sodom Bar do Alex. As redes sociais facilitam a divulgação da sua banda, mas nada supera conhecer as pessoas pessoalmente, que é a verdadeira rede social. Então o melhor mesmo é ir aos shows, ir as lojas de discos, ir na Galeria do Rock…
Como você enxerga a diferença da cena brasileira de metal dos anos 1990 para os dias de hoje?
Pra mim, os anos 90 foram o auge do thrash/death Metal, lembrando que metal não é moda e sim paixão, metal é um estilo de vida. Mas vejo uma molecada começando a escutar metal, a ter vontade de montar uma banda e isso é muito massa. Algumas pessoas dizem que o metal morreu e eu discordo totalmente, é só você ir aos shows de metal que sua opinião irá mudar. Veja só, vamos fazer um show em Limeira (interior de São Paulo) e lotamos um ônibus de 46 lugares para o show, isso era muito comum nos anos 90 e é muito legal ver isso acontecendo novamente.
Na sua opinião, qual é o álbum que melhor representa a essência do que é o Faces of Death?
Difícil a pergunta, hein!? Não dá para eleger apenas um álbum, essa é uma pergunta que não tem resposta.
Como as trocas de formação influenciam na sonoridade e nas composições de cada disco?
Influenciam muito, mas você precisa manter a identidade da banda, que é thrash/death Metal. Sempre deixando os músicos colocarem suas idéias e tal, porém sempre respeitando nossa essência do thrash/death Metal dos anos 1980/1990.
Quais são os planos da banda para o futuro?
Gravar um novo álbum com a nova formação. Iremos divulgar um single até julho de 2025, fazer a tão sonhada tour na Europa em 2026 e continuar divulgando a banda para abrir shows importantes no Brasil e participar de festivais que temos toda a capacidade de fazer, como o Setembro Negro e o Bangers Open Air.
Qual é o maior sonho ou objetivo profissional que a banda ainda deseja realizar?
O maior sonho é viver da música, que infelizmente no nosso país é muito difícil. São poucas bandas que conseguem, mas não vamos desistir.
Foto: Maykon Avelino
