[Resenha] Viper – Timeless

[Resenha] Viper – Timeless
(WikiMetal)

por Clovis Roman

Eu já escrevi sobre o Viper, no livro Andre Matos – A Obra. Mas nunca havia feito uma resenha de disco na banda. Afinal, desde quando sou jornalista (comecei em 1998), haviam até então, lançado um único álbum, o qual não chegou aqui na redação na época (o primoroso All My Life, 2007). Timeless, todavia, foi enviado pela WikiMetal e esta resenha assume um novo significado, afinal, foi o último álbum do baixista e compositor Pit Passarell, falecido em 2024.

A evolução do grupo foi fortemente alicerçada na criatividade de Pit, que compôs músicas atemporais, e, mostrando que tem para todo mundo, assinou diversas canções para o grupo de pop/rock Capital Inicial, cuja qual o guitarrista é Yves Passarell, irmão e também ex-integrante do próprio Viper. O grupo paulistano em Timeless é formado pelo membro fundador Felipe Machado e Kiko Shred (guitarras); o também membro original Pit Passarell (baixo e vocal), por Leandro Caçoilo (vocal), e Guilherme Martin (bateria). De lá para cá, com a partida de Pit, Daniel Matos (que, inclusive, participa desse CD em duas faixas), irmão de Andre Matos (ex-vocalista do Viper), assumiu o contrabaixo.

Timeless
Quem sabe para se conectar com o passado, a espetacular “Under the Sun” traz bons arranjos vocais e orquestrações que a aproximam de “Prelude to Oblivion”, lá dos anos 1980. A estrutura da música é forte e o refrão, simples, contagia. Lembro-me de vê-los apresentando-a ao vivo ainda antes do lançamento do disco, no Rock in Rio em 2022, e de com a faixa fica grandiosa ao vivo.

Com cara de single, “Freedom of Speech” é um rock and roll alternativo metalizado, bastante enérgica, assim como a faixa-título, na qual se destacam os ótimos riffs de guitarra. A faixa título mantém o ritmo, mesmo com vocais bastante exaltados. Quando “The Android” saiu, causa estranheza, pois é bastante diferente, mas, convenhamos, o Viper sempre mudou de disco para disco. A aura hardcore acrescenta uma certa agressividade, mas não descaracteriza o som do quinteto. Aliás, a ponte e o refrão lembram muito o The Sweet.

Um épico com praticamente dez minutos, “The War” começa frenética, com versos após versos após refrães, sem respiro. Os momentos instrumentais são inspirados, levemente apoteóticos e com passagens mais amenas, como fosse uma balada, e o todo causa uma imersão muito legal. O guitarrista Felipe Machado comentou: “Obra-prima que mostra como o Pit é um gênio. É uma música complexa, cheia de partes e referências ao próprio passado do VIPER, mas com um olho no futuro. É uma letra incrível também, muito inteligente”. O baterista Guilherme Martin complementou: “Remete ao Theatre of Fate, com um tema conceitual e 10 minutos de duração”.

Meio Coldplay, “Angel Heart” se destaca mais por ter a participação de Yves. Ela fica soterrada assim que o power metal melódico “Light of the Dark” chega com tudo, incluindo vocais altíssimos – até demais – de Caçoilo. Cada música pinta uma paisagem diferente, pois “Echoes in the Mirror” é bastante acessível, pisando no freio com versos mais amenos e peso controlado. E falando em diferente, “Vit Righta” passa pelo industrial, punk e rock alternativo sem medo algum. Não se destaca como música, mas chama atenção pela liberdade artística.

Infelizmente, “Thais” é o elo fraco de Timeless, pois nada se encaixa e tampouco se fixa na cabeça. Musicalmente, é uma balada pop. Liricamente, Martin explica a profundidade do texto: “Uma linda homenagem à ex-esposa e mãe da filha do Pit […] cantada pela Natacha Cersosimo, e com arranjos instrumentais de Hugo Mariutti e Fábio Ribeiro”; Machado adiciona: “Ele fez essa música para a Thais, nossa amiga tão querida que nos deixou tão cedo. Ela se foi na mesma época do Andre [Matos], o que tornou esse período ainda mais triste para todos nós, principalmente para o Pit”. O interlúdio “Reality” é bastante bonito, e novamente conversa com a história da banda. Seria melhor ainda se fosse mais extenso.

O canto do cisne de Pit Passarell é digno. Timeless se firma como mais um bom disco do grupo, analisando friamente após dois anos do lançamento. Não faz frente aos anteriores, mas rende bons momentos. Não é necessário comparar discos com seus antecessores para curti-lo ou não. É formidável ver a banda ainda na ativa e produzindo boas canções. E segundo o site oficial, eles já estariam trabalhando em outro, planejado para 2026. Provavelmente vai sair depois disto, mas aguardo ansiosamente. Eu amo o Viper, tenho todos os discos e os defenderei até o fim dos tempos. Mesmo quando eles errarem.

Compre o CD: https://wikimetalstore.com.br/produto/258/cd-viper-album-timeless-slipcase

Músicas
Under the Sun
Freedom of Speech
Timeless
The Android
The War
Angel Heart
Light In The Dark
Echoes In The Mirror
VIT Righta
Thais
Reality

Foto: Clovis Roman (2023)
Fonte dos depoimentos inseridos nesta resenha: https://www.wikimetal.com.br/viper-faixa-a-faixa-album-timeless/

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