[Resenha] Whitesnake – Slide it In
(WikiMetal / Oporto da Música)
por Clovis Roman
Lançado em 1984, Slide it In foi o começo da mudança no som do Whitesnake, que se concretizou com o trabalho seguinte, 1987, totalmente americanizado, mais hard rock e deixando o blues para trás. Slide it In se beneficia de um lado A perfeito. O lado B segura as pontas, sem hits, mas extremamente sólido.
A versão que temos em mãos é a US Mix, com uma bateria menos trovejante, e um acabamento mais polido e radiofônico. Não é um problema, todavia. Ambas as versões são bastante satisfatórias. Para o mercado estadunidense, a ordem da tracklist foi trocada, mas são as mesmas dez músicas que da mixagem original, a chamada UK Mix.
As guitarras ficaram por conta de Micky Moody e Mel Galley, mas a versão USA trazia guitarras adicionais de John Sykes, que teve vida curta na formação. No baixo, o trabalho de Colin Hodgkinson teve linhas de Neil Murray acrescentadas, este que já havia gravado, por exemplo, o antológico Ready an’ Willing. Até mesmo nos teclados houve mudanças. O mestre supremo Jon Lord (ex-Deep Purple e no grupo já há alguns anos) teve adições de teclado na nova versão por Bill Cuomo. Na bateria, nada foi mexido nas linhas gravadas por Cozy Powell, outro que sairia logo depois. Na verdade, houve uma debandada após este disco, numa confusão de formações que nem adianta eu tentar explicar aqui.
Duas músicas aqui teriam sido concebidas por Mel Galley, em um trabalho ao lado do seu irmão Tom Galley (ambos do Phenomena), para a demo de um futuro da veterana Trapeze. Quando Mel foi convidado a integrar o Whitesnake, no lugar de Bernie Marsden, Coverdale requisitou “Gambler” e “Give Me More Time”, que acabaram em Slide it In em co autoria do guitarrista novato com seu novo empregador.
Galey foi o principal compositor no disco junto com Coverdale, o que já era um prenúncio do que o conjunto fez com o megaplatinado 1987, que sairia três anos mais tarde. Da velha guarda, o guitarrista Micky Moody co-assina apenas uma canção, a maravilhosa “Slow an’ Easy”. Antecipam esta pérola dois petardos de igual força: a enigmática “Gambler” e a porrada “Slide it In”, de letra canhestra, mas cuja sessão instrumental se sobrepõe. O clássico “Love Ain’t No Stranger” dispensa comentários após mais de quatro décadas. Não perdeu a força e, mesmo datada, emociona sempre que tocada. O lado A fecha com “Give Me More Time”, com um ar Deep Purple e refrão magistral. A performance de Coverdale aqui é uma das melhores de sua carreira, com vigor invejável.
O backing vocal estranho no refrão não arranha “Standing in the Shadow”, um rock na linha de “Fool for your Loving”, que poderia ter sido uma daquelas músicas a nunca sair do setlist da banda. O andamento divertido de “Hungry for Love” é bastante convidativo. Simples e direta, com um refrão bastante repetitivo, é uma faixa que não se destaca, mas que não baixa o nível do disco. Sem tempo para nuances do blues, o disco segue com outro hardão imponente: “All or Nothing” é outra com refrão marcante e um belo riff rock and roll, tocada aqui por John Sykes. Basta comparar com a versão UK, como, além do timbre, o jeito de tocar é diferente.
A dupla final do álbum apresenta resultados um tanto diferentes. “Spit it Out” traz a letra mais patética do catálogo do Whitesnake. É só traduzir o título. Tudo bem se nos anos 1980 isto era aceitável, mas hoje em dia é bastante bobo. Ainda mais. O som em si também é um ponto baixo, pois carece de qualquer característica mais marcante. Nao chega a ser uma bomba, mas desconta uns pontos da nota final. Por sorte, a preciosa “Guilty of Love” nos deleita com melodias inesquecíveis e um refrão impactante. O trampo de guitarras lembra muito o Thin Lizzy, inclusive. Impossível, inclusive, não traçar um paralelo com “Get Out of Here”. A composição, entretanto, é apenas de Coverdale.
A banda encheu os bolsos de dinheiro com o disco seguinte, mas aqui foi o ponto que a banda equilibrou bem passado e futuro. Sacramentou ao menos quatro clássicos atemporais e até hoje é bem cotado entre os fãs.
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Músicas
01 – Gambler – 03:57
02 – Slide It In – 03:19
03 – Slow an’ Easy – 06:00
04 – Love Ain’t No Stranger – 04:14
05 – Give Me More Time – 03:42
06 – Standing in the Shadow – 03:38
07 – Hungry for Love – 03:29
08 – All or Nothing – 03:40
09 – Spit It Out – 04:28
10 – Guilty of Love – 03:24
Foto: Clovis Roman (2019)
